Funcionalismo

06 de Abril de 2022 - 19:04

Servidores lotam porta da Prefeitura e exigem reposição salarial e revogação do confisco dos aposentados

Por Letícia Kutzke, Sindsep
 
 
 
Sindsep e Fórum de Entidades colocaram mais de 3 mil servidores e aposentados no viaduto do Chá em frente ao gabinete do prefeito Ricardo Nunes, na tarde desta quarta-feira (06), no segundo ato da campanha salarial unificada 2022, para exigir do prefeito, uma reposição salarial digna. 
 
 
Os servidores públicos há anos, amargam reajustes salariais de 0,01%. Exigem o fim deste arrocho e cobram 46% de recomposição das perdas acumuladas. Muitos dos presentes na atividade deixaram claro que está faltando comida no prato.
 
 
Um grande número de aposentados e aposentadas marcaram presença na atividade. Eles são quem mais sofrem com essa falta de reposição salarial e agora amargam um confisco de 14% em suas aposentadorias, que há tempo não cobre suas necessidades básicas. 
 
 
A servidora aposentada do Hospital Municipal Dr. José Soares Hungria, mais conhecido como Hospital Pirituba, Evandis, deixou sua casa em Santana de Parnaíba, tendo que pegar um trem, um ônibus e um metrô para estar nesta tarde em frente à Prefeitura e dizer para todos e todas que é sozinha e que quando abriu seu holerite esse mês passou mal ao ver o desconto que foi apenas de 1/3, o susto maior virá no próximo mês. E mandar o seu recado para o prefeito.
 
 
“Eu trabalhei por 30 anos na Prefeitura. No hospital de Pirituba foram 18 anos. Nunca tive uma advertência, uma falta e trabalhava 12 horas. Natal e fim de ano, enquanto o senhor viajava, a gente estava lá trabalhando [...] Se depender de mim vou fazer boca de urna vou fazer o diabo mas o senhor não vai mais ganhar. Não é justo isso. A gente trabalhou...trabalhou e vem agora com 14%” declarou Evandis.
 
 
Sergio Antiqueira, presidente do Sindsep, lembrou da construção da unidade entre as entidades sindicais, que vem sendo construída desde 2018 e que possibilitou que muitos crimes contra o funcionalismo fossem barrados, mesmo tendo sido aprovados outros. Como o ataque aos aposentados.
 
 
“Estamos aqui unindo forças para garantir aquilo que é de direito, que é reajuste. Nós estamos no pior momento da inflação de todos os tempos e justo agora os aposentados estão sentindo no bolso, pois bateram a carteira de vocês, isso é roubo, é crime, tirou comida do prato. Tirou remédio. Criminosos!”, declarou Sérgio em relação a retirada de direitos que Ricardo Nunes está promovendo com o Sampaprev 2.
 
 
Servidores presentes na atividade também aproveitaram suas falas para denunciar para a população, os ataques que o governo vem promovendo nos serviços públicos. Como a superlotação das salas de aulas, falta de professores pela não realização de concurso público. Salas de aulas com 35 alunos, sendo que muitas com dois, três alunos com deficiência e sem nenhum estagiário para poder ajudar no auxílio destes. 
 
 
Ainda que o prefeito pretende terceirizar o CAPS Itaquera e a forma truculenta que servidores do HSPM estão sendo tratados pela Organização Social que está administrando o hospital. Como também a falta de remédios nas unidades de saúde. 
 
 
Além das denuncias das tentativas do governo em privatizar e terceirizar o funcionalismo público, muito dos presentes manifestaram sua solidariedade e indignação à violência sofrida pelo vice-presidente do Sindsep, João Gabriel Buonavita, que na semana passada estava panfletando para o ato de hoje e levou um mata leão de um segurança do Edifício Martinelli e foi arrastado para fora. 
 
 
Situação que vem ocorrendo com outros dirigentes sindicais do Sindsep. ”Eu fui impedida de entrar na UVIs Santa Cecilia. Servidores foram ameaçados que se estivessem conversando com o sindicato seriam punidos. A gente também precisa se rebelar contra essas atitudes, assim começam as ditaduras e a primeira retirada é o direito de mobilização dos trabalhadores. Temos que ser contra e denunciar todo tipo de violência”, declarou Flávia Anunciação, coordenadora da Região Centro.
 
 
Durante o ato uma comissão composta por um representante de cada sindicato subiu para ser atendida pelo governo uma vez que ele mesmo havia marcado um encontro para o dia de hoje. No entanto, ficaram mais de 2 horas esperando pelo secretário de Gestão, Fabricio Cobra.
 
 
Devido a demora do governo a atividade foi encerrada sem uma resposta, que será dada nesta quinta-feira (07), por meio de um comunicado do Fórum de Entidades que informará as deliberações da reunião e com uma proposta de data para o próximo ato. 
 
 
A fala de encerramento da manifestação ficou por conta do vice-presidente do Sindsep e futuro presidente a partir de maio, João Gabriel Buonavita, que falou sobre o massacre que os servidores aposentados que dedicaram 30, 40 anos de suas vidas ao funcionalismo público estão sofrendo por um governo que tem interesses próprios e com instituições privadas. Além de não poder subestimar esse governo, pois ele ainda tem dois anos pela frente e pode retirar muitos direitos dos servidores. 
 
 
João ainda falou das dificuldades que os servidores enfrentam ao ir ao supermercado e à feira, com os alimentos com preços elevados e que a carne, há muito tempo já sumiu do prato. E reforçou a importância de no próximo ato ter mais servidores na rua. 
 
 
“Nós somos capazes de aumentar o número de pessoas na rua. Vamos voltar para o local de trabalho e trazer mais gente para a luta.  Se estamos com o salário congelado, não conseguimos colocar alimento na mesa, precisamos transformar em indignação, em luta [...] Temos que colocar nosso bloco na rua e construir uma greve caso necessário. Vamos encerrar o ato aqui sabendo que tem gente lá em cima que não liga para servidor”.