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Sindicato dos Trabalhadores na Administração Pública e Autarquias no Minicípio de São Paulo

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Saúde do Trabalhador

01/08/2017 - 16:15

Você sabe o que é o uso abusivo de álcool e outras drogas relacionado ao trabalho?

Frequentemente o alcoolismo e a drogadição são percebidos pela sociedade como “falhas morais”, como fraquezas que levam a um escapismo abusivo ou como um desvio de conduta pessoal. Essa percepção, além de não contemplar a complexidade desse adoecimento, dificulta que sejam identificadas suas possíveis relações com o trabalho.

Trabalhadores submetidos a turnos exaustivos, especialmente quando em atividades monótonas, podem acabar recorrendo a substâncias estimulantes para se manterem acordados e ativos em suas jornadas de trabalho. Isso se dá principalmente quando os baixos salários os obrigam a ter mais de um emprego, dificultando a obtenção do repouso necessário, ou quando a atividade demanda extensivo e constante estado de alerta.

Quando a atividade envolve perigo, seja de acidente ou de agressão, o uso do álcool e de outras drogas pode ter a função de apaziguar o medo do trabalhador de sua atividade, especialmente quando não se sente suficientemente protegido ou respaldado por suas condições de trabalho.

Atividades com elementos que produzem repulsa ou rejeição também podem induzir a um maior consumo de álcool, seja para dessensibilizar o trabalhador ao contato com tais elementos, seja para buscar uma sensação de limpeza ou desintoxicação do contato.

Quando se consideram as situações mencionadas, é fácil compreender que esse adoecimento seja mais comum entre trabalhadores de serviços funerários, segurança urbana e trabalhadores da saúde que trabalham em turnos noturnos e/ou alternados. Ou seja: a dependência de substâncias pode ser um adoecimento muito mais comum ao serviço público do que reconhecemos.

É importante destacar também que homens se encontram em situação mais vulnerável para o desenvolvimento desse quadro. Os estereótipos de gênero frequentemente pressionam homens a esconderem seus sentimentos e dificuldades, o que se soma à comum caracterização do ato de beber álcool como algo viril. Sem espaço para elaborar suas experiências de sofrimento, muitos acabam recorrendo ao uso de substâncias psicoativas para anestesiarem suas dores, prejudicando também as chances desses trabalhadores procurarem ajuda.

Trabalhadores vitimados por violências do trabalho, como assédio moral ou assédio sexual, também se encontram vulneráveis para o surgimento da dependência do álcool e de outras drogas, sendo tais substâncias utilizadas como um modo da pessoa suportar as agressões ou encarar o agressor em seu cotidiano. Este adoecimento pode também surgir como comorbidade de outros adoecimentos mentais, como a depressão, o Burnout ou o estresse pós-traumático. Pode surgir ainda em casos de dores crônicas, como as LER/DORTs, como recurso de anestesiar-se para dar conta da carga de trabalho.

A síndrome de dependência do álcool também está associada ao desenvolvimento de outros transtornos, como: delirium (delirium tremens); demência induzida pelo álcool; transtorno amnésico induzido pelo álcool; transtorno psicótico induzido pelo álcool; outros transtornos relacionados ao álcool*: transtorno do humor induzido pelo álcool, transtorno de ansiedade induzido pelo álcool, disfunção sexual induzida pelo álcool, transtorno do sono induzido pelo álcool.

É importante combater a estigmatização do alcoolismo e da drogadição e compreender seus contextos para prevenirmos esses adoecimentos e auxiliarmos àqueles que o enfrentam. Não é incomum que trabalhadores afastados por esses quadros retornem para um ambiente ainda mais hostil, o que frequentemente apenas agrava sua situação.

E como saber se você ou alguém próximo está desenvolvendo esse transtorno? Os principais sintomas são: forte desejo ou compulsão de consumir álcool ou outra droga em situações de tensão presentes ou produzidas pelo trabalho; comprometimento da capacidade de controlar o comportamento de uso da substância - seja de iniciar o uso, ou de controlar a quantidade ou período de uso; estado fisiológico de abstinência quando o uso é reduzido ou interrompido; evidência de tolerância aos efeitos da substância; preocupação com o uso da substância, manifestada pela redução ou abandono de prazeres ou interesses alternativos devido ao uso da substância ou do tempo destinado a obtenção, consumo e/ou recuperação; uso persistente da substância, a despeito das evidências de suas consequências nocivas e da consciência do indivíduo sobre o problema.

Você se identifica com alguns dos sintomas ou situações mencionadas nesse texto? Procure acompanhamento médico e psicológico. Se você suspeita que seu trabalho possa ser uma das causas, procure o CRST mais próximo de sua residência ou trabalho ou mencione isso ao profissional de saúde que já realiza seu acompanhamento.

Quer saber mais sobre a saúde do trabalhador no serviço público municipal? Acesse a nossa revista sobre o tema aqui.

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