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29 de Julho de 2020 - 19:07

Sindsep, entidades, trabalhadores e usuários realizam ato contra privatizações, pela vida e pela Educação

Esta quarta-feira, 29.07, foi dia de defender os serviços públicos em diversas frentes. Por isto, o Sindsep, juntamente a outras entidades, foram à porta do gabinete de Bruno Covas dizer não às privatizações. O caso recente mais gritante é do Hospital Municipal do Campo Limpo que está enfrentando um processo de entrega para uma Organização Social gerenciada pelo grupo do Hospital Albert Einstein. Como não faltam casos para exemplificar que terceirização e privatização fazem mal aos serviços públicos, os movimentos sociais da Saúde e as entidades que representam os trabalhadores marcaram presença no ato. Na parte da tarde, os manifestantes se encaminharam para a porta da Câmara Municipal pressionar que não aprovem a apressada volta às aulas.

O presidente do Sindsep, Sérgio Antiqueira, avalia que a atividade da manhã superou as expectativas, com o comparecimento de trabalhadores e população usuária da saúde, principalmente do Campo Limpo, que já haviam realizado um grande ato em frente ao Hospital Municipal, no dia 14 de julho, uma carreata no dia 25 de julho e nesta quarta (29, em frente da Prefeitura. “É um movimento muito bonito, com a participação dos movimentos de saúde, entidades sindicais e trabalhadores dando um recado para o prefeito que a gente não vai deixar ‘passar a boiada’. Fora Einstein!”, afirmou o dirigente em alusão à fala do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, em 22 de abril, de aproveitar a pandemia de coronavírus para mudar regras.

Lourdes Estevão, secretária dos Trabalhadores da Saúde do Sindsep, enfatizou o problema de se utilizar de um momento difícil para todos, com a pandemia do Coronavírus, para terceirizar um um hospital público. “Neste momento de tanta dor para a população, este governo tem a coragem de aproveitar para tentar ‘passar a boiada’.” Lourdes continuou, lembrando que a terceirização não afeta apenas a Saúde, uma vez que “eles estão terceirizando, não só os equipamentos de saúde, mas tudo aquilo que pode ser terceirizado”, disse, se referindo a diversos outros setores que sofrem com os desmontes e terceirização, como o Serviço Funerário e os vouchers na Educação.

O vice-presidente do Sindsep, João Gabriel Buonavita, enfatizou que “o que estamos vendo neste momento é um grande loteamento da cidade de São Paulo.” E Laudiceia Reis, diretora da Região Sul, que engloba o Hospital do Campo Limpo, frisou que continuaremos resistindo às terceirizações e aos ataques aos serviços públicos. “Nós não aceitamos a terceirização dos hospitais. Não é justo que, nesse momento de pandemia, ele [Bruno Covas] desmanche os serviços para trazer Organizações Sociais, como Einstein, para usar a população como ‘cobaia’.”

Após as falas, os manifestantes saíram em caminhada em direção a Câmara Municipal, somando forças ao “buzinaço” chamado pelas entidades da Educação, contra o PL 452/20, que prevê a volta às aulas, mesmo com o número crescente de mortes diárias. No meio do caminho, os manifestantes realizaram uma parada em frente ao prédio do Ministério Público para reforçar o recado com a palavra de ordem: “O SUS é nosso, ninguém tira da gente!”

Em defesa da vida e da Educação

A Prefeitura de Bruno Covas enviou à Câmara o PL 452/20, que versa sobre o retorno às aulas, algo impensável no momento, visto que a primeira onda de contaminações por Coronavírus não diminuí, sem contar as mais de 1 mil mortes diárias no país. Medida ainda autoritária, pois não foram ouvidos os trabalhadores da educação, nem as entidades que os representam. Por isso, o Sindsep esteve juntamente a outras entidades em frente à Câmara Municipal em um buzinaço, para cobrar dos vereadores que não aprovem esta medida apressada.
 
Maciel Nascimento, secretário dos Trabalhadores da Educação do Sindsep, ao falar da defesa dos serviços públicos, ressaltou a importância do protesto realizado por profissionais da Educação contra o Projeto de Lei 452/20. "Esse projeto privatiza, terceiriza a educação, oferecendo recursos públicos para escolas particulares. Lamentável ter que fazer essa discussão em plena pandemia, que está sendo utilizada pelo governo para terceirizar. Crianças não podem voltar às aulas. A responsabilidade de decisão é do governo, ele não pode jogar essa responsabilidade para pais e mães. Os vereadores que aprovarem o PL 452 são co-responsáveis por toda a situação [da crise sanitária] e o desmonte da educação na nossa cidade. Precisamos resistir, por meio de atos, buzinaços e manifestações".

"Esse projeto de volta às aulas, nem a Secretaria de Saúde aprova. É para tirar dinheiro público, que pertence à população, para as escolas privadas. Temos que ter unidade na mobilização dos trabalhadores para impedir as ações do Bruno Caetano e Bruno Dória. Temos que fazer uma grande mobilização, fechar essa rua [Viaduto Jacareí] e não deixar aprovar esse projeto eleitoral do Bruno Covas. É hora de nos mobilizarmos e desmascarar esse governo que está massacrando os servidores e a população", afirmou Sérgio Antiqueira.

Por volta das 15h30, o projeto foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara e seguiu para discussão e primeira votação do plenário. A proposta depende de duas votações, mas os manifestantes prometem novas mobilizações para o ato que foi encerrado com vaias aos vereadores que votaram em favor da matéria na CCJ e um grande buzinaço. Portanto, fique atento aos chamados do Sindsep, vamos todas e todos somar forças para defender os trabalhadores e os serviços públicos.

Confira mais fotos das atividades em nossa galeria: https://sindsep-sp.org.br/fotos/servidores-e-populacao-reforcam-defesa-dos-servicos-publicos-nao-as-terceirizacoes-e-ao-pl-452