Funcionalismo

07 de Agosto de 2020 - 17:08

Dia Nacional de luto e luta

HSPM: Sindsep realiza ato em homenagem aos profissionais que perderam a vida no combate à Covid, de resistência contra as terceirizações e pelo fim dos governos genocidas

No Dia nacional de luto e de luta em defesa da vida, do emprego e defesa do SUS, promovido pela CUT, Sindsep realiza ato de 100 minutos em homenagem aos que perderam a vida no combate a Covid-19, na manhã desta sexta-feira (7), em frente ao Hospital do Servidor Público Municipal (HSPM). 
 
A mobilização é parte dos atos que ocorrem em todo o País na semana que o Brasil completará 100 mil mortes pela Covid-19, que o presidente Jair Bolsonaro diz de forma desdenhosa “lamento, mas vamos seguir a vida”. Para o Sindsep, a marca lamentável de mortes não são acaso, mas responsabilidade do governo genocida que está governando o Brasil. No estado de São Paulo chegamos a 10 mil mortes. Por isso, o grito de ordem do ato foi “Fora Bolsonaro”, “Fora Doria” e “Fora Covas”. 
 
O presidente do Sindsep, Sergio Antiqueira, acredita que o número de mortos pela Covid-19 já seja superior a 100 mil, em razão da subnotificação dos casos e das mortes. “Hoje é um dia que estamos tirando várias atividades na cidade com as centrais sindicais, vamos ter um ato ecumênico na Praça da Sé e essas atividades, paralisações de 100 minutos são em referência aos 100 mil mortos pelo descaso do governo Bolsonaro. E também pelo descaso aqui em São Paulo do governo Bruno Covas e do governo João Doria”, enfatizou. 
 
 
 
 
Eunice Lopes, mais conhecida como Nice, presidenta da Federação dos Trabalhadores do Serviço Público Municipal (Fetam), acrescentou que este 7 de agosto é também dia de resistência e luta em defesa do SUS. “Hoje é dia de luto e de luta, só estão na luta os sindicatos que, de fato, representam a classe trabalhadora. Tem muitos sindicatos no Brasil, mas nem todos estão na rua defendendo os trabalhadores”.
 
 
A escolha pelo Hospital do Servidor Público Municipal para realizar o ato desta manhã é em razão de ser um equipamento onde já faleceram mais de 20 trabalhadores(as) esse ano, muitos dos quais vítimas da Covid. Há casos graves e trabalhadores internados e infectados. No entanto, o prefeito Bruno Covas se recusa a investir na melhoria do serviço público – construídos por servidores públicos –, no chamamento de enfermeiros aprovados e realização de novos concursos públicos, pelo contrário, arruma agora a casa para entregar à organização social (OS) Cejam. 
 
Flávia Anunciação, coordenadora da região central do Sindsep, falou sobre a política que está sendo implantada dentro do HSPM, de pegar setores inteiros e “chutar” seus trabalhadores, como se fossem descartáveis. “Aqui a gente tem pessoas que dedicaram uma vida inteira trabalhando dentro deste hospital, gente que trabalhou quando as condições eram melhores e também em condições extremamente precárias, mas que nunca arredaram os pés daqui. Pessoas que sempre tiveram na linha de frente do atendimento e acolhimento da população”.
 
 
Indignada com o processo de privatização que vem ocorrendo em vários serviços públicos da cidade, como o Hospital Municipal de Campo Limpo, a secretária de Trabalhadores da Saúde, Lourdes Estevão, deixou claro que o ato era um momento de protesto e para chorar o luto no Brasil e na cidade de São Paulo. “Cem mil não é um número, cem mil pessoas eram pais, mães, esposas, irmãs… E os que ainda virão podem ser um de nós. Um de nós que não acredita na pandemia, pode ser um de nós que defende esse governo, o governo federal que está se lixando para nós”.
 
De acordo com Juliana Salles, médica infectologista, dirigente do Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp) e da CUT-SP, há um recorde de profissionais da saúde mortos, são mais de 300 profissionais da enfermagem e ultrapassa os 200 médicos. “Não podemos banalizar esses números. Estamos aqui lutando pela nossa sobrevivência e isso inclui ter um serviço público para todos de qualidade”, disse, ao se referir à manutenção do HSPM como patrimônio público.
 
“Esse hospital é nosso, porque nós construímos, e podem ter certeza que o Sindsep estará dando apoio, porque foram vocês servidores que juntaram as associações do HSPM, do Hospital Saboya, Waldomiro de Paula, do Tide Setúbal e de outras categorias para fundar o Sindsep, que tem mostrado o que é defender a classe trabalhadora”, resgatou Junéia Batista, dirigente nacional da CUT.
 
Servidores que nasceram dentro do hospital em 1957, como Edson Mariano Silva, marceneiro que trabalha na manutenção do HSPM, também falaram sobre o que estão vivendo dentro do hospital. Com 64 anos de idade e cerca de 30 deles dedicado ao trabalho na unidade, se sente desrespeitado. 
 
Bastante emocionada, a agente de apoio Suzana Lima de Jesus, servidora há mais de 20 anos no HSPM, falou da tristeza em ver o que estão fazendo com o hospital que dedicou sua vida, mas acredita que a luta ainda é a saída. “Sem luta iremos perder o hospital. Se a companheira Luzia Delmaschio – falecida em maio de 2018 e grande defensora do HSPM – fosse viva, ela morreria eu acho, porque a gente tá sentindo na pele o que muitos não acreditavam. Está acontecendo uma grande reforma no hospital para entregar para os de foras. A gente trabalha anos e anos em um local com tudo quebrado, remendado e hoje deixam tudo lindo para entregar para a Cejam”, comparou.
 
 
 
Antiqueira valorizou a dedicação dos trabalhadores do HSPM e denunciou a ação oportunista do governo Bruno Covas se aproveitar do momento de pandemia para passar a “boiada” e terceirizar os serviços públicos. “Bruno Covas está comprando vagas em escolas privadas para a educação infantil, privatizando hospitais públicos e entregando a organizações sociais. Tudo isso na boca da eleição. Esse dinheiro que está saindo tem que ser investigado, porque é dinheiro da população”. Ao lembrar que não aceitarão a terceirização, os manifestantes encerram o ato.
 
Fotos: Cecília Figueiredo/ Sindsep