Funcionalismo

18 de Maio de 2022 - 18:05

Na tarde mais fria do ano, milhares de servidores foram para a porta da Prefeitura exigir reajuste salarial

No dia mais frio do ano, mais de mil servidoras e servidores enfrentaram as baixas temperaturas e foram para a porta da Prefeitura na tarde desta quarta-feira (18), para mais uma mobilização da Campanha salarial 2022.

 

Enquanto uma comissão era recebida pelo governo, representantes de entidades e servidores realizaram falas. O secretário geral do Sindsep, Sérgio Antiqueira, lembrou do aumento de 46% que o prefeito concedeu para ele e seus secretários no início de 2022, bem como a luta para barrar o confisco de 14% dos aposentados. “Estão tirando dinheiro da carteira dos aposentados, tem gente doente, que está sem condições”, afirma Sérgio.

 

O ato além das falas contou com canções como “Prefeito, o seu safado, larga o dinheiro do aposentado” e “Ricardo Nunes, quero um aumento igual ao seu de 46%”, além de orquestra de batucada com panelas vazias, como símbolo da luta dos servidores que apenas querem ter condições dignas de sobrevivência. Pois com a inflação nas alturas, com os preços estratosféricos dos itens básicos, esse direito está sendo retirado pelo prefeito Ricardo Nunes.

 

“Vocês estão de parabéns por enfrentar esse frio e mais ainda de enfrentar o prefeito que insiste em não dar reajuste e confiscar salário dos aposentados. Esse prefeito que passa anos enchendo o cofre para usar em ano eleitoral. E nós servidores, passando por tudo isso. Tudo está aumentando. Quando vamos comprar nosso alimento pagamos nosso imposto que vai para o bolso desse prefeito”, declara o secretário de Imprensa do Sindsep, Vlamir Lima.

 

A terceirização também faz parte da pauta da Campanha Salarial, uma vez que o prefeito tem como política terceirizar e privatizar o serviço público e a bola da vez é a educação. A base do governo enviou um PL para Câmara, que caso aprovado irá terceirizar a gestão das unidades escolares. Um verdadeiro absurdo, assim como o abandono da educação pública.

 

“Quero falar com os companheiros da educação, que se nas outras categorias está difícil, na educação não tá diferente. Nunes abandonou a educação. Salas super lotadas, equipes de limpeza foram reduzidas. Escolas sem ATE, sem estagiários. Agora base governo quer terceirizar gestão das unidades escolares. O PL do governo é uma vergonha. Nunes não a terceirização, não a privatização. Vamos a rua e não vamos recuar”, afirmou Luana Bife, professora e coordenadora da região Leste II, pelo Sindsep.

 

Uma comissão dos representantes das entidades que representam os servidores públicos foi recebida pela nova secretária de Gestão, Marcela Arruda. Segundo a coordenadora do Fórum das Entidades, Margarida, a secretária se mostrou aberta e disposta ao diálogo. No entanto, não trouxe nenhuma resposta para o encontro.

 

João Gabriel Buonavita, presidente do Sindsep falou sobre a importância da unidade para se conseguir enfrentar o governo.  Além disso, afirmou que as entidades na reunião fizeram questão de dizer para a nova secretária a realidade em que ela está assumindo, em que há servidores aposentados ganhando 700,00 Reais.  Eu mostrei o holerite de um servidor que trabalhou 20 anos e tem salário líquido de mil reais. Como alguém que tem que comer, pagar aluguel, comprar remédio sobrevive com esse valor? Não sobrevive. Eles sabem que estamos no limite”.

 

O presidente do Sindsep ainda disse que o governo está analisando as possiblidades de reajuste dentro do orçamento que eles têm e todos sabem que ele é alto. Por isso, os servidores não vão mais aceitar que suas panelas estejam vazias. Lembrou também que o governo quer fatiar as categorias, mas que não será aceito. “Não vamos aceitar que deixem alguém para trás. Não podemos aceitar que deixem os aposentados para trás”.

 

João ainda informou que não será aceito que se feche mais um mês sem que haja uma resposta e trouxe a proposta discutida com o Fórum, que caso não se tenha uma resposta, um novo ato seja realizado no dia 09 de junho. “Queremos que amanhã apresentem uma nova data. Se eles não cumprirem e não apresentarem uma resposta  até o fim de maio, no dia 09 retornaremos com mais uma mobilização. Mantenha mobilização nos locais de trabalho e voltamos no dia 9 com mais força. Estamos juntos na luta”, finalizou.