Funcionalismo

05 de Novembro de 2020 - 17:11

Trabalhadores da Assistência Social realizam ato contra a retomada de atendimentos presenciais

Manifestação que pedia o atendimento dos trabalhadores no gabinete da Prefeitura de São Paulo foi ignorada pelo prefeito Bruno Covas, em campanha eleitoral a poucos metros do viaduto do Chá

Trabalhadores da Assistência Social da cidade de São Paulo voltaram a protestar contra a retomada de atendimentos presenciais anunciada pela gestão de Bruno Covas, na tarde desta quinta-feira (5), em frente ao prédio da Prefeitura, no Viaduto do Chá.

 

João Gabriel, vice-presidente do Sindsep, denunciou o processo arbitrário de retomada do atendimento presencial, sem debate com a população e trabalhadores, e que coloca as pessoas em extremo risco da pandemia.  “Na assistência social, a gente tem visto uma condição extrema de insalubridade nos serviços, com diversos trabalhadores adoecendo. A secretária e a gestão Covas escondem estes dados”, desconfia o dirigente.

Os trabalhadores também discordam da retomada dos serviços sem a garantia de testagem e proteção aos trabalhadores/as e sem uma vacina para a Covid-19.

 

Maria Motta, trabalhadora da assistência social, denunciou que uma série de demissões foram feitas durante a pandemia, as vagas foram fechadas e de que não há proteção para o retorno seguro. “É obrigação da Smads, é obrigação da Prefeitura nos proteger. É obrigação fornecer-nos equipamentos de proteção individual”.

 

Os trabalhadores também contestam o fechamento de unidades do Serviço Especializado de Abordagem Social (SEAS) e de outros de atendimento à população em vulnerabilidade na região central de São Paulo, onde diariamente aumenta o número de pessoas em situação de rua, passando fome e desempregadas.

O ato também pediu o atendimento dos trabalhadores pelo prefeito Bruno Covas, para dialogar sobre as reivindicações da categoria. “Esse prefeito precisa descer para nos receber para ouvir a verdade. Não é verdade que a Smads ouviu todos os trabalhadores na cidade de São Paulo, não é verdade que ouve participação para a decisão da retomada”, afirmou a trabalhadora e conselheira do Comas, Tamara Cereja.

 

Apesar dos apelos, o prefeito Bruno Covas não recebeu os trabalhadores. Nesse momento, ele participava de atividade de campanha a poucos metros do prédio da Prefeitura. Os trabalhadores definiram então, em assembleia, que retornarão no próximo dia 19 de novembro, às 10 horas, com novo ato em frente à Prefeitura. 

 

Geraldo Brito, representante do Fórum de Assistência Social da Cidade de São Paulo, falou da invisibilidade que o governo Covas impõe aos trabalhadores da assistência. "Parece que os trabalhadores não fizeram nada durante a pandemia, mas a situação é totalmente contrária a isso. O governo está tentando colocar para a gente uma retomada obrigatória, expondo trabalhadores e usuários ao risco. Em função disso estamos aqui hoje e voltaremos no dia 19, antes do segundo turno. E quem pensa em lutar em favor da vida e contra essa retomada das atividades presenciais coletivas, venha para cá”.