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03 de Setembro de 2018 - 09:09

Rede Globo sendo Rede Globo. E nós?

Sobre as várias opiniões viralizadas nas redes sociais que versam a respeito de uma determinada cena de um folhetim global onde os profissionais da educação são atacados por terem se preparado para concorrer dentre milhares que prestaram um concurso público, tenho a dizer o seguinte:  não assisto este canal por entender que o mesmo presta um grande desserviço à sociedade brasileira. Apoiadora incondicional do Golpe Militar de 1964, bem como do Golpe Parlamentar de 2016, a Rede Globo cumpre, mais uma vez, o papel de ser a porta voz das intencionalidades (não ocultas) de vários candidatos presidenciais que neste momento estão assediando o (a) eleitor (a) tentando convencer que o Estado Mínimo (sem prestação de serviços essenciais); o armamento da população e a volta dos militares no comando; salários mais baixos para as mulheres e a cultura do estupro; surra aos “diferentes”, principalmente negros e gays; a educação privatizada ou o Vale-Educação, o fim de um Sistema Único de Saúde, e os aumentos salariais dos parlamentares e do judiciário, (este último, em véspera de decisão sobre a candidatura do Presidente Lula) são as saídas para “um Brasil que eu quero”.
 
Muito me entristece a ideia e o clamor de que os sindicatos tenham que dar respostas a isso. Como assim? É o que mais temos feito no último período. Agora  escrever um texto repudiando tal atitude? Propor boicote a atriz ou ao autor da novela? Ir ao Ministério Público solicitando direito de resposta, no mesmo tempo e horário em que a cena foi veiculada? Resgatar a palavra de ordem: “o povo não é bobo, abaixo a Rede Globo”? Chamar uma manifestação, com 100 mil educadores, na frente da sede da emissora? Sim. Tudo isto podemos fazer. Mas de nada adiantaria se o professorado permanecer em frente a telinha sintonizado neste mesmo canal, tendo em suas mãos o CONTROLE da situação. Não significaria nada, se no próximo 7 de outubro, ainda com o poder da força na ponta dos dedos, elegermos os que defendem exatamente a rendição da escola pública aos mercenários ligados aos grandes conglomerados da educação mercantilista.
 

Acordem!!!

 
Não é atoa que tal cena vai ao ar, exatamente na semana em que a terceirização chega às funções fins da administração pública. O apelo feito pela personagem em questão, passou a ser realidade a partir de 30 de agosto (última quinta), com a aprovação irrestrita pelo Supremo (e tudo) da liberalização geral da terceirização. Aqui um parênteses: horas depois, segue o Golpe com a cassação da candidatura Lula.
 
Sim, professor concursado! Você deverá ser trocado por um professor contratado, talvez via Atento, Tejofran, Security, Pedra Azul, Grupo Moraes, Embraserv, Facility, etc etc etc. Mas, inerte a tudo isso, por mais que as entidades sindicais, verdadeiramente comprometidas com o servidor, portanto, com o serviço público apregoe a necessidade de sair da zona de conforto e se movimentar, em especial, em tempos estranhos como o que vivemos atualmente, continuamos sintonizados e nos aliando com quem te fere de morte pelas costas e pela frente.
 
Não vamos remeter a outrem o que é da NOSSA responsabilidade. Barrar (temporariamente) a reforma da Previdência Municipal foi fácil, mesmo tendo comprometido os nossos sábados até o final do ano, mas existe uma guerra que se avizinha e o inimigo SUPREMO, já desferiu o primeiro golpe. Dar respostas à Globo é fichinha. Quero ver é contra-atacar em defesa do seu ganha pão, e portanto, da sua dignidade humana. O Golpe “startado” com a expulsão parlamentar e judiciária da Presidenta Dilma tem várias etapas, e muitas delas ainda a serem concretizadas. E muitos educadores e servidores  contribuíram e ainda contribuem com tal situação. Espero não ser tarde demais para retomarmos as rédeas de uma educação pública, laica e de qualidade social.
 
Dia 7 de outubro é o “Dia D”, já que as eleições gerais poderão definir pelo crescimento ou extinção do serviço público. A Reforma da Previdência Municipal e Federal estão temporariamente na gaveta, aguardando apenas o resultado do seu voto. Lembre-se de quem desferiu e apoiou o Golpe; de quem votou a favor da Emenda Constitucional nº 95, que congelou por 20 anos o investimento na área pública; de quem aprovou a Reforma Trabalhista (1º passo para a contratação de professores sem concurso); de quem votou pela reforma do Ensino Médio extinguindo várias disciplinas, entre outros ataques que sofremos nos últimos 2 anos.
 
Usamos o “google” para tanta coisa e por que não fazer o mesmo a nosso favor: pesquise quem são estes candidatos. Delete da urna, os partidos que estiveram envolvidos em todas estas ações e dê a sua resposta a Rede Globo sobre o que disseram sobre você, no capítulo de ontem. Se desligue da TV e leia um livro. Envolva-se na luta de corpo presente, pois as redes sociais, por si só, não contribuem com a nossa vitória. 
 
E antes de afirmar que não gosta ou não tem nada a ver com a política, reflita: se a Democracia, que está esfacelada é considerada o Quinto Poder, no Brasil a mídia está classificada como o Quarto Poder.
 
"Não há instância de nossa sociedade que não tenha uma relação profunda com a mídia e que não esteja intrinsecamente contaminada por ela, desde a economia, passando pela educação, religião, etc., chegando, de maneira mais radical, à própria política" (THOMPSON, 2002).
 
 
Juntos Somos Mais Fortes!
 
Maciel Nascimento
Secretário de Políticas aos Trabalhadores
e Trabalhadoras da Educação do Sindsep