Educação

11 de Fevereiro de 2022 - 12:02

Escolas seguem sem vagas e governos estadual e municipal acham solução tapa buraco lotando salas de aula em meio a pandemia

Nos últimos dias um dos assuntos na imprensa é a falta de vagas nas escolas da cidade de São Paulo para  as crianças no 1º ano do fundamental. Sindsep já denunciou que na Zona Sul mais de 1.200 crianças estavam sem vagas e com isso, muitas mães pediram ajuda à entidade.

 

Para tentar entender a dimensão do problema, já que são 13 Diretorias Regionais de Ensino, sendo que já havia informações de quem em Santo Amaro eram 1200 e na Zona Leste 700 crianças sem vagas, em 19 de janeiro, Sindsep protocolou ofício pedindo a Secretaria Municipal de Educação, informações sobre a demanda de vagas atendidas para as crianças em ingresso no ensino fundamental. Até o momento não houve resposta.

 

Enquanto a Secretaria não resolve o problema e não senta para dialogar com o Sindicato quem sofre são as mães, as crianças e os profissionais da educação que viram o ano letivo iniciar nessa segunda-feira, 7 de fevereiro, com a ampliação de crianças por sala e os pais com seus filhos em casa sem saber se irão frequentar a escola esse ano.

 

Como é o caso da técnica em enfermagem, Monica Mota, 42 anos, que residia em Pirituba, mas se mudou para o Alto da Lapa. Ao se mudar pediu a transferência do seu filho João de 7 anos, para uma das escolas próximos a sua residência, inicialmente para a Escola Estadual Alfredo Paulino que fica a 1.100km de sua casa, o governo informaria no dia 19 de janeiro, mas acabou transferindo para o dia 28 de janeiro, na data descobriu que não havia vaga para seu filho.

 

 Foi orientada a continuar levando João para a escola de Pirituba, pois ele ainda está matriculado lá, Monica não tem condições para isso. Seu marido está com trombose afastado e não pode dirigir. Ela não tem habilitação além disso, o horário da escola não coincide com seu horário de trabalho e seu filho segue fora da escola, pois também não tem condições de pagar uma escola particular.

 

“A sensação é de tristeza, pois eles tinham toda pandemia para resolver isso. Eu entendo que muita gente perdeu o emprego, teve que tirar da escola particular e colocar os filhos na escola pública e todo mundo tem direito. Eu tive a oportunidade de estudar em escola pública e hoje sou formada. Tristeza de ver meu filho em casa vendo os colegas na TV indo para a escola”.

 

A triste realidade de Monica infelizmente é de muitas outras mães. Segundo reportagem da Folha de São Paulo, de 3 de fevereiro, são mais de 14 mil crianças aguardando vaga para o 1º ano do ensino fundamental na capital paulista. Algo que não acontecia há mais de uma década, desde 2007.

 

Ainda segundo a reportagem a explicação dada pelos servidores das diretorias de ensino das escolas é que o déficit deste ano é consequência da forma como o governo de João Doria (PSDB) ampliou o número de escolas estaduais em tempo integral e da falta de articulação com a prefeitura sob gestão de Ricardo Nunes (MDB).

 

Não podemos aceitar que enquanto o prefeito e o governo batem cabeça e não se acertam em como suprir a falta de vagas, que quem acabe pagando o preço são as crianças que terão prejuízos em sua educação.

 

Para suprir falta de vagas, prefeito e governador lotam as salas de aulas

 

Segundo matéria do G1, do dia 8 de fevereiro, o governador João Doria, afirmou que ampliará o número de alunos por turma, para conseguir suprir a demanda de falta de vagas até o dia 20 de fevereiro.

 

O Sindsep é contra essa política de precarização da educação, para garantir uma educação de qualidade é necessário fazer o inverso, construir escola, abrir turmas, reduzir o número de alunos em sala de aula, assim garantindo de fato condições efetivas para ensino aprendizagem de nossas crianças.