Funcionalismo

24 de Março de 2020 - 11:03

Sindsep cobra da gestão Covas proteção aos servidores públicos

Durante a live deste domingo (22), dirigentes anteciparam que, além das medidas apresentadas à Secretaria de Gestão ontem (23), entrarão com medidas judiciais e iniciarão uma campanha com centrais e movimentos populares
 
 
 
Como vem fazendo diariamente, a direção do Sindsep realizou no início da noite de domingo (22), uma transmissão on-line (ao vivo) pelo perfil da fanpage do sindicato, que alcançou aproximadamente 20 mil internautas, sobre a falta de proteção e informações para os profissionais dos serviços públicos por parte da Prefeitura de São Paulo. Para se ter uma ideia do nível da ausência de informações ou de informações controvertidas dadas aos servidores públicos, a transmissão foi acompanhada inclusive por servidores públicos de outros estados.
 
A transmissão ao vivo, que teve as participações dos dirigentes do Sindsep, Sérgio Antiqueira (presidente), Lourdes Estêvão (secretária de Trabalhadores da Saúde), João Gabriel Buonavita (vice-presidente) e Luba Melo (secretária da Mulher Trabalhadora) acumulou 600 comentários durante a hora e meia de diálogo. Houve muitos questionamentos de servidores a respeito da falta de equipamentos de proteção individual (EPI), que não estão chegando aos profissionais de saúde em hospitais municipais, unidades básicas de saúde (UBS), unidades de Pronto Atendimento (UPA), do Serviço Funerário Municipal (cemitérios), Guarda Civil Metropolitana (GCM) e unidades de Assistência e Desenvolvimento Social (como os Centros de Referência de Assistência Social – Cras), seis dias depois do prefeito Bruno Covas ter decretado estado de emergência (59.283, de 16 de março de 2020) na cidade de São Paulo.
 
“No sábado foi publicado a Portaria 157 da Secretaria de Saúde, que estabelece institui uma 'Mesa Técnica' para discussão e acompanhamento da evolução da epidemia do COVID-19, respondendo ao pedido que fizemos para ter um canal direto de comunicação, porque os problemas mais pesados estão relacionados a essa pasta. O decreto de situação de emergência do prefeito permite que cada secretaria tenha um entendimento e isso não pode ocorrer. A prefeitura tem que seguir os protocolos da Organização Mundial de Saúde, principalmente de que não pode haver circulação de pessoas. Nós defendemos que seja bloqueada imediatamente essa circulação de servidores em São Paulo, onde teve o primeiro óbito, onde está dobrando o número de casos a cada dia e o número de mortes também acompanhará essa progressão. Então, tem que interromper a circulação de pessoas imediatamente”, iniciou Antiqueira, ao defender como já está documentado nos ofícios 199 e 201 encaminhados para a Prefeitura de São Paulo, entre quinta e sexta-feira passadas (19 e 20/03).
 
Os dirigentes também falaram sobre a falta de EPI, que embora a mídia comercial divulgue a gestão municipal dizendo que está sendo garantido, a realidade dos trabalhadores é contrária. “Não tem e os servidores da saúde, assistência, nos cemitérios, GCM está em risco”, acrescentou.
 
 
 
 
 
 
 
 
Sindicato está na Mesa Técnica
 
O dirigente também informou que o Sindsep foi incluído numa câmara técnica, que vai funcionar junto com a prefeitura, a partir da Secretaria Municipal de Saúde, o Conselho de Enfermagem (Coren) e o Conselho Regional de Medicina (CRM), para monitorar as demandas dos servidores públicos, a princípio da saúde que estão sendo mais exigidos. Outra câmara técnica entre prefeitura, Câmara de Vereadores e o Tribunal de Contas do Município (TCM) está sendo formada para estudar e adotar medidas necessárias para alterações na legislação. “Estamos buscando a preservação das vidas. Toda as secretarias têm que buscar garantir isso. Se o governo vai sentar sobre as medidas propostas vamos buscar diálogo com outros setores da sociedade”, avisou.
 
 
Trabalhadores em risco
 
Servidores de unidades de Vigilância Sanitária (UVIS), da Zoonoses, administrativos de hospitais, pessoas que atuam na Secretaria de Segurança e dos cemitérios, mesmo sendo de grupo de risco, maiores de 60 anos, gestantes, lactantes, como doenças crônicas não estão sendo liberados para o teletrabalho ou licenciamento mesmo. “Governo está dizendo para a imprensa está tudo tranquilo. Nós que temos dialogado com os servidores, a realidade está muito difícil. Muitas denúncias dos hospitais. O Hospital Municipal Doutor Carmino Caricchio (Tatuapé) mandou muitas denúncias. Num dos plantões, já somam 10 pessoas internadas por coronavírus, um profissional do hospital está entubado”, denunciou Luba Melo.
 
Até às 18h30 do domingo (22) haviam sido registradas 25 mortes por Covid-19, além de 1500 pessoas atingidas pela infecção.
 
Mesmo assim, serviços como o Centro de Atenção Psicossocial (Caps) II Adulto Itaquera, que atendem pessoas com comorbidades, os profissionais não têm garantida a vacina, terão que se deslocar a outro serviço. A servidora do Caps Itaquera, Aline Oliveira, está comprando EPI para toda equipe.
 
Outras reclamações remetidas comentavam a manutenção da Guarda Municipal em prédios públicos que não estão funcionando, contrariando o decreto de não circulação de pessoas.
 
João Gabriel Buonavita também criticou a falta de condições sanitárias para executar o trabalho. “Não se trata de reivindicação, é obrigação da Prefeitura de São Paulo garantir máscaras adequadas, álcool gel, sabonete, toalha de papel e condições para realizar o trabalho sem exposição ao risco. A vida é central nessa discussão”. Um dos internautas comentava nesse momento que a classificação de risco no hospital de Pirituba estava sendo feita toda misturada.
 
Gabriel informou que dos seis andares do prédio da Secretaria do Verde e Meio Ambiente, em dois deles já haviam casos suspeitos da doença. “Tem que ter segurança dos trabalhadores e se há insuficiência de servidores, é preciso que a gestão chame agora os concursados”.
 
Linha de frente na saúde
 
Lourdes Estevão criticou a falta de preparação do governo e que o quadro pode ficar muito pior se não forem equacionados os problemas de EPI e de RH. “Há uma depressão coletiva que vem crescendo antes da pandemia, por falta de servidores para o atendimento público. Depressão com muitos casos de suicídio que já vinham ocorrendo antes da pandemia. Temos que estar preparados psicologicamente, inclusive para conseguir enfrentar essa situação. É preciso que o governo entenda que pessoas do grupo de risco não podem seguir no atendimento ao público. Ele não tem imunidade, podem virar um paciente grave, ser internado e teremos um trabalhador a menos”.
 
Lourdes também sugeriu aos trabalhadores que estão executando as tarefas sem proteção, tenham uma ação coletiva. “Improvise uma máscara e grite de onde você está [no atendimento], com o colega do lado, para que a população veja o que vocês estão vivendo. Não podemos pegar nossa bolsa e nos retirarmos. É muita gente que tem feito essa pergunta: sem EPI tenho que atender? Se essas pessoas não forem, aí sim vai ser o caos”, explicou.
 
Os dirigentes também afirmaram que nesta segunda-feira (23) estarão em reunião com a Secretaria de Gestão para levar as medidas propostas pelo Sindsep e iniciarão representações judiciais, para que se garanta o essencial.
 
“Iniciaremos uma campanha essa semana para bater palmas, mas também exigir EPI para os trabalhadores da saúde, junto com CUT, Povo Sem Medo, movimentos populares, Frente Brasil Popular, para que as mídias alternativas pautem essa discussão. Nunca um assunto precisou tanto de nossa unidade. A gente vai precisar muita solidariedade, tranquilidade, autocontrole. Parece difícil, mas temos que estar juntos para passar por isso juntos. Contem com o Sindicato que tem amor à cidade, à população”, finalizou o presidente do Sindsep.