Funcionalismo

03 de Junho de 2019 - 10:06

Samu chega a levar quase 12 horas para acionar uma ambulância

Relatório de sindicato aponta que em 67% dos chamados há 'grande atraso'

Um relatório produzido pelo Sindsep (Sindicato dos Servidores Municipais de São Paulo), a partir de uma pesquisa com funcionários do Samu (Serviço de Atendimento Médico de Urgência), apontou que em 67% dos chamados de socorro há "um grande atraso" na comunicação com as ambulâncias.

 

O documento mostra uma ficha em que o acionamento de uma das equipes levou quase 12 horas.

 

O relatório, com questionários respondidos pelos socorristas, foi feito por conta da reorganização do Samu pela Prefeitura de São Paulo, da gestão Bruno Covas (PSDB).

 

Passados mais de três meses do início das mudanças, equipes ainda enfrentam problemas nas novas bases, como mostra o documento.

 

Salas pequenas, com pouca ventilação e com materiais entulhados são algumas das falhas encontradas por uma comissão e pela própria prefeitura de São Paulo, em um outro relatório produzido pelo município. 

 

O documento do sindicato identificou que em 43% das bases não há estacionamento adequado, o que atrasa a saída das ambulâncias. No Caps Itaquera (Zona Leste), por exemplo, o veículo só cabe na vaga se estiver encostado na parede – o motorista tem que sair pela porta do passageiro.

 

No local, também falta cobertura, e o veiculo fica exposto ao sol e à chuva. Segundo o relatório, essas condições podem provocar danos a equipamentos e remédios. O problema ocorre em 73% das bases.

 

A distância entre as salas dos funcionários e as ambulâncias também aumentou com a reorganização, e em metade das unidades ultrapassa 50 metros.

 

No Hospital do Campo Limpo (Zona Sul), os socorristas têm que descer dois andares e percorrer mais um corredor de 150 metros. “Levando em conta que o serviço tem que estar de prontidão quando é chamado, isso é um problema gravíssimo”, afirma Lourdes Estevão, uma das dirigentes do Sindsep.

 

Relatório

 

A Prefeitura de São Paulo defende que a descentralização do Samu vai melhorar a qualidade do serviço, e afirma que todas as bases já têm condições mínimas para funcionar.

 

Em seu próprio relatório, a gestão municipal apontou alguns pontos positivos da reorganização, como melhor estrutura física- antes da mudança, as bases modulares funcionavam em contêineres.

 

Ainda assim, o documento lista uma série de problemas que vão de falta de higiene a insegurança no local.

 

“Precisamos encarrar de maneira responsável tudo o que pode ser melhorado. Nosso objetivo é avaliar as condições de implantação de cada um dos pontos e orientar as adequações necessárias, disse o coordenador do Samu, Marcelo Takano.

 

O médico disse ainda que o relatório não identificou a necessidade de nenhuma grave intervenção de engenharia nas bases.

 

“são todas pequenas reformas, passiveis de resolução com um melhor gerenciamento”, disse Takano, defendendo que a integração do Samu com outros aparelhos de saúde da idade deve resultar em melhoras na gestão administrativa do serviço.

 

A intervenção mais robusta, segundo o coordenador, vai ser a instalação de coberturas nos estacionamentos de todas as unidades. “É algo que não é essencial para o funcionamento das bases, mas entendemos que aumenta o conforto do trabalhador e resulta num melhor serviço”, disse.

 

No próximo dia 5, representantes da Prefeitura e do sindicato vão se reunir para a elaboração de um relatório conjuntos.

 

Fonte: https://agora.folha.uol.com.br/sao-paulo/2019/06/samu-chega-a-levar-quase-12-h-para-acionar-uma-ambulancia.shtml?fbclid=IwAR2vIgzDvlxQ0zKD9kTTcugpBghFBXU_EX_ONWAoJt49seQ8oQiOzp70Aco