Funcionalismo

21 de Março de 2020 - 12:03

ALERTA: Segurança dos servidores municipais em risco

Faltam equipamentos de proteção individual para profissionais da saúde na cidade de São Paulo

 

 

Desde a publicação do decreto (59.283, de 16 de março de 2020) de Situação de Emergência pelo prefeito Bruno Covas, o whatsapp Oficial do Sindsep 11 97025-5497, não para de receber denúncias, fotos e vídeos de servidores da Saúde, Educação, Segurança Urbana, Serviço Funerário e Assistência Social. Até o momento são mais de 200 mensagens, além de telefonemas recebidos reclamando principalmente da falta de proteção para os trabalhadores da saúde atenderem nas unidades básicas, pronto-socorros e até UTIs.

 

Embora o Ministério da Saúde recomende que profissionais que atendem casos suspeitos e confirmados de Covid-19 devem usar aventais impermeáveis de manga longa, óculos, gorro e máscara com eficácia mínima na filtração de 95% de partículas de até 0,3 (tipo N95, N99, N100, PFF2 ou PFF3) e ser utilizada sempre que realizados procedimentos geradores de aerossóis, como, por exemplo, intubação ou aspiração traqueal, ventilação não invasiva, ressuscitação cardiopulmonar, ventilação manual antes da intubação, indução de escarro, coletas de amostras nasotraqueais e broncoscopias, nada disso está se efetivando nos serviços da cidade de São Paulo.

 

? Problemas graves documentados

As reclamações que nos chegam, comprovadas por fotos e vídeos, mostram que nem sabonetes há nas pias para higienização, álcool gel, luvas suficientes e máscaras estão chegando ao quem faz o atendimento público.

 

Na Unidade de Terapia Intensiva - UTI do Hospital do Servidor Público Municipal - HSPM, há um paciente com teste positivo para coronavírus, que chegou da Itália, e os profissionais estão sem EPI adequado. No Pronto Socorro do HSPM, há outros casos suspeitos de Covid-19 e não estão dando os equipamentos de proteção individual (EPI) necessários aos profissionais, nem mesmo máscara cirúrgica para quem atende na recepção. As cortinas para isolamento de um paciente do outro são sacos utilizados para roupas sujas emendados com esparadrapos pelos próprios profissionais. Os aventais não são impermeáveis e na sala de medicação nem pia para higienização das mãos há.

 

 

Isso, sem contar outros materiais estabelecidos na página do Ministério da Saúde, para medidas de prevenção e controle, como: protetor ocular ou protetor de face; capote/ avental/ jaleco; sabão líquido; álcool 70%; higienizantes para o ambiente; e saco para descarte de resíduo contaminado; que poucos profissionais de saúde reclamam.

 

No Hospital Municipal Arthur Ribeiro de Saboya, além de EPI incorreto, da mesma forma que na Unidade de Pronto Atendimento - UPA de Perus, os equipamentos de proteção para a execução do atendimento não sejam correspondentes ao recomendado pelas autoridades sanitárias e normatização, por não proteger contra a exposição ao vírus, um único profissional está atendendo a paciente com infecção por coronavírus e mais quatro pessoas (um dos quais com tuberculose). Outro erro, pois a norma estabelece que o profissional atenda a um único paciente com coronavírus.

 

 

A sobrecarga de trabalho e tensão são outros problemas enfrentados pelos servidores nas denúncias enviadas.

 

Vários trabalhadores apelam para que o Sindicato pressione os órgãos públicos a fim de obterem mais proteção na execução de seu trabalho. Um servidor do Hospital Municipal Campo Limpo - Fernando Mauro Pires da Rocha, denunciou a falta de fluxograma adequado para atender aos pacientes suspeitos de infecção por Covid-19. Estão faltando máscaras N95 e até mesmo a máscara cirúrgica. O uso está racionado. A máscara cirúrgica só pode ser usada por duas horas, mas estamos tendo que passar o dia inteiro com a mesma máscara cirúrgica, que é muito frágil e não protege de forma eficiente”, afirma o trabalhador do hospital na zona Sul.

 

No Centro de Referência de Assistência Social - CRAS Campo Limpo, as máscaras obtidas essa semana foram por conta do motorista que atravessou a cidade para conseguir um pacote de luvas e 10 máscaras, para o uso de 7 trabalhadoras. Uma delas foi para o Pronto-Socorro anteontem por estar apresentando febre e gripe.

 

 

 

 

No Serviço Funerário Municipal de São Paulo, responsável por 22 cemitérios e o crematório municipal, os trabalhadores/as estão sendo obrigados a ficar com a mesma máscara por período de 9 horas e não há álcool gel. Há locais onde há denúncias de falta de sabão e papel toalha nos banheiros dos velórios e cemitérios. A promessa é para daqui um mês.

 

? Prefeitura necessita orientar: servidores dos grupos de risco precisam ficar em casa

Não se trata de pânico ou medo. Mas de seguir as orientações da Organização Mundial da Saúde e do próprio Ministério da Saúde. O Prefeito precisa orientar imediatamente os servidores que fazem parte do grupo de risco para que fiquem em casa. Cada servidor que faz parte de um grupo de risco e continua trabalhando está em maior risco de ficar doente e ocupar os poucos leitos de Unidades de Terapia Intensiva - UTIs da cidade. Colocá-los em risco é um perigo para saúde pública e uma irresponsabilidade governamental.

 

? Tarefa urgente: proteger os servidores para eles protegerem a população

Trabalhadores do grupo de risco, pessoas com mais de 60 anos, gestantes/lactantes, pessoas com doenças crônicas também reclamam de que a Prefeitura de São Paulo não está tendo o cuidado que eles precisam para não adoecerem. Estão trabalhando em Unidades de Vigilância em Saúde - UVIS, hospitais, Cras e outras unidades de atendimento público municipal. Na base da Defesa Civil da Capela do Socorro nem mesmo água para consumo há para os servidores.

 

O presidente do Sindsep, Sérgio Antiqueira, esteve na última quinta-feira (19) com o secretário de Saúde, Edson Aparecido, para cobrar a garantia de medidas preventivas para com os servidores municipais. Encaminhou diretrizes para que sejam incluídas ao decreto (segue abaixo) e exige um posicionamento da gestão até segunda-feira (23), diante do risco a que a população está exposta na cidade de São Paulo, onde há o maior número de casos registrados da doença.

 

MEDIDAS QUE A PREFEITURA DE SÃO PAULO DEVE TOMAR IMEDIATAMENTE EM RELAÇÃO AOS TRABALHADORES PARA A CONTENÇÃO DO COVID-19


Ofício No 199 do Sindsep enviado ao prefeito Bruno Covas

 

1 – Providenciar as condições e dispensar imediatamente todos os servidores que podem realizar teletrabalho;

 

2 – Suspender imediatamente todos os serviços que não são essenciais e que possam sofrer solução de continuidade (interrupção) durante o período de emergência, dispensando, sem prejuízo ao servidor, todos os funcionários das unidades correspondentes evitando sua circulação pela cidade;

 

3 – Garantir todas as condições de trabalho e segurança, com fornecimento dos equipamentos e insumos necessários para aqueles que executam serviços considerados essenciais – Saúde, Assistência Social, Serviço Funerário e Segurança Urbana –, com as devidas orientações e treinamentos, considerando os protocolos próprios da organização da Secretaria Municipal de Saúde, responsável a repassar a outras secretarias.

 

4 – Fornecer testagem para o Covid-19 e monitoramento para todos os servidores que permanecerem nos serviços essenciais;

 

5 – Dispensar imediatamente dos serviços essenciais, sem prejuízos para os servidores, todos que apresentem sintomas compatíveis ao Covid-19, até que se confirme negativo o teste.

 

6 – Os casos positivos devem ser tratados como licença médica, acidente de trabalho, a partir do afastamento por testagem positiva para o Covid-19;

 

7 – Dispensar imediatamente dos serviços essenciais, sem prejuízos para o servidor, todos aqueles em situação de risco:
a) as servidoras gestantes e lactantes;
b) os servidores maiores de 60 (sessenta) anos;

c) os servidores expostos a qualquer doença ou outra condição de risco de desenvolvimento de sintomas mais graves decorrentes da infecção pelo coronavírus, nos termos definidos pelas autoridades de saúde e sanitária;

 

8 – Nomeação imediata para complementação de todas as vagas os concursos vigentes nos serviços essenciais;

 

9 – Contratação de emergência para as vagas que serão necessárias para os serviços essenciais;

 

10 – Estabelecimentos das mesmas regras para os trabalhadores terceirizados ou que atuam pelo contrato de gestão;

 

11 – Criação de um canal permanente para o sindicato com os representantes do Prefeito, da SMG e da SMS, durante o Estado de Emergência, para tratar as demandas trazidas pelo servidor e monitorar o cumprimento dos protocolos da saúde.