Saúde

20 de Dezembro de 2017 - 13:12

A descaracterização no SAMU da cidade de São Paulo

Desde o início de 2017, quando o Sindsep tomou conhecimento das “Novas diretrizes de reorganização da estrutura do SAMU” e do projeto “Samu linhas do cuidado”, que os representantes dos trabalhadores vêm chamando a atenção da população para a descaracterização do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU).

Passados alguns meses, o que vemos é que o projeto “Samu linhas do cuidado” – sob os objetivos de “racionalização dos recursos (fazer mais com menos) e de integrar o SAMU às unidades de saúde pública (incorporando o SAMU às coordenadorias regionais de saúde) – vem promovendo mudanças para pior: corte de verbas essenciais ao serviço; regulação médica em número insuficiente, gerando falta de respaldo técnico às equipes; fechamento de bases em pontos estratégicos de bairros onde o serviço é essencial a população; falta de materiais, de EPIs e de insumos essenciais aos atendimentos; descaso com os readaptados; falta de água potável para os trabalhadores; problemas com a elaboração de escala;  vinculação de funcionários às ambulâncias e não mais às bases, o que diminuiu o número de ambulâncias em operação; falta de funcionários; precarização nas condições de trabalho e aumento no tempo de espera para atendimento à população.

Algumas bases que estão indo para dentro de outras unidades de saúde, são realocadas em locais sem nenhuma estrutura, ou insalubres, como é o caso da Base no Hospital Municipal Professor Dr. Alípio Corrêa Netto (o hospital de Ermelino Matarazzo), onde os trabalhadores do SAMU foram alocados na antiga sala de necropsia, ao lado do necrotério e de um depósito de equipamentos hospitalares quebrados, conforme atestam as fotos aqui publicadas. Há, ainda, a determinação da administração do SAMU para que as bases que estão sendo realocadas em unidades de saúde pública sejam gerenciadas pelos enfermeiros destas unidades: ou seja, profissionais que já tem uma enorme carga de trabalho (e que muitas vezes) não têm nenhum conhecimento sobre as especificidades de um serviço de urgência e emergência) terão de dar conta de mais um serviço.

Como se não bastasse, há denúncias de falta de veracidade das informações dadas pela SMS ao Ministério da Saúde: no documento oficial, há o reporte de 122 ambulâncias em operação, sendo que de acordo com os trabalhadores, a média é de 80 ambulâncias do SAMU em funcionamento (relatos dão conta de que houve dias em que apenas 54 ambulâncias estavam em operação); há ainda denúncias de que, na lista das equipes, constam nomes de pessoas que nunca rodaram em ambulâncias e de outras que estão afastadas há anos.

Não há como melhorar a qualidade de atendimento à população deste modo e os trabalhadores do SAMU confirmam que o serviço nunca esteve pior.  

No último dia 08 de dezembro, entorno de quinze trabalhadores do SAMU compareceram à Mesa de Negociação de SMS para exigirem providências perante o atual quadro de desalento no SAMU: como encaminhamento, haverá uma reunião entre administração do SAMU, Comurge e trabalhadores. Posteriormente ficou acordado que o problema da falta de água potável seria resolvido antes do final do ano.

O momento atual é de aumentar a mobilização: se com pouco mais de uma dezena de trabalhadores arrancamos o compromisso de reversão do problema da falta de água potável para os trabalhadores, precisamos mobilizar mais e mais trabalhadores para revertermos o quadro de descaracterização do SAMU.

Fique de olho na agenda de encontros de 2018, compareça e lute por um SAMU de qualidade para seus usuários e com condições descentes para seus trabalhadores!