Funcionalismo

27 de Junho de 2022 - 09:06

Plenária de RSU rechaça proposta divisionista do governo e elege novos conselheiros de Região

Por Cecília Figueiredo*, do Sindsep

 

 

Plenária realizada em 24/6 reuniu RSUs de todas as áreas do serviço municipal. Foto: Alexandre Linares

 

O Sindsep realizou nesta sexta (24), a Plenária de Representantes Sindicais de Unidades, que reuniu aproximadamente 90 servidores/as de unidades variadas, como educação, assistência social, saúde, GCM, meio ambiente, entre outras áreas.
 
A direção do Sindsep falou sobre o caráter divisionista embutido na forma e conteúdo das propostas apresentadas pela gestão do prefeito Ricardo Ricardo Nunes para quebrar o movimento dos servidores/as. 
 
De acordo com João Gabriel Buonavita, presidente do Sindsep, ao se sentir pressionado pela mobilização do Sindsep e Forum de Entidades, o governo apresentou, em 22 de junho, em reuniões separadas propostas quebradas, onde deixou de fora o sindicato dos servidores municipais. Apresentou tabelas separadas para diferentes carreiras. Confira o detalhamento na matéria Governo Nunes propõe divisão dos servidores.

“Eles têm medo do Sindsep, porque somos um Sindicato que representa os Servidores Públicos e que, a partir de 2018, começou a enterrar, a candidatura à presidência que João Doria estava construindo, ao levarmos 100 mil servidores para as ruas contra o Sampaprev. Eles sabem que a única forma de vitória é a luta e nós também, por isso estão fazendo uma sofisticada manobra para nos dividir. Foi assim que passaram o projeto de reestruturação da GCM. Não podemos deixar que nos iludam com falsos ganhos de início de carreira contidos nessas tabelas. Temos que lutar juntos. Porque o projeto é terceirizar tudo. O PL 573 para terceirização das unidades escolares coloca nas mãos de OSSs as escolas municipais. Acaba com o serviço público”.
 
Ao saber horas antes que ocorria a reunião, o Sindsep acabou entrando na segunda reunião. “A gente é pedra no sapato deles. As perdas que os servidores tiveram já ultrapassam os 50% e nós não podemos aceitar a negociação separada, por carreira, feita de qualquer jeito, sem base técnica e sem a representação das entidades dos trabalhadores do serviço público”, acrescentou Sérgio Antiqueira, secretário-geral do Sindsep, ao mostrar as perdas que causarão para a maioria das carreiras a proposta apresentada.
 
No entanto, ele lembrou que isso somente foi feito devido à pressão do Sindsep, portanto essa mobilização deve crescer e continuar de unidade por unidade, para ficar maior e mais forte.
 
“Há uma fala contraditória desses governos, tanto federal, quanto estadual, quanto a Prefeitura, ao falar sobre falta de recursos, pois estão com os cofres cheios, a inflação desenfreada, as pessoas sem ter o que comer, como pagar a luz, a água, o gás”, refletiu Vlamir Lima, secretário de Imprensa do Sindsep, ao destacar o arrocho imposto à classe trabalhadora e à necessidade da unidade na luta.
 
Para Lourdes Estevão, secretária de Políticas Sociais do Sindsep, essa proposta do governo não serve aos servidores, sua única função é de “combustível para a luta”. 
 
Um momento que emocionou a plenária e arrancou aplausos de todos em pé foram os depoimentos de duas GCMs, uma delas recém escolhida RSU e outra que está se aproximando da entidade. As servidoras relataram as perseguições e adoecimentos que têm vivenciado no local de trabalho. Por conta do código disciplinar, do machismo e pressão, as servidoras têm sofrido punições e agradeceram o acolhimento na Saúde do Trabalhador do Sindsep, pois a corporação é onde existe uma alta incidência de suicídio e casos de assédio sexual e moral.
 
Na sequência, a vice-presidenta do Sindsep, Luba Melo, que coordenou a plenária, fez a leitura dos encaminhamentos:
 
- Agentes de Endemias devem exigir do prefeito a aplicação do Piso Salarial Nacional; 
 
- Trabalhadores da saúde devem protestar contra a vergonhosa proposta da prefeitura que não valoriza em nada os servidores da saúde;
 
- Levar nosso sentimento de indignação para as regiões: mobilizar a categoria, dar esperança na luta (a luta possibilita diminuir os ataques e a desvalorização);
 
- Manter a unidade do conjunto dos servidores municipais, só assim conseguiremos impor nossas pautas;
 
- Questionar as razões pelas quais as carreiras assistenciais ganham menos que as carreiras administrativas e legitimar tecnicamente a luta para a equidade salarial;
 
- Esclarecer nas unidades que o governo está valorizando os iniciais de carreira (em alguns casos), pois, perante o projeto de terceirização generalizado, eles não vão precisar pagar ninguém: há pouca gente no início de carreira e não haverá concurso no que depender desse governo;
 
- É preciso politizar os servidores, porque incluindo nossa possibilidade de aumento depende da política... não há neutralidade;
 
- O Sindsep deve entrar na luta contra o alto índice de assédio sexual e assédio moral (principalmente contra as mulheres) na GCM. O machismo é enorme na corporação e deve ser combatido. O índice de suicídio na GCM é enorme e é necessário um trabalho de saúde mental (apoio psicológico) com tais trabalhadores;
 
- A proposta para a carreira do magistério representa o fim da carreira do magistério e deve ser duramente combatida;
 
- Construir um calendário da Educação, com a plenária da educação (para debater junto com os trabalhadores a proposta do governo para a educação e debater a portaria conjunta SMS/SME), visita às escolas e uma Live da educação (junto com sindicatos de outras cidades que estão ameaçadas pela terceirização das unidades de ensino);
 
- Temos que lutar pela revogação da portaria que impediu o afastamento de profissionais que tenham tido contato com infectados pela Covid/19;
 
- A proposta da saúde é inaceitável, cria uma desigualdade de tratamento perante os profissionais administrativos, desconhece as diferentes jornadas de trabalho e deve ser levada a debate; 
 
- Todos que pegarem um atestado médico inconsistente no HSPM (que está sendo feito por profissionais terceirizados, quarteirizados e sem compromisso público) devem ser levados para a ouvidoria do município);
 
- O Sindsep seguirá na luta contra a perda de autonomia administrativa da Covisa que ocorreu quando foi rebaixada para a Coordenadoria de Atenção Básica.
 
- O Sindsep seguirá na luta pela transformação dos Auxiliares de Enfermagem em Técnicos de Enfermagem perante a comprovação de qualificação/diplomação (aprovada pelo Coren).
 
 
GTs para escolha de conselheiros das regiões. | Fotos: CF e AL
 
 
No encerramento, os RSUs se organizaram em 10 grupos para eleger os conselheiros de regiões (CRRs): Centro, Leste 1, Leste 2, Leste 3, Noroeste, Norte, Oeste, Sudeste, Sul 1 e Sul 2.

 


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* Colaboraram Marco Dalama (assessoria) e Ricardo (Cadastro).