Funcionalismo

15 de Setembro de 2021 - 14:09

Sindsep protesta contra terceirização da remoção de corpos no Serviço Funerário e alerta sobre os problemas que população poderá ter

Por Cecília Figueiredo, do Sindsep
 


O Sindsep esteve no início da manhã desta quarta-feira (15/09), no Polo Vila Guilherme do Serviço Funerário Municipal, para protestar contra o esquema de privatização que segue avançando, paralelamente à precarização do serviço oferecido à população de São Paulo e às condições de trabalho dos servidores e terceirizados.


Em frente à garagem, Teixeira denunciou o mal estado dos veículos, citando as placas da frota contratada. | Foto: Print de tela
 
 
O ato conduzido por José Teixeira dos Santos, coordenador do Sindsep na Região Norte, que paralisou por alguns minutos a saída dos veículos do SFMSP, ocorreu em protesto à terceirização da mesa de tráfego, responsável pelo trabalho de remoção de urnas e corpos.

Contrato milionário para oferta de serviço capenga
 
Em 11 de setembro, conforme extrato publicado em Diário Oficial da Cidade (DOC), a Superintendência do Serviço Funerário aditou por mais seis meses o contrato com a empresa FVB Locadora de Veículos e Serviços, para o traslado de corpos e urnas. O contrato inclui 40 veículos “zero quilômetro”, com motoristas, combustível e quilometragem livre. Fake news! Os carros disponíveis para prestar o serviço de remoções funerárias estão em péssimas condições e a um custo superior a R$ 7,7 milhões.
 
De frente do Polo Vila Guilherme, Teixeira denunciou, durante o protesto, o mal estado dos veículos, na live transmitida pelo perfil do Sindsep. “Temos um carro aqui em nossa frente de placa DAT 1635, para-choque traseiro quebrado. Essa é a qualidade do serviço que querem oferecer. O governo quer destruir o serviço público. Se uma parte hoje está nas mãos da prefeitura e a gente vê os veículos dessa forma, imaginem quando a própria empresa fizer a fiscalização desse serviço?”, questionou o dirigente sindical. 

Faltam trabalhadores, EPI e pagamento de insalubridade
 
Além da drenagem de dinheiro público com a contratação de sucatas, o Sindsep denuncia que a decisão da Prefeitura de São Paulo em terceirizar a mesa de tráfego ameaça a retirada de servidores efetivos do controle do serviço. Ou seja, a expertise de mais de três décadas será substituída por funcionários terceirizados da FVB sem nenhum conhecimento sobre o funcionamento e planejamento da Mesa de Tráfego. 
 
A entrega da mesa de tráfego, para o Sindsep, à mesma empresa que opera os veículos do Serviço Funerário representa uma perda de controle público do serviço. O sindicato também protesta contra a recusa da gestão Ricardo Nunes em convocar os candidatos aprovados do último concurso público, para o cargo de assistentes de gestão de políticas públicas (AGPP).

Outra denúncia feita pelos trabalhadores do Serviço Funerário, em decorrência da terceirização, é a perda sistemática de urnas, sem que haja o ressarcimento aos cofres públicos. "Quem cuida de patrimônio da cidade é servidor, não empresa terceirizada; empresa privada não tem compromisso com o público”, dizem os trabalhadores, ao reclamarem também sobre a falta de pagamento do adicional de insalubridade para quem executa tarefas na câmara fria e a ausência de equipamentos de proteção individual para a categoria. 

Gestão substitui expertise por contratados e ameaça população
 
Os servidores serão afastados de suas funções para outras quaisquer e a mão de obra terceirizada assumirá o controle de um serviço que em março já indicou a ineficiência em mãos erradas.
 
“Desde o início da pandemia nós estamos aqui nos dedicando para oferecer o melhor serviço, num dos momentos mais difíceis. Perdemos muitos colegas de trabalho, que se contaminaram. Trabalhar no Serviço Funerário não é fácil. A maioria aqui tem mais de 20 anos, 30 anos de serviço, e num serviço que é muito difícil porque é delicado para as famílias e para gente também executar. Agora estamos aqui pra lutar, apesar da falta de condições, porque nossos colegas têm a experiência e não podem ser afastados”, afirmou a agente de apoio Noemi Gomes de Oliveira, representante sindical do Sindsep na unidade do SFMSP.
 
O processo de terceirização, em pleno avanço na gestão Bruno Covas, havia sido paralisado em março, pelos problemas de atraso que chegaram até a 24 horas no traslado de corpos. À época, o sindicato denunciou, protestou junto com servidores, fazendo com que a medida fosse revogada pela SFMSP e os servidores voltassem a assumir a mesa de tráfego, colocando em ordem a condução das remoções. Porém, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) não deixa dúvidas de que é a continuidade da política de desmonte e privatização dos serviços públicos. 
 
Luta contra a PEC 32 é pra barrar a redução de serviços públicos
 
Na avaliação de Djalma Maria Prado, dirigente do Sindsep, a luta pelo serviço funerário público precisa ter o apoio da população, que será uma das maiores atingidas. “Quem ganha com a terceirização é o empresário. A população pagará mais caro e não terá mais o serviço qualificado”.


“Quem ganha com a terceirização é o empresário", enfatizou Djalma. | Foto: João Santana/Sindsep
 
 
João Santana, do Sindsep, lembrou também que a terceirização da mesa de tráfego é parte do projeto de reforma administrativa, que está sendo orquestrada pelos governos federal (PEC 32), estadual (PLS 32) e aqui no município.
 
"O que observamos é que a população cada dia tem menos serviço público e não está percebendo esse desmonte. Estamos há cerca de três anos sem campanha antirrábica pra vocês terem uma ideia, e isso pode ocasionar o retorno de doenças como a raiva. O mercado não dá conta de atender a população. Quem presta serviço a toda população é o público, não o privado. O que falta hoje para o atendimento ser mais efetivo é concurso público e fortalecimento dos serviços públicos. Estamos aqui pra dizer que é preciso seguir lutando para defender nossos direitos", salientou Laudiceia Reis, trabalhadora da Vigilância em Saúde e dirigente do Sindsep.
 
 
"O que falta hoje para o atendimento ser mais efetivo é concurso público", defende Laudiceia. | Foto: João Santana/Sindsep
 

Fora terceirização!
 
A direção do Sindsep também veiculou uma saudação do dirigente João Batista Gomes, que acompanha as negociações e a luta da categoria. "Não vamos esmorecer frente a mais esse ataque da gestão. Sabemos que em março travamos a possibilidade da FVB assumir a mesa. A nossa luta tem que continuar, sem pausa. Denunciar passo a passo o que a empresa estiver fazendo. Contrataram carros novos e não são esses que estão sendo colocados para rodar. Faz seis meses que esse contrato milionário está assinado. É uma falcatrua o que está acontecendo. Temos inclusive denúncia de carros novos da FVB, que está recebendo mais de 7 milhões de reais por esse contrato com a Prefeitura, que estão sendo desviados para empresas particulares. Não vamos aceitar perdas salariais para os trabalhadores. Não à privatização. Fora terceirizada! Nomeação urgente dos concursados", estimulou o dirigente.