SINDSEP - SP

Sindicato dos Trabalhadores na Administração Pública e Autarquias no Minicípio de São Paulo

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Funcionalismo

14/11/2017 - 13:37

Doria usa enquete viciada para justificar falta de reajustes

Para o governo servidor não quer reajuste

Na última mesa central de negociação, ocorrida no dia 8 de novembro, o governo Dória apresentou os resultados de sua enquete “fala servidor”.

De acordo com o próprio governo apenas 9% dos servidores responderam e além de muitos não terem tido sequer a possibilidade de participar - por não terem o e-mail através do qual a enquete foi realizada - ficou evidente que a maioria dos servidores não quiseram mesmo responder, muitos por medo de retaliação.

A enquete, em si, não tem validade científica. Respondida somente por quem acessa a internet e e-mail corporativo, exclui boa parte dos servidores.  Para que a enquete fosse confiável e pudesse ser chamada de pesquisa, precisaria fazer uma amostragem dos servidores por região, por gênero, por secretaria, por carreira, por nível (básico, médio, universitário), por faixas de tempo de serviço, entre outros “cortes amostrais” para definir quantas e quais perfis deveriam responder essa pesquisa. Como foi feita, o resultado não revela como pensam os servidores e além disso, há uma série de perguntas enviesadas que induzem os servidores a determinadas respostas que o governo quer ouvir.

A baixa participação e as distorções da enquete, entretanto, não impediram que o governo, na maior cara de pau, apresentasse os resultados como muleta para suas perversas intenções contra os servidores municipais.

Uma das conclusões do governo por exemplo é que o servidor municipal não se preocupa tanto assim com salário! Que essa seria uma preocupação secundária ou terciária e que a principal preocupação do servidor seria o “reconhecimento e condições de trabalho”. Como se salário não fosse reconhecimento e melhoria das condições de trabalho!

Esse discurso difícil de engolir serve, na verdade, para tentar empurrar goela abaixo a remuneração por “produtividade”, um sistema supostamente baseado na meritocracia onde, na realidade o dinheiro destinado a melhoria da remuneração do conjunto dos servidores (reajustes salariais) seria usado para remunerar alguns poucos “bem avaliados”, geralmente os “amigos do rei”, do chefe, do encarregado da avaliação, etc.

Para o Sindsep qualquer proposta desse tipo é inaceitável. Os servidores devem se organizar para resistir a essa premiação por produtividade, que divide a categoria e achata salários, como tem acontecido por exemplo com servidores estaduais que já enfrentam essas medidas aplicadas pelo governo Alckmin, do mesmo PSDB de Dória. Continuaremos lutando pelo fim do famigerado 0,01% estabelecido pela lógica da lei salarial atual. Exigimos reajuste linear de verdade!

Parece ser uma prática deste governo a distorção de dados para atacar o funcionalismo público. Na mesma mesa o Sindsep cobrou uma retratação oficial do governo Dória (Publicada no DO) em relação à sua esdrúxula ameaça de parcelar salários, da qual o próprio governo recuou durante a reunião, mediante pressão.

Mas é preciso alerta total! Apesar do recuo do governo nesta questão parcial, a intenção de fazer uma “reforma da previdência” com o projeto do SAMPAPREV continua. Assim como Temer em Brasília, Dória em São Paulo quer acabar com o direito do servidor público se aposentar dignamente!  Mas nosso recado está dado. Se botar pra votar a cidade vai parar!

 

Reestruturações dos Níveis Básico e Médio

O governo afirmou que pretende fazer mudanças nas carreiras dos Agentes de Apoio e dos AGPPs e que pretende chamar o Sindsep para negociar. Desde 2014, ainda no governo Haddad, estava na pauta do Sindsep a busca por mudanças nas carreiras dos níveis básico e médio. A principal mudança precisaria se dar nos critérios de progressão e promoção, pois exigem, além de grande peso na avaliação, um número exagerado de cursos aos quais os trabalhadores e as trabalhadoras não têm acesso. Esse excesso de critérios para remunerar melhor o servidor são a base do discurso meritocrático, mas na verdade, não premiam mérito algum. Como todos sabem, as boas avaliações e a oportunidade para buscar qualificação, dependem menos do empenho do trabalhador do que da postura do gestor. O governo Haddad fez inúmeras negativas às propostas do Sindsep e as publicou sua resposta em 2015 no site da Secretaria de Gestão (veja aqui). Queríamos carreiras para os níveis básico e médio com menos exigência de cursos e avaliações e mais valorizações por tempo, como conseguimos avançar nas carreiras por subsídio.

Mas o que parece, a "reestruturação" que Doria pretende vai na linha de criar gratificações ou outras formas de remunerar sobre "produtividade", utilizando-se de uma enquete viciada. Queremos melhorar a carreira, mas sem abrir mão dos reajustes e da valorização dos salários. O Sindsep retomará esse debate das carreiras com os trabalhadores. Participe dos seminários previstos para esse mês.

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