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11 de Agosto de 2020 - 12:08

Nota de repúdio à matéria veiculada no Jornal Nacional que ataca os servidores públicos

O Jornal Nacional da edição de 10/08/20, bem ao estilo da Rede Globo de atacar o funcionalismo e o serviço público, além de favorecer as privatizações, traz matéria que afirma: “o governo gastou com salário de servidores públicos federais, estaduais e municipais três vezes mais do que com a saúde”. E ainda complementa “de cada cinco postos de trabalho formal do país um é emprego público. Esses servidores federias, estaduais e municipais dos Três Poderes custaram R$ 928 bilhões em 2019”

Segundo a matéria, os dados mostram que, em 2019, os gastos com o funcionalismo público representaram quase 14% do PIB, enquanto a saúde pública recebeu menos de 4%. A base das informações é de um estudo do Instituto Millenium com base em dados do FMI (Fundo Monetário Internacional). Isso já demonstra a serviço de quem está esse “estudo”, que chega no momento em que Bolsonaro e seu ministro da economia, Paulo Guedes, dizem que é necessário uma reforma administrativa. Lembrando que essa reforma quer diminuir cargos e servidores, aumentar as contratações temporárias, acabar com gratificações, promoções, adicionais por tempo de serviço e até mesmo o fim da estabilidade no emprego. Essa reforma também tem apoio do presidente da Câmara Rodrigo Maia (DEM).

O Instituto Millenium afirma que a pandemia do coronavírus agravou a situação. "Existe um custo já muito grande para o país na coisa de ter que sustentar uma máquina muito grande com vários cargos e que hoje já não têm mais que existir, uma carreira engessada e também está na hora de repensar o custo disso. A gente quer que a pauta volte para o Congresso, porque a gente tem dez anos com uma grande porcentagem de pessoas se aposentando e aí a próxima geração de servidor público poderia entrar com o modelo já reformado", disse Priscila Pereira Pinto, do Instituto Millenium

Como assim? O coronavírus só não avançou mais pelo mundo exatamente por conta dos serviços públicos que mesmo precários “segurou a onda”. É necessário lembrar a esses tecnocratas que o gasto com funcionalismo é também com saúde, segurança, assistência social, limpeza urbana, educação, lazer, esportes, ou seja, é isso que dá o quadro de serviços públicos e não simplesmente números frios. É a situação do Brasil, onde o SUS conseguiu segurar o atendimento, mesmo com Bolsonaro não dando o mínimo de atenção a saúde pública e até hoje estamos sem Ministro da Saúde que entenda do assunto.
O JN, Rede Globo, Instituto Millenium, Bolsonaro, Bruno Covas, apoiaram a emenda constitucional 95 que congelou os gastos públicos por 20 anos, inclusive gastos da saúde. Esse ano, o governo não gastou R$ 21 bilhões das verbas da saúde no combate ao coronavirus, é o último na realização de testes nos trabalhadores e para ano que vem o orçamento da saúde perderá R$ 35 bilhões por conta dessa EC 95. Isso a Rede Globo não mostra.

O Sindsep repudia a matéria editada pelo Jornal Nacional e esse estudo a serviço de Bolsonaro e dos governos que querem destruir os serviços públicos. Chamamos o conjunto dos servidores públicos federais, estaduais e municipais para cerrar fileiras contra essa política de destruição dos serviços públicos através dessa reforma administrativa destruidora.

Quem é o Instituto Millenium?

Paulo Henrique Amorim na apresentação do currículo de Paulo Guedes na matéria do site Conversa Afiada, de 28/11/2017, "Ministro do Bolsonaro é da Globo - E pinochetiano", dizia: "É membro do Instituto Millenium, uma especie cabocla de Ku-Klux-Klan do pensamento neolibelista."

Apenas uma pitada da apresentação em seu site: “O Instituto Millenium (Imil) é uma entidade sem fins lucrativos e sem vinculação político-partidária. Formado por formadores de opinião e influenciadores, o think tank promove valores e princípios que garantem uma sociedade livre, como liberdade individual, direito de propriedade, economia de mercado, democracia representativa, Estado de Direito e limites institucionais à ação do governo”.

Com essa apresentação já deixa claro a serviço de quem está esse Instituto privatista, que representa os interesses dos bilionários, donos de bancos e de empresas que vendem saúde e educação como se fossem mercadorias e não direitos.