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12 de Abril de 2018 - 17:04

Contram-ISP realiza Seminário Internacional para discutir o futuro do mundo do trabalho

Representantes de 9 países debateram sobre o futuro do funcionalismo e a importância do enfrentamento das políticas neoliberais

Diversas lideranças se reuniram no Centro de Formação do Sindsep para o Seminário Internacional realizado pela Contram/ISP (Confederação dos Trabalhadores do Serviço Público Municipal das Américas). O tema ?o futuro do mundo do trabalho e os desafios para os trabalhadores do setor público? foi destaque durante os dias 9, 10 e 11 de abril.

Paula Leite, presidenta da Contram/ISP parabenizou todos os presentes por entenderem a importância de um evento internacional que reúne países com realidades tão distintas. E destacou que a união dos municipais do mundo inteiro é vital para garantir a sobrevivência das políticas públicas nos países.

 

A mesa de abertura foi coordenada pelo vice-presidente da Contram/ISP, João Domingos e teve a participação da presidenta Paula Leite, do secretário geral Hector Ruben García, do representante da Áustria, Christian Medilinger e de Jocélio Drumond, secretário regional da ISP.

Os debates iniciaram na noite do dia 09/04/18 com um painel sobre a situação dos trabalhadores da América Latina, realizado por Ademar Mineiro, técnico do Dieese, que apresentou um panorama sobre a situação política e econômica da região, com destaque para o avanço das políticas neoliberais e os retrocessos nos direitos sociais nos vários países. Neste contexto, sublinhou a situação do Brasil e como os reflexos da crise brasileira pode incidir nos demais países, em razão do seu peso político e econômico.

Antecedendo os painéis sobre a situação dos países, Leny Sato (USP), Marcos Pó (UFABC) e Patrícia Pelatieri (Dieese), sob a coordenação de Paula Leite, trouxeram contribuições de estudos acadêmicos e reflexões sobre o trabalho no setor público, tendo como pano de fundo a problematização da desconstrução do Estado, as mudanças na organização dos processos de trabalho e seus reflexos nas relações de trabalho no setor público.

 

Sindicalistas da Argentina (Hernán Doval), Áustria (Thomas Kattnig), Colômbia (Dario Restrepo), Equador(Yojaira Morante), Honduras (Francisca Leiva), Nicarágua( Francisca Yesenia Jirón), Paraguai (Mirtha Arias) e do Brasil (Paula Leite) apresentaram informações sobre a situação política e institucional dos seus países, com destaque para as reformas realizadas ou em curso nas áreas do trabalho, previdência e tributária; as lutas, conquistas e desafios para os trabalhadores e trabalhadoras municipais no âmbito dos países e em nível mundial.

Infelizmente os companheiros da Venezuela não puderam participar em razão de um problema nas relações diplomáticas com o Panamá, que impediu a viabilização do voo. Os informes foram enviados previamente por Lairet Figueroa e foram apresentados por Maria Lacoste, da Argentina, assegurando assim a participação da Venezuela no seminário.

 

De modo geral, a situação dos trabalhadores e trabalhadoras públicos municipais de  todos os países presentes no seminário é bem difícil, pois todos têm sido penalizados  em maior ou menor grau pela redução dos gastos públicos; pelo incremento da disputa do setor privado pelas verbas públicas e o aumento da sua influência no Estado; pela intensificação das terceirizações e privatizações, além do crescimento de governos conservadores, neste caso a exceção foi somente a  Nicarágua, cujo governo é de esquerda.  A redução de direitos trabalhistas e das políticas de proteção social e o ataque aos sindicatos é uma realidade geral, inclusive na Áustria. Os painéis sobre a situação dos países, realizados em dois momentos, foram coordenados por Mirtha Arias e Ruben Garcia.

Importante destacar que a participação brasileira no seminário foi bastante representativa. Do estado de São Paulo participaram 35 sindicatos de municipais, representados pela Fetam-SP, que se somaram aos 16 sindicatos de outros estados, representados pela Confetam, ou seja, 51 sindicatos de todas as regiões do Brasil, que trouxeram contribuições importantes e participaram ativamente dos debates.

 

O presidente Lula foi lembrado em vários momentos durante a atividade, inclusive na fala da Presidenta da Contram/ISP, Paula Leite, que citou um trecho do discurso emocionante do ex presidente onde ele afirma que não é mais um ser humano, e sim uma ideia, e ideias não podem ser presas.  A campanha Lula Livre se fez presente nos gritos acalorados de todos os participantes do seminário que lutam e desejam um mundo melhor.

Uma das importantes resoluções da Contram/Isp, reunida na tarde do dia 11/04/2018, foi a criação de Comitês em Defesa da Liberdade de Lula em todos os países que compõem a base da Contram, além de uma carta de apoio ao ex-presidente (leia aqui na íntegra).

 

Foram 3 dias de muita reflexão, que resultaram num conjunto de propostas aprovadas pela direção da Contram, dentre elas a realização de estudos sobre o impacto das reformas trabalhistas e previdenciárias para os trabalhadores municipais dos países que compõem a Contram; o desenvolvimento de ações por justiça fiscal; o empoderamento de mulheres e da juventude; a realização de um estudo comparativo sobre a precarização do trabalho nas Américas e outras ações.

 

O debate sobre o futuro do mundo do trabalho, que foi o tema central do seminário, deverá prosseguir no próximo período, potencializado pela criação de redes nacionais de trabalhadores municipais, de forma coordenada com a Rede Mundial de Trabalhadores e Trabalhadoras Municipais da ISP.