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22 de Novembro de 2022 - 15:11

Coletivo de Combate ao Racismo volta a se encontrar no Sindsep

Depois de uma pausa nos encontros devido à Pandemia, o Coletivo de Combate ao Racismo do Sindsep se reuniu na última sexta-feira, 18 de novembro. O objetivo do encontro foi discutir e mapear os desafios da atualidade como forma de enfrentar o visível crescimento dos casos de violência e racismo na vida e no mundo do trabalho, em especial no setor público. Além da presença dos trabalhadores e trabalhadoras dos serviços públicos, a reunião contou com a presença de Ayni Estevão de Araújo, doutora em Ciências Sociais e professora na rede municipal de São Paulo, Claudio Silva, professor, militante do Movimento Negro e do Hip Hop, e Anatalina Lourenço, secretária Nacional de Combate ao Racismo da CUT.

Foram convidadas a participarem dessa atividade representantes da população, engajadas nas lutas dos movimentos negros. O  Sindsep compreende que a luta contra o racismo e por politicas públicas de qualidade só poderão avançar se os trabalhadores e a população estiverem juntos, articulados e organizados.

Lourdes Estevão, secretária de Políticas Sociais do Sindsep, abriu a reunião falando da importância do retorno do Coletivo. Para Lourdes, é hora de ação, “queremos fazer mais que discutir, precisamos agir. Fazer um coletivo com a participação ativa dos trabalhadores, com ações efetivas para combater o racismo, envolvendo tanto trabalhadores, quanto à população”, afirmou.

João Gabriel, presidente do Sindsep, exaltou a história do Sindsep, que contou com mulheres negras trabalhadoras desde sua criação em 1987. “A gente conhece a nossa história. Temos o privilégio de ter diversos companheiros e companheiras que lutaram e lutam ativamente contra as discriminações raciais.” João, ainda, fez um apanhado histórico da formação do Sindsep nas Associações, tanto de creches, quanto dos Hospitais, com trabalhadores e trabalhadoras pretos(as). Postos de trabalho que, hoje, estão terceirizados, atingindo principalmente estes trabalhadores que sofrem com a precarização de seus postos.

O coordenador da Região Leste I, Charles de Jesus, falou sobre o grupo Slam Resistência, que se reúne em eventos culturais na Praça Roosevelt. Participante do Slam Resistência, o MC, poeta marginal, grafiteiro e estudante de Cinema, Rodolfo “Zumbi Rz” declamou duas poesia no ritmo do rap, tecendo duras críticas ao racismo presente em nossa sociedade.

Ayni iniciou sua fala saudando a retomada do coletivo e afirmando que o “Brasil é África”, pois não existe, fora do continente africano, um país com tamanha população preta. Ayni, ainda, falou das relações de racismo estrutural, com exemplos na educação pública municipal, pensando em formas de se reverter isso.

Claudinho, como é conhecido, abriu sua fala exaltando as pessoas que cuidaram dele quando novo, “eu sou fruto das pessoas que se importaram comigo. Não fossem as lutas coletivas, eu não estaria aqui hoje.” E, ainda, reforçou, “eu sou fruto da luta que pessoas como Lourdes Estevão fizeram”. Cláudio também falou da necessidade de uma educação que acolha as crianças, para ele, “quando a escola não é um ambiente acolhedor, a consequência pode ser a morte da criação. Pode desencadear uma sequência que leva a criança para o tráfico, para a Febem”, afirmou.

Já Anatalina, afirmou que, “assim como o capitalismo, o racismo é um sistema ideológico, que opera de diferentes maneiras em diferentes espaços.” Anatalina condenou o desmonte das políticas sociais de combate ao racismo que aconteceram nos últimos 6 anos. Ainda, trouxe as experiências da Secretaria Nacional da CUT, que realizaram um grande trabalho de comunicação sobre o combate ao racismo nas redes da CUT.

Ao fim das falas, os presentes puderam debater e trazer suas experiências. O mais importante é que, apesar da reunião de retorno do coletivo coincidir próximo com o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, do último dia 20 de novembro, as discussões sobre o combate ao racismo não serão limitadas ao mês de novembro no Sindsep. É parte fundamental de nossas lutas e assim seguiremos.



Após a reunião, o Coletivo se dirigiu até a Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania para entregar um protocolo solicitando à Secretaria algumas informações: quantos são os trabalhadores e trabalhadoras negros e negras nos serviços públicos, quais secretarias estão lotados e quais cargos ocupam? Além disso, o protocolo também solicita que no recadastramento seja incluído o campo Raça/Cor/Etnia em todas as carreiras e também para os aposentados.