Funcionalismo

22 de Abril de 2020 - 18:04

Mortes de trabalhadores da Assistência Social da Prefeitura de São Paulo expõe más condições de trabalho

Duas mortes de funcionários que trabalhavam diretamente com serviços de acolhimento à população em situação de rua, vinculado à Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (Smads) da Prefeitura de São Paulo, foram notificadas ao Sindsep, por colegas que preferem não se identificar. 

 

O Sindsep está apurando as informações, mas já se sabe que uma das vítimas por suspeita de covid-19 era educador social no Centro Temporário de Acolhida (CA) Zachi Narchi, zona Norte, contratado pela Organização Social Croph, que tem parceria com a Smads, por meio de contrato de gestão com a Prefeitura de São Paulo. Há também a informação de um trabalhador que atuava como cozinheiro no CA Ermelino Matarazzo, zona Leste.

 

Um servidor de outro serviço assistencial na zona Leste, que também pede sigilo em sua identidade, relatou que já há mais de 15 profissionais adoecidos com suspeita de covid-19, entre Seas, núcleos e CAs.

 

De acordo com o técnico, o trabalho desempenhado pelos educadores sociais é abordagem e condução das pessoas em situação de rua até os centros de acolhida. “Isso é realizado em kombis que são limpas constantemente com lysoform, álcool e sabão pelos próprios funcionários. Fazem da melhor forma e como podem, sem receber os subsídios dos órgãos responsáveis. Os números [de vítimas de adoecimentos e mortes por covid-19] estão todos incorretos. Não há equipamento de proteção individual ou qualquer material sendo disponibilizado para quem está na linha de frente da pandemia. Se nos hospitais os trabalhadores da saúde trabalham de forma precarizada o que podemos dizer de quem está nas ruas, no acolhimento da população que já era negligenciada antes da pandemia? Estamos todos à míngua nessa batalha, somos mais invisíveis que o próprio vírus, as pessoas se dão conta da existência do covid-19, já da gente....”, desabafa o trabalhador.

 

Em reportagem recente da Folha de São Paulo, um dos profissionais que trabalha na área central disse que o risco de contaminação e transmissão do novo coronavirus para a população em situação de rua é tão alto quanto para os técnicos que atuam nos serviços de assistência, sem proteção, treinamento e equipe adequados.

 

Da falta de EPIs ao déficit de profissionais nos serviços da Assistência Social, passando pela inadequação do tipo e número disponível de veículos para o transporte, higienização recomendada pelas autoridades sanitárias, sobrecarga de trabalho e tensão pelo próprio trabalho há uma sequência de erros que vão na contramão do que recomenda a Organização Mundial da Saúde (OMS), o que expõe ao risco atendidos e trabalhadores.

 

Como vem fazendo em vários serviços essenciais do Município de São Paulo que estão atendendo à população em meio à crise sanitária, a direção do Sindsep constatou no último dia 8, a situação de calamidade no Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro POP) Santa Cecília, na Rua Mauá, Santa Ifigênia, centro de São Paulo.

 

Além de aglomeração da população em vulnerabilidade em frente ao serviço antes mesmo de abrir, foi constatada a falta de equipamentos de proteção individual e de técnicos para o atendimento no Centro Pop que teve aumento expressivo da demanda pelo auxílio emergencial.

 

O Sindsep tem buscado junto à Prefeitura de São Paulo apresentar alternativas que garantam melhores condições aos trabalhadores e à população atendida. O vice-presidente do Sindsep, João Gabriel, esteve em duas reuniões com a Smads num período de 15 dias, no entanto não houve muitos avanços e “o resultado disso é mais trabalhadores e pessoas em situação de vulnerabilidade expostas ao risco do covid-19”.