Funcionalismo

02 de Dezembro de 2019 - 15:12

Prefeitura deixa agentes de endemias sem carro para irem a campo

Em 2017, João Doria diminuiu pela metade a frota de carros e agora no mês de novembro, Bruno Covas deixou o contrato encerrar e agentes ficaram a pé, dependendo de carro de aplicativo para poderem trabalhar

João Doria quando assumiu a prefeitura de São Paulo em 2017, como uma das medidas de governo cortou a frota dos carros utilizados nas atividades dos agentes de endemias e demais atividades da Vigilância em saúde pela metade e fez uma parceria com o aplicativo de carros 99 Táxi, para que a empresa atendesse esses profissionais.

 

No entanto, os carros por aplicativos não podem ser usados para fiscalização de estabelecimentos, a realização de bloqueios, não podem transportar veneno, bem como não atendem outras demandas do trabalho. Estes servidores se mobilizaram e conseguiram uma mesa de negociação com a Secretaria Municipal de Saúde. Pois agentes de endemias da Suvis Freguesia do Ó, foram assaltados, enquanto faziam o rodízio de carro. A equipe foi deixada em campo e enquanto o carro foi buscar a outra aconteceu o assalto. Dando início ao movimento sem carro, sem rua.

 

Na mesa ficou acordado que os carros por aplicativo só seriam usados pelos agentes de endemias, quando precisam se deslocar para reuniões e eventuais cursos. As atividades diárias como casa a casa, bloqueio e nebulização não poderiam ser feitas com o uso destes carros.

 

O carro é fundamental para a realização do trabalho dos agentes de endemias, é uma ferramenta de trabalho e funciona  como APOIO, garantindo maior segurança em campo. Principalmente quando precisam entrar em comunidades e em locais mais complicados, por serem violentos.

 

A situação ficou ainda pior este ano, pois no dia 11 de novembro, encerrou-se o contrato com as empresas que forneciam os carros usados pelos agentes e se antes tinha metade da frota, agora não há mais nenhum. Os agentes de endemias estão sendo obrigados a irem a campo usando os carros da 99 Táxi, o que está gerando vários problemas, visto que há regiões que os carros de aplicativos não vão para buscar os agentes, é realizado o pedido, mas o motorista cancela a corrida.

 

Outro problema enfrentado por esses trabalhadores é que em boa parte das unidades o pedido do carro é feito pela chefia interna usando o computador e não pelo celular, se a unidade estiver sem internet, não tem como fazer o pedido. Se a internet da unidade for ruim, demora para se conseguir pedir um carro. Além disso, em grande parte das unidades são só duas ou três pessoas que podem pedir os carros, havendo uma quantidade super a isso de equipes em campo. Então se por exemplo, você tem seis equipes para mandar para a rua e o aplicativo só permite  pedir um carro por vez, e necessário esperar o encerramento da corrida para solicitar outro carro, a diferença de chegada em campo de uma equipe para a outra pode chegar a ser de uma hora e meia o que implica também no retorno dessas equipes para a unidade.

 

A Prefeitura não disponibiliza um celular para as equipes usarem quando estão em campo,  usam o seu particular para poder ligar para a unidade e pedir que ela peça um carro da 99 Táxi para busca-los e nem sempre estão em locais seguros para fazer uso de seus celulares, correndo o risco de ser assaltado. Também há outro problema grave, as vezes a pessoa que faz o pedido no aplicativo é mulher e aparece para o motorista o nome de mulher, mas quando ele chega, tem vários homens esperando, o motorista não para, porque não é a mulher que solicitou, como também acontece o inverso, quando o chefe é homem e pede e quando o motorista chega só tem mulheres esperando.

 

No mês de novembro, agentes de endemias da Suvis Vila Maria, na Zona Norte da cidade, estavam em campo, quando começou uma chuva de granizo e não tinham onde se abrigar, precisaram ficar na chuva esperando o carro de aplicativo. Um verdadeiro descaso do prefeito Bruno Covas com os servidores públicos.