Educação

02 de Outubro de 2019 - 12:10

ESPAÇO DO SERVIDOR - Secretaria de Políticas para as Trabalhadoras (es) da Educação

Eu sou Márcia Nestardo, professora no CEU EMEF Tatiana Belinky em Sapopemba.
 
Talvez eu devesse falar sobre o PL68 que tem gerado dúvida entre educadores infantis por causa da porteira aberta no projeto para terceirização da educação infantil. Mas não vou falar disso.
 
Hoje teremos a Greve Mundial pelo Clima, com passeata e ato na Paulista. Tenho a sensação de que deveria falar sobre isso também. Mas peço licença para fugir da ordem do dia nesse tema também.
 
Hoje vou falar de doença. 
 
Não doença laboral ou geracional, embora elas façam parte da nossa vida. Quero falar de estarmos doentes de Brasil. 
 
No ano passado, durante o período eleitoral, estava numa crise violenta de ansiedade. Eu tentava tratar dessa dor, desse medo, fazendo terapia. Mas minha terapeuta, na época, insistia que essa narrativa do medo e da desesperança não era saudável. Que eu tinha que ser mais positiva e acreditar que, independente do resultado das eleições, tudo daria certo. Ela realmente acreditava que as pessoas a favor do Bolsonaro tinham fé de que ele seria bom.
Acabou que o bozo ganhou as eleições e eu abandonei a terapia pra lamber minhas feridas sem plateia.
 
Hoje, com nova terapeuta e uns “remedinho daora” que tornam possível que eu vá trabalhar quase todo dia sem chorar, me sinto nauseada e amortecida, principalmente quando vejo que estamos todos nós ficando doentes. 
 
Não só os adultos mas também adolescentes e crianças estão adoecendo mentalmente e experimetando as auto mutilações, chegando ao homicídio e, com muita frequência, ao suicídio. 
 
Não sabemos qual a motivação da facada de um adolescente contra um professor, mas arrisco um palpite de que se escavarmos bem, podemos chegar a um desequilíbrio mental motivado por tristeza de Brasil.
 
E que soluções construímos? Nos movimentos sociais? Na política? Aqui no sindicato?... 
 
Infelizmente, nós reproduzimos o viez da medicalização burocrática, da cirurgia institucional, da fé mitológica e messiânica num judiciário vendido e em eleições compradas. 
 
Pra mim, que estou doente de Brasil, a saída burocrática não  basta. 
Parafraseanfo Lênin eu pergunto: Que Fazer? E  arrisco uma resposta... É nosso papel radicalizar na politização de todos os espaços. 
 
Talvez já tenha passado da hora de destruir o câncer estrutural da pseudo democracia capitalista burguesa, indo às ruas com a insana consciência de que só a revolução socialista nos trará de volta à realidade." (texto lido na ultima Plenária CRR - Conselhero Representante Regional, realizada em 20 de setembro de 2019, na sede do SINDSEP)