Educação

25 de Fevereiro de 2021 - 17:02

CEU Emef Perus suspende as aulas após caso confirmado de Covid

De acordo com trabalhadoras da Emef Perus, que defendem a greve como essencial, outros 7 casos foram identificados no período de recuperação, em janeiro, e há duas suspeitas entre faxineiras da Emei Jorge Amado

Em menos de uma semana de retomada das atividades presenciais, o CEU Perus, na zona Noroeste já registra um caso confirmado de Covid-19. Trata-se de uma estagiária da Emef Perus, que no dia 15 de fevereiro retomou as atividades com apenas 20% do efetivo, já que a maioria aderiu à “greve pela vida”, em razão de uma situação de fragilidade da escola localizada em região de extrema vulnerabilidade social.
 
Se contarmos entre janeiro, período de recuperação, quando o CEU Perus serviu de polo, até este momento da retomada das atividades presenciais, pelo menos 10 pessoas foram identificadas com a Covid-19.
 
De acordo com trabalhadoras da Emef Perus, que terão suas identidades preservadas na matéria, já no final da semana passada a estagiária comunicou à escola que estava sentindo cansaço e indisposição, então foi encaminhada à UBS e testou positivo para a doença. “Bastante preocupada, a diretora da escola conversou com o supervisor da escola em nossa região e a DRE para que as atividades fossem todas suspensas no CEU Perus, diante da falta de conhecimento do alcance da contaminação decorrente do caso. A decisão de todos os servidores ficarem em teletrabalho é provisória, até 2 de março, e não inclui a direção, que não foi autorizada pela DRE”, diz uma das trabalhadoras.
 
 
 
Um segundo trabalhador, que não identificaremos também para evitar retaliações, relata que há uma pressão por parte da gestão sobre a direção da Emef. “O CEU Perus foi polo de recuperação em janeiro, apesar da fragilidade dos protocolos, das condições sanitárias do equipamento insuficientes e da contrariedade da diretora da Emef. Para se ter uma ideia, a diretoria regional compareceu à escola, em janeiro, para conferir se estava ocorrendo a recuperação”, cita o trabalhador.
 
“Em janeiro, durante os 15 dias de recuperação, foram registrados em listas entre 300 a 400 crianças recebidas no CEU Perus, com o passar dos dias as famílias ficaram inseguras e deixaram de levar seus filhos. Caiu o número de crianças na recuperação para uma média de 20 por dia. Nesse período de 15 dias foram contabilizados oficialmente 7 casos de Covid, sem contar os que não foram identificados no controle de fluxo”, disse, ao reforçar que foi informado à comunidade.
 
Não conseguimos confirmar, mas há a suspeita ainda de dois outros casos positivos de trabalhadoras da limpeza da Emei Jorge Amado, unidade que integra o CEU Perus. Ambos foram identificados após a retomadas das atividades presenciais em 15 de fevereiro.
 
Frente ao risco eminente, uma trabalhadora disse não ter dúvidas de que a greve é essencial. Na semana passada, a Emef Perus atingiu 90% de paralisação e essa semana estava com 50%, mas diante da suspensão das atividades alguns estão em teletrabalho. 
 
“Como iremos garantir que as pessoas se desloquem da casa para a escola sem se infectar? Como eles [governo] acham que as pessoas se dirigem, principalmente em locais mais pobres, até as escolas?  Não é possível garantir 100% de segurança, até porque existem milhares de casos assintomáticos, mas que podem contaminar outras pessoas, suas famílias, trabalhadores e trabalhadoras da faxina, alimentação, na sala de aula. Todos! Então, não é possível assegurar nenhuma garantia”, questiona.
 
Ela também denuncia que as empresas contratadas pela Prefeitura de São Paulo, responsáveis pela oferta de alimentação e limpeza na unidade escolar, não dispensam equipamentos de proteção individual às trabalhadoras/es. “Quem teve que comprar os EPIs para esses trabalhadores foi a escola, porque a empresa disse que a oferta de EPI às funcionárias não estava em contrato”.
 
Além da insegurança para fazer a higienização e desinfecção dos ambientes, "no dia 12 de fevereiro, a Emef contava apenas com duas trabalhadoras da limpeza para dar conta dos protocolos sanitários na unidade", relata a trabalhadora.
 
“A diretora enviou uma solicitação para que a DRE atestasse as condições sanitárias da escola. Fizeram então um puxadinho, destacando outro funcionário de dentro do CEU para compor a equipe de limpeza, mas não atestaram que a escola estava apta, apenas que deveria funcionar a partir de 15 de janeiro”, acrescenta.
 
Segundo ela, há dois anos haviam 20 funcionárias da limpeza distribuídos para a CEI, Emei, Emef e gestão, mas após questionamentos do TCM, o número foi reduzido drasticamente. “Até chegar nesse absurdo que é contratar, de forma precarizada, mães para atuar na limpeza e até como ATEs. Sabemos que há milhares de pessoas super necessitadas e precisando trabalhar, mas o governo está se aproveitando dessas pessoas, precarizando o trabalho, fazendo assistencialismo e colocando-as em risco. Ao mesmo tempo que não faz a convocação dos ATEs e nem contrata mais profissionais da limpeza com todos os direitos garantidos”, disse, ao frisar que não está clara como será a contratação.
 
Assim que a greve foi decidida, os trabalhadores do CEU Emef Perus elaboraram uma Carta Pública à Comunidadefrisando os motivos para adesão à greve frente a um prognóstico que aponta três semanas para o colapsamento do sistema de saúde pela superlotação dos leitos de UTI na cidade de São Paulo, falta de EPIs, testagem em massa e vacina para todos.
 
 
Clique sobre a imagem para conferir a íntegra do comunicado
 
 
“A greve é extremamente necessária para a manutenção de direitos e, nesse momento especialmente, estamos em luta pela vida. Eu e outros colegas pretendo ir até o fim para que a prefeitura repense esse panorama de colapsamento de leitos de UTIs, agravamento de casos nos próximos dias, sem EPIs suficiente para garantir a segurança de todos; eu não pretendo voltar. A greve é essencial. Ela não é a primeira escolha, é a última opção diante da falta de diálogo com a Prefeitura”, defende a trabalhadora.
 
Com vínculo na rede estadual, a trabalhadora afirma que embora existam protocolos e as escolas adquiriram o que foi possível é insuficiente, há uma completa ausência de condições, inclusive para o teletrabalho que não teve em nenhum momento garantia de estrutura por parte do governo. “Nem aos professores e muito menos aos alunos. Falta tudo!”.
 
Exemplo disso é que ano passado, trabalhadores e a diretora da Emef, junto com o Cieja de Perus participaram de uma vaquinha para comprar mil cestas básicas que foram distribuídas à comunidade. “Em maio do ano passado fizemos essa doação porque as famílias entravam em contato com a escola perguntando se não haveria nada de alimentação”, lembra a educadora.