Educação

05 de Agosto de 2020 - 13:08

CEU Aricanduva não tem higienização e nem quarentena apesar de trabalhadores contaminados

Medidas previstas no decreto 59.283, como o afastamento por 14 dias quando há um caso de trabalhador com Covid-19, não são cumpridas pela gestão.

Funcionários do Centro Educacional Unificado (CEU) Aricanduva, na zona Leste de São Paulo, denunciam ao Sindsep a ausência de higienização e até da adoção de quarentena, medida prevista no decreto 59.283 de Situação de Emergência do município, apesar de vários casos positivos de Covid-19 entre trabalhadores.
 
De acordo com um trabalhador, que pediu sigilo em sua identidade, a gestora do CEU Aricanduva foi infectada pelo Coronavírus e seu marido está internado em estado grave, mas não houve afastamento para o teletrabalho dos demais e nem adoção de quarentena. “O coordenador de Cultura do CEU teve seu teste positivo para Covid-19 e na última terça (4/08) foi internado, há outro caso suspeito e não estão nem fazendo higienização do equipamento, muito menos a quarentena para quem teve contato com eles. Pelo contrário, os profissionais seguem sendo mantidos no plantão presencial”, relata o funcionário.
 
Segundo Luba Melo, analista bibliotecária e secretária da Mulher Trabalhadora do Sindsep, é urgente que a Delegacia Regional de Educação oriente a quarentena dos demais trabalhadores da unidade Aricanduva, além da higienização do equipamento.
 
O CEU Aricanduva é um dos que vem servindo de alojamento às pessoas em situação de rua. Em junho, quando foi anunciado que esta e outras unidades como o CEU Meninos, Alvarenga (Santo Amaro), Tiquatira (Penha) e Jambeiro (Guaianases), seriam utilizados na chamada “Operação Baixas Temperaturas”, o Sindsep chamou atenção da gestão Covas sobre os problemas que poderiam ser gerados em razão da persistência em manter trabalhadores da Educação em plantões presenciais.
 
 
Um dos espaços do CEU Aricanduva que recebeu as beliches para acolhimento na Operação Baixas Temperaturas
 
 
O sindicato enviou ofício, entre vários desde o início da pandemia, à Secretaria Municipal de Educação e em resposta a pasta garantiu que uma “Organização da Sociedade Civil (OSC) contratada pela Smads” ficaria responsável pela limpeza e organização dos espaços nos cinco CEUs, durante a operação de Baixas Temperaturas. O que não vem ocorrendo no Aricanduva, segundo os funcionários.
 
O improviso do governo Covas por mais um ano é o responsável, nesse período de pandemia, por levar trabalhadores e seus familiares ao adoecimento, quando poderiam estar em teletrabalho. “Além da falta do investimento em políticas públicas e de fortalecimento do Sistema Único de Assistência Social, a gestão improvisa com questões sérias de moradia e assistência, agravadas pelo problema da pandemia do coronavírus”, critica Luba.
 
Cerca de 13 mil trabalhadoras e trabalhadores ainda cumprem plantões presenciais nas unidades de educação. “São gestores, ATEs, analistas de Esporte, bibliotecários, agentes da limpeza e da segurança, arriscando suas vidas diariamente em unidades fechadas, sem nenhuma funcionalidade. A dura realidade de hoje são os inúmeros afastamentos por suspeita de Covid-19 e de dezenas profissionais que perderam suas vidas em um serviço considerado não essencial em tempos de isolamento social”.