Funcionalismo

28 de Agosto de 2020 - 17:08

RSU | Reunião debate a necropolítica dos governos Bolsonaro, Doria e Covas, e os desafios para barrar os ataques aos serviços públicos

Por Cecília Figueiredo, do Sindsep

 

 

Na segunda reunião online, após o estabelecimento da pandemia do Coronavírus, o Sindsep reuniu, na manhã desta sexta-feira (28), mais de 90 representantes sindicais de Unidade (RSU). No debate, os problemas pontuais que vêm enfrentando em suas frentes de trabalho, assim como os desafios do período eleitoral e estratégias para enfrentar o desmonte dos serviços públicos pelos governos tucanos Covas/Doria e Bolsonaro.

 

Fora Bolsonaro

 

O presidente do Sindsep, Sergio Antiqueira, em sua análise de conjuntura denunciou o projeto de necropolítica que vem sendo alimentado pelo governo federal, “de escolher quem vive e quem morre”. Segundo ele, é indispensável continuar a luta pela derrubada do atual governo. “Não podemos suportar por mais dois anos a política de ataques aos servidores e desmonte dos serviços públicos, que é a mesma dos governos Bruno Covas e João Doria, em São Paulo”.

Neste sentido, o dirigente reforçou também a importância de utilizar o calendário eleitoral para esclarecer a população sobre as ameaças trazidas por desmontes como o da Covisa, que tem expertise e era quem fiscalizava a reabertura de bares, restaurantes, hoteis, escolas e outros serviços. “Essa é uma luta que tem de ser todos os servidores, da saúde, educação, assistência social, porque afeta a todos, conforme disse uma trabalhadora da Covisa, numa reunião com a Secretaria de Saúde: ‘eu tenho medo de ser operada, porque não há mais controle do sangue utilizado nos serviços’”.

 

OSS: 'máquina de rapina'

Vários RSUs concordaram com a importância de somar esforços para ganhar a opinião pública e mostrar o que é omitido pela grande mídia, com relação à eficiência dos serviços públicos a um menor custo. Uma das propostas é para que se forme um comitê técnico no Sindsep de discussão, para questionamento de cada contrato celebrado pela Prefeitura de São Paulo com organizações sociais, chamados por servidores de “máquina de rapina”.

 

O vice-presidente do Sindsep, João Gabriel Buonavita, valorizou a unidade de trabalhadores, Sindsep, conselheiros e movimentos populares de saúde para o êxito da luta contra a terceirização do Hospital Municipal do Campo Limpo. Para ele, uma experiência que deve inspirar o enfrentamento ao desmonte da Covisa e que necessita do envolvimento de todos os trabalhadores da Prefeitura de São Paulo.
 

Hospital do Campo Limpo e o processo pedagógico

 

Laudiceia Reis, coordenadora da Região Sul do Sindsep, fez um apanhado sobre do processo que levou a vitória sobre a organização social Hospital Israelita Albert Einstein, retirada do Hospital Municipal do Campo Limpo, no último dia 21 de agosto. “Um processo pedagógico, que teve a participação e solidariedade entre os servidores, que não se renderam ao processo de guerra, violento imposto pela OSS. Lutaram até o fim em defesa do serviço público. E se o Einstein não fosse retirado de lá seria uma carnificina”, ao citar exemplos de pacientes que foram abandonados sem assistência, equipamentos retirados do hospital público e outros problemas que estão sendo registrados pelos servidores. Em sua opinião, o próximo passa é “tirar Bruno Covas da prefeitura”.

Douglas Cardozo, RSU no Hospital do Campo Limpo, afirmou que o conhecimento por parte dos servidores sobre o seu papel, sobre a legislação e a sua representação nas instituições fez toda a diferença para a vitória.

 

Covisa, mais uma luta de todos

 

Já Flávia Anuniciação, coordenadora da região Centro do Sindsep, deu um panorama da luta nas frentes jurídica, de propaganda, por meio do controle social, contra o desmonte da Covisa, e alertou que a organização dos trabalhadores é a arma mais potente para a vitória. “Precisamos documentar, registrar e criar provas sobre os desmandos contra os serviços públicos. Não podemos também deixar os trabalhadores isolados. O projeto de Estado mínimo é contra todos os serviços públicos. Portanto precisamos nos mobilizar em defesa dos CEUs, da Covisa… O pessoal do Campo Limpo mostrou que é possível vencer e o companheiro Manoel disse quando estava internado que a luta vale a pena todos os dias”, acrescentou emocionada. A dirigente também leu, na plenária, a Resolução nº 8 do Conselho Municipal de Saúde.

O secretário dos Trabalhadores da Educação do Sindsep, Maciel Nascimento, relatou as discussões da Mesa Setorial de Educação, sobre a importância de manter a luta contra a volta da rede municipal, assim como a pressão sobre os vereadores de São Paulo contra o parecer do home school. Ele também citou uma série de convênios e compras suspeitas que vêm sendo feitas pela Prefeitura de São Paulo. Todos os contratos foram discutidos com o Ministério Público. Ele também informou sobre o pleito do Sindsep a SME sobre a pausa por uma semana de todos os trabalhadores da rede municipal de Educação, em meados de setembro. Disse que o Sindsep está estudando a revogação da Lei 17437, para derrubada do período de 3 anos de estágio probatório para que o trabalhador possa pedir remoção.

Luba Melo reforçou a luta contra os desmontes, lembrando que 12 centros de educacionais unificados (CEU) já iniciarão com serviços terceirizados.

Com relação aos aposentados, Sérgio Antiqueira concorda com a elaboração de um boletim para o segmento, mas acrescentou que o Sindsep ouvirá os aposentados para desenvolver outros canais de comunicação, até que a OMS aponte ausência de risco para retomada das assembleias presenciais.

 

Formação e sindicalização


Também foram dados informes sobre o trabalho do Núcleo Técnico de Formação, que está organizando cursos à distância (EAD), por meio do site Escola de Formação do Sindsep. Controle Social, em parceria com o Tribunal de Contas do Município, o papel do educador, com a Escola do Parlamento da Câmara Municipal, Violência de Gênero e Saúde do Trabalhador são alguns dos temas já em discussão para as formações, que estarão disponíveis a todos os servidores. “É um processo coletivo de construção da formação e impulsionamento”, convidando a todos para se inscrever no próximo dia 2 de setembro.

João Gabriel também fez um passo a passo sobre a sindicalização on-line que já está em funcionamento no site. O link está disponível no alto da barra de opções do site: https://sindicalizacao.sindsep-sp.org.br/

 

Homenagem ao Manoel

Ao parabenizar os 37 anos da Central Única dos Trabalhadores (CUT), criada em 28 de agosto de 1984, Sérgio Antiqueira também apresentou um vídeo do Sindsep em homenagem ao coordenador da região Oeste, Manoel Norberto Pereira, que se foi em 19 de agosto. Sob aplausos e o grito da direção, RSUs e trabalhadores do Sindsep, “Manoel, presente sempre!”, a reunião foi encerrada.

 

Confira o vídeo em homenagem ao companheiro Manoel