Funcionalismo

15 de Maio de 2020 - 10:05

Analista de esporte do CEU Sapopemba é diagnosticado com Covid e Sindsep cobra da Secretaria Municipal de educação o fechamento imediato da unidade

O analista de esporte do CEU Sapopemba, Thiago Calixto, de 39 anos, na última quarta-feira (13), descobriu fazer parte do grupo de infectados pela Covid-19. Ele que desde o início da quarentena disse usar máscara, álcool em gel e tomar todos os cuidados possíveis, não conseguiu se manter imune.

 

Thiago não sabe como contraiu o vírus, mas estava cumprindo os plantões obrigatórios imposto pela Secretaria Municipal de Educação, tendo cumprido essa determinação no último sábado (8).

 

O analista tem esposa e filha, e no momento encontra-se isolado das duas, em quarentena no quarto da filha. A família também vive outro drama, a sogra de Thiago, que vive numa casa de repouso e estava isolada fazia mais de 30 dias, também contraiu a doença. No último domingo, o próprio Thiago a levou para o hospital e teve que aguardar mais de 10 horas para conseguir internar a sogra.

 

Ao contrário da sogra que esta internada e fazendo uso de respirador, Thiago teve mais sorte, seus sintomas são mais leves, assim pode se isolar em casa.

 

Uma ironia na história de Thiago é que ele e sua família possuem uma loja de frango assado, onde trabalha a sua mãe que faz parte do grupo de risco, por ser idosa, hipertensa e diabética e seu tio que tem quase 60 anos e pressão alta.

 

Os três optaram por fechar, mesmo podendo trabalhar e tendo movimento. Ambos escolheram a preservação da vida, abrindo pela última vez seu comercio em 23 de março. Por outro lado, Thiago não teve como cumprir o que o prefeito Bruno Covas e o governador João Doria não cansam de falar, que é o isolamento social. Tendo que ir cumprir seus plantões obrigatórios no CEU.

 

“Que meu caso sirva de alerta. O CEU Sapopemba fica a uma quadra do hospital Sapopemba que já esta super lotado e o bairro com maior índice de mortes. Que meu caso possa servir para conscientizar todo o bairro, pois quando o hospital estiver lotado não vai ter vaga para ninguém”, finalizou Thiago.

 

 

Chega de mortes na educação

 

O Sindsep lançou na última segunda-feira (11), a campanha Chega de Mortes na Educação, no ato homenagem que realizou em frente a Secretaria Municipal de Educação, aos profissionais da educação vitimados pela Covid-19.

 

Neste mesmo dia o Sindicato aproveitou para cobrar do secretário Bruno Caetano, que feche as unidades escolares, pois não há necessidade de os trabalhadores irem para seus locais de trabalho, podem realizar o teletrabalho. Estimasse que 18 mil profissionais da educação circulem diariamente pela cidade.

 

A medida adotada pela Secretaria já está apresentando o resultado, temos até o momento estimado que 22 profissionais da educação mortos pela Covid-19 e dezenas de afastamentos.

 

Dois exemplos claros são o CEU Formosa e o CEU Sapopemba. No Formosa a diretora do CEI que fica no mesmo local foi diagnosticada com Covid-19, por conta disso solicitou o fechamento do Centro Educacional Unificado, mas a Secretária Municipal de Educação só respondeu três dias depois, informando que apenas o Centro de Educação Infantil fecharia, os demais continuariam funcionando normalmente.

 

Neste mesmo local há trabalhadores com suspeita de Covid-19 e não podemos deixar de lembrar que esta unidade fica localizada próxima dos bairros Sapopemba e de São Mateus, regiões com altos índices de contaminação do vírus. 

 

Já no CEU Sapopemba, um analista de esporte que assim como os demais está cumprindo a determinação da Secretaria de Educação da realização de plantões na unidade, conforme o relato no início da matéria, foi diagnosticado com Covid, os colegas que tiveram em contato com ele estão receosos;

 

O Sindsep ao ter acesso aos relatos destes casos, preparou um ofício, solicitando que a Secretaria Municipal de Educação feche todas as unidades da rede municipal de ensino, incluindo escolas, CEUs e a gestão. Mas que neste primeiro momento em caráter de urgência que feche as duas unidades citadas.

 

"Infelizmente esta situação confirma o descaso do secretário Bruno Caetano com as/os trabalhadores. No dia 18 de março, 2 dias após a publicação do decreto emergencial, estivemos na SME e alertamos sobre a importância de liberar os trabalhadores da educação para o teletrabalho durante a  pandemia, não fomos ouvidos e quase dois meses após este primeiro contato temos uma triste realidade", afirma Luba Melo, dirigente do Sindsep.

 

 O Sindicato entende que não há necessidade de plantões, que obrigam os trabalhadores a circular pela cidade. É um momento de todos juntos combatermos a Covid-19. Neste sentido a Secretaria Municipal de Educação precisa dar sua contribuição e estabelecer protocolos de segurança, nestes casos, sob o risco de séria omissão. A Prefeitura, a secretaria estão colocando em risco a vida dos trabalhadores.

 

Ainda afirmamos que não faz o menor sentido expor os trabalhadores da educação a este risco, não há remédios, não há vacinas e nossos hospitais estão chegando no limite de um colapso, a liberação de um trabalhador significa um leito a mais para quem precisa.

 

"É revoltante ouvir do secretário Bruno Caetano, durante reunião da Comissão de Finanças da Câmara Municipal na tarde de ontem (13/05), que não suspende os plantões nas escolas porque está agindo de acordo com a Secretaria Municipal de Saúde. E quando recorremos a SMS e Gestão, ambos reafirmam a autonomia de cada área. Quantas mortes ainda serão necessárias secretário? Estamos recorrendo ao Ministério Público, pois alguma instância jurídica precisa enxergar o obvio. Ele não deve ser secretário no mesmo município em que somos educadores", declara Maciel Nascimento, secretário dos Trabalhadores da Educação do Sindsep.

 

 

Trabalhadora da educação de Joinville em Santa Catarina também é infectada pela Covid-19

 

Em Santa Catarina, o governador Carlos Moisés (PSL) decretou o fechamento das escolas. No entanto, o prefeito de Joinville Udo Döhler (PMDB), assim como na cidade de São Paulo, obrigou alguns servidores a cumprirem trabalho presencial.

 

Uma das servidoras que trabalha no administrativo foi convocada, sendo que seu trabalho poderia ser feito por meio de teletrabalho. A mesma acabou contraindo o Covid-19, precisando ser internada. Saindo do respirador na quarta-feira (13).