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01 de Julho de 2019 - 10:07

Gestão Covas paga aluguel de prédio vazio deixado pelo Samu

Imóvel foi esvaziado há quase 9 meses e fornece água e esgoto para local vizinho

Mesmo após realocar o setor administrativo do Samu (Serviço de Atendimento Médico de Urgência), a Prefeitura de São Paulo, gestão Bruno Covas, continua pagando aluguel do prédio em que o departamento ficava, no Bom Retiro (região central).

 

Segundo funcionários, a gestão não pode se desfazer do edifício, pois é de lá que saem as ligações de água, luz e esgoto do prédio contíguo, que abriga a central de regulação do serviço. Além disso, a antena de telecomunicação também está no prédio vazio.

 

A prefeitura aluga os edifícios desde 2008. No último reajuste, em 2017, o contrato foi aditado até 2020, com valor de R$ 94 mil.

 

Um enfermeiro do Samu disse à reportagem, sob condição de anonimato, que o prédio começou a ser esvaziado em outubro do ano passado, como parte da reorganização promovida pela gestão municipal.

 

Os servidores ligados à operação do serviço foram realocados às suas respectivas CRS (Coordenadorias Regionais de Saúde).

 

Mesmo com uma das torres desocupadas, a prefeitura não pode devolver o edifício ao proprietário. "Hoje, nos quatro andares do prédio do Bom Retiro, só trabalham duas ou três pessoas, na operação da antena", disse o servidor municipal.

 

Nesta sexta-feira (28), a reportagem encontrou ambulâncias e macas abandonadas na garagem, em meio a dezenas de mesas e cadeiras amontoadas no espaço.

 

Outra etapa da reorganização consistiu na transferência das equipes de resgate de 31 bases modulares, em contêineres alugados, para unidades de saúde. Ainda que a prefeitura diga que os novos postos estão adequados ao serviço, a transferência é alvo de questionamento pelos servidores, que reclamam das condições de trabalho.

 

Segundo servidores do Samu, um dos principais motivos de atraso nos atendimentos é a demora na transmissão dos chamados às equipes.

 

Em uma gravação obtida pela reportagem por meio de uma funcionária, sob condição de sigilo, é possível ouvir a central do serviço encaminhando um atendimento de prioridade 2 (segunda mais grave) à equipe de resgate mais de 13 horas depois da solicitação.

 

"O pior é que não foi um caso isolado. Chamado com esse intervalo é algo recorrente na minha base", disse a auxiliar de enfermagem. No total, 40% dos atendimentos realizados são de casos de alta gravidade.

 

Segundo a administração municipal, essa demora ocorre por indisponibilidade de efetivo, uma vez que muitas equipes estendem o intervalo entre um serviço e outro.

 

A espera por ambulâncias do Samu na capital paulista segue em alta em 2019, mesmo após reorganização das bases do serviço pela gestão Bruno Covas (PSDB).

 

Em maio, o tempo de resposta nos atendimentos de urgência cresceu 9,9% em relação ao mesmo mês do ano passado.

 

Em toda a cidade, o tempo médio entre o acionamento do serviço e a chegada da equipe nos casos de prioridade máxima, como por exemplo infartos ou acidentes graves, foi de 34,2 minutos, contra 31,2 em maio do passado.

 

A recomendação da OMS (Organização Mundial da Saúde) para casos do tipo é que o atendimento seja prestado em até 12 minutos, sob risco de morte ou perda funcional grave.

 

O tempo, porém, recuou em relação aos 36 minutos de abril, marcado por movimentos grevistas da categoria. Ainda assim, é o quinto mês de alta em relação ao mesmo período de 2018.

 

O aumento foi em quatro das cinco regiões. A alta maior foi na região centro-oeste, onde a espera média se elevou de 32 para 39 minutos, na comparação com o mesmo mês do ano passado. A região norte foi a única com socorro mais rápido: em média, 29 minutos.

 

A Prefeitura de São Paulo, sob gestão Bruno Covas (PSDB), diz que o prédio onde funcionava a sede administrativa do Samu dará lugar a outro serviço de saúde do município. "A sede do Samu será integrada à Central de Regulação do município, em prédio próprio da prefeitura", afirma em nota.

 

Segundo a gestão, o local tem servido como depósito temporário de materiais enquanto a reorganização das bases não é concluída.

 

Em relação ao aumento do tempo de chegada das ambulâncias, diz que essa tendência, identificada no ano passado, foi um dos motivos para as mudanças no serviço. A expectativa é de melhoras nos próximos meses, com a implementação de novo sistema de monitoramento de equipes.

Fonte:https://agora.folha.uol.com.br/sao-paulo/2019/06/gestao-covas-paga-aluguel-de-predio-vazio-deixado-pelo-samu.shtml