Funcionalismo

20 de Abril de 2021 - 15:04

Sindsep atualiza ao MP nº de mortes por Covid em São Paulo; somente em março deste ano foram 5.567

Sindicato pede também o acompanhamento na investigação do movimento "Escolas Abertas" solicitada ao MP pela prefeitura.

O Sindsep entrou com representação, junto ao Ministério Público, contra a Prefeitura de São Paulo, por conta da reabertura de escolas em fevereiro e novamente a partir do dia 12 de abril. A representação, em 9 de abril, fundamenta que a reabertura é desprovida de qualquer embasamento técnico, mas ocorre após a pressão sobre o prefeito Bruno Covas feita por um movimento de mães e pais de escolas de elite de São Paulo, em 13 de janeiro, conforme reportagem do jornal Folha de São Paulo, na edição de 28 de janeiro. 
 
A matéria relata que um dia após o protesto (14/01), a Prefeitura anunciou a reabertura de escolas no mês de fevereiro, apesar do crescimento de óbitos, contaminações e ocupação de leitos em hospitais. A decisão ignorou o parecer contrário da Covisa, manifestado em dezembro conforme apurou a jornalista da Folha. Em março, após surtos de Covid em mais de 800 escolas municipais, a prefeitura decidiu então suspender aulas presenciais e antecipar o recesso de julho e os feriados do ano durante a fase emergencial. E mesmo após a explosão de mortes e casos da doença em março, Bruno Covas manteve a retomada de aulas presenciais em 12 de abril. 
 
O Sindsep atualizou, na última segunda (19/04), ao Ministério Público, os números de óbitos por Covid confirmados no mês de março. Por meio de ofício encaminhado ao órgão, o sindicato acrescentou aos dados apresentados na representação original, os números atualizados até 6 de abril. Com o acréscimo dos registros atrasados (dez dias seguintes ao período compreendido até o final de março) o número de mortes, que era de 4.813 (entre 1º e 31/03) saltou para 5.567 óbitos.
 
 
 
Os 754 novos registros indicam que março concentrou 21% de todas as mortes por Covid-19 na cidade de São Paulo. Na prática, isso significa que de cada 5 vítimas fatais da Covid em São Paulo desde o começo da pandemia, uma delas morreu no mês passado. O mês também registra os piores números para novas contaminações, leitos ocupados, óbitos em geral e sepultamentos, na Capital. 
 
 
 
Horas após a representação do Sindsep ao MP, a Folha de S.Paulo, em matéria publicada pelo portal UOL, noticiou a decisão da Secretaria de Saúde do governo Covas de pedir ao órgão a investigação do movimento "Escolas Abertas", por atacar o prefeito e incitar o descumprimento de normas municipais. 
 
O Sindsep entende a decisão como uma resposta à iniciativa de representação do sindicato. “Esse movimento, em nosso entendimento, merece investigação já que representa a elite da cidade e teve influência para convencer o prefeito a abrir escolas. Mas é tardio. De qualquer forma, o Sindsep também pedirá ao MP o acompanhamento da investigação, mas sem retirar do prefeito a responsabilidade, ao abrir escolas no pior momento da pandemia, pelas mortes, contaminações e sequelas deixadas e por eventual surgimento de nova variante favorecida pela circulação do vírus”, salienta Sergio Antiqueira, presidente do Sindsep.
 
O diretor Maciel Nascimento, secretário de Formação dos/as Trabalhadores/as da Educação do Sindsep, em audiência com o GEDUC, órgão do MP que trata da defesa do direito à educação, no dia 15, levou ao conhecimento do Ministério Público, a farsa da vacinação dos profissionais de educação. "Identificamos que nem 20%, dos profissionais de cada escola estão vacinados com a primeira dose. Temos escolas com 107 funcionários, onde apenas 18 foram vacinados e em outras de 34, apenas 8 profissionais imunizados. Justificar a reabertura das escolas com esta taxa de vacinação e por uma testagem sorológica que não detectou o grau de contaminação atual dos profissionais, não dialoga com o que a Secretaria tem divulgado para a opinião pública", compara o dirigente.
 
Durante a audiência, o presidente do sindicato manifestou ao MP o interesse de acompanhar e auxiliar na investigação do movimento "Escolas Abertas". "Buscamos compreender de que se trata tal organização de pessoas de tamanha influência a ponto de eventualmente ter mudado o posicionamento da maior Prefeitura do país, submetendo trabalhadores e população a normas que ameaçam a saúde e a vida, bem como favorecendo à circulação do vírus, sem que a autoridade sanitária as embase", destaca um dos trechos do ofício encaminhado pelo Sindsep.


Fontes do levantamento: Boletins diários da Secretaria Municipal de Saúde e Secretaria das Subprefeituras/SFMSP