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27 de Julho de 2021 - 12:07

Ato contra o fechamento do Hospital Ignácio Proença de Gouveia une trabalhadores, população e sindicato

Prefeitura quer fechar porta aberta de PS e hospital, para implementar no local unidade exclusiva para cirurgias eletivas e atendimento do idoso e gestante. Protesto foi encerrado com abraço simbólico dos participantes em defesa do hospital 100% público

Por Pedro Canfora e Cecília Figueiredo, do Sindsep



O Hospital Municipal Ignácio Proença de Gouveia, também conhecido como João XXIII, na região da Mooca, zona Leste, corre o risco de fechamento (Confira aqui). Principal equipamento municipal de atendimento a aproximadamente 200 mil pessoas que vivem nas regiões da Água Rasa, Belém, Brás, Mooca, Pari e Tatuapé, pode ser fechado para dar lugar a um hospital do idoso e da gestante. Em protesto, trabalhadores, usuários e o Sindsep realizaram, na manhã desta terça (27), um ato unificado em defesa do hospital e pela ampliação dos serviços de saúde.

Alexandre Giannecchini, diretor do Sindsep responsável pela região, fez questão de frisar que não há nenhuma oposição contra a implantação de um serviço de atendimento para idosos e gestantes, mas em outro local. "Quanto mais equipamentos públicos de saúde, melhor a população será atendida. O que não é possível é fechar um hospital deste tamanho. Para onde vai esta demanda?”, questionou o diretor.




Ato reuniu trabalhadores, usuários, Sindsep e moradores da região. Foto: Cecília Figueiredo

 


O hospital vem sofrendo há tempos com o sucateamento e as tentativas de terceirização, já houve fechamentos de área do hospital, mesmo tendo recebido verba federal para reestruturação, o que não ocorreu. Segundo Josué, presidente do Conselho Gestor, "há aproximadamente um ano e meio o diretor tenta sucatear este hospital, quer terceirizar, transformar em Organização Social”.

Na avaliação do trabalhador Raimundo Neres, a precarização do serviço é parte do projeto de privatização na saúde que vem ocorrendo na cidade inteira. “A OS quer economizar e maximizar lucro, afetando a população. É o desmonte da Saúde. Só conseguiremos vencer [essa briga] com participação popular, união dos trabalhadores e a população afetada”, reiterou, ao chamar todos para a defesa do equipamento público.

Alexandre Linares, professor da EE Oswaldo Cruz e presidente do PT da Mooca, acrescentou o problema da desassistência que o fechamento das portas do João XXIII poderá promover. “Toda a região tem neste hospital um porto seguro para tratamento digno. Em toda cidade, estão fechando o atendimento para o povo, abrindo UPAs [Unidades de Pronto Atendimento], que são puxadinhos”, afirmou o professor que tem vários alunos usuários e dependentes da unidade hospitalar.

 


Ameaça de fechamento da prefeitura não apresenta alternativa à população. Foto: Alexandre Linares

 


Eliane, trabalhadora federal da saúde e moradora da região, chamou a atenção para o fato de, na região, possuir diversos terrenos que poderiam abrigar novas unidades de saúde. “Temos muitos terrenos disponíveis na região, no Ipiranga, o prefeito que abra novas unidades 100% SUS. Abrir, não fechar”, finalizou a servidora, ao ressaltar os ataques da política neoliberal contra o serviço público, com a PEC 32, da Reforma Administrativa.

Lourdes Estevão, secretária dos Trabalhadores da Saúde do Sindsep, também pontuou o momento da maior crise sanitária, que depende dos serviços públicos de saúde para ser enfrentada. “Vivemos o pior momento da saúde com esta crise sanitária. E a última coisa que um gestor pode fazer num momento como este é fechar unidades de saúde”.

A dirigente também frisou que o diretor clínico do Hospital Ignácio Proença de Gouveia bem conhece como se afasta uma OSS de um serviço público. "Ele esteve no Hospital do Campo Limpo, onde a luta do Sindsep, dos trabalhadores e do movimento de saúde em defesa da saúde pública, barrou a terceirização do hospital". Ela também salientou que o SUS é referência mundial pelo Programa Nacional de Imunização e, devido ao desmonte dos governos federal, estadual e municipal, hoje faltam até vacinas.

A vereadora Juliana Cardoso (PT), que integra a Comissão de Saúde da Câmara Municipal, se comprometeu a solicitar uma audiência pública e, junto com o Sindsep, se dispôs a pedir uma audiência com o prefeito Ricardo Nunes.

Samara Sóstenes, do mandato coletivo do PSOL na Câmara, denunciou a sobrecarga que o fechamento de um serviço de saúde causa para os demais e denunciou o fechamento do programa de Hormonização que havia na UBS Santa Cecília, pela gestão Covas/Nunes, deixando a população sem atendimento. Ela mesma está sem o medicamento, antes garantido pela UBS -- hoje sob gestão do Iabas -- há mais de quatro meses.

Ao valorizar os trabalhadores do hospital municipal no enfrentamento da pandemia, apesar da falta de condições e precarização do serviço pela gestão municipal, o presidente do Sindep, Sergio Antiqueira, reforçou o compromisso do Sindsep em defesa dos serviços públicos. “Estamos hoje aqui porque estamos em campanha permanente em defesa da saúde. A saúde e a educação, que são direitos, estão sendo transformados em mercadoria. Está é a lógica que guia este governo".

Sérgio cobrou, ainda, transparência e diálogo por parte da prefeitura. "Este hospital não pertence ao governo nem à iniciativa privada, pertence à população. Este hospital é nosso!”




Protesto foi encerrado com abraço simbólico ao hospital. Foto: Cecília Figueiredo/Sindsep

 

O ato foi encerrado com um abraço simbólico de moradores e trabalhadores ao hospital, que defendem atendimento 100% público, conforme cartazes. "Não vamos deixar fechar este hospital", afirmou Nicole Pariz, representante dos moradores e usuária do serviço.


Confira outras imagens do protesto