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22 de Junho de 2020 - 13:06

Sindsep participa de ato da CUT-SP que homenageou profissionais que morreram por Covid-19

Em ato na Praça Campo de Bagatelle, um memorial com cruzes e placas foi instalado para simbolizar profissionais falecidos atuando no cuidado de doentes.

O Sindsep e outras entidades que formam o Macrossetor do Serviço Público da CUT-SP realizaram, no último sábado (20) um ato em memória aos trabalhadores e às trabalhadoras que perderam suas vidas na luta do atendimento às vítimas da Covid-19. O centro da Praça Campo de Bagatelle, na zona Norte de São Paulo, deu lugar a cruzes, faixas em protesto às mortes e à falta de segurança e testagem dos trabalhadores(as) que atuam na área de saúde.

 

Ato realizado por entidades que formam o Macrossetor do Serviço Público da CUT-SP. | Foto: Elineudo Meira.


Respeitando as normas de segurança recomendas por autoridades sanitárias, de distanciamento físico entre os participantes e o uso obrigatório de máscaras e álcool gel para quem fez uso do microfone, o ato estampou rememorou em cartazes empunhados pelos dirigentes sindicais os vários profissionais de saúde que tiveram suas vidas ceifadas. 

 

Brasil lidera ranking de profissionais doentes

 

No sábado, o Brasil ultrapassou 1 milhão de doentes e 50 mil mortes pelo novo coronavírus, o segundo país no mundo com mais registros e o primeiro onde com mais profissionais de saúde doentes. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), 12% desse total são de trabalhadores que atuaram na linha de frente ao combate da Covid-19.

Profissionais que perderam suas vidas pela irresponsabilidade dos governos.| Mural: Cecília Figueiredo

 

Em número de mortes no Brasil, até a última sexta-feira (19), 139 eram médicos e 190 da enfermagem. Enquanto que na capital paulista, a categoria do serviço público registra ao menos 54 mortes de servidores.


Para as entidades do Macrossetor, muitas dessas mortes poderiam ter sido evitadas se o prefeito Bruno Covas (PSDB) e o governador João Doria (PSDB) garantissem estrutura adequada de trabalho e ofertassem equipamentos de proteção individual de qualidade e em número suficiente. Já no plano federal, o governo de Jair Bolsonaro (sem partido) além de não oferecer nenhum apoio ao enfrentamento da pandemia, negou, por diversas vezes, a existência de uma crise sanitária, incentivando a população a sair às ruas.

 

Foto: Elineudo Meira/Sindsep/CUT-SP


Em São Paulo, Doria autorizou municípios a relaxarem a quarentena que o estado estava fazendo, permitindo a abertura do comércio não essencial, o que provocou aglomerações em diversos pontos. Essa autorização ocorre em meio ao pico de mortes no estado.


Um manifesto, assinado por todas entidades sindicais, foi lido por Sérgio Antiqueira, presidente do Sindsep. "Em São Paulo, o governador João Doria e o prefeito Bruno Covas operam pela flexibilização da quarentena, sem nenhuma base cientifica e sem apoio das autoridades sanitárias. Na prática, ajudam na disseminação da Covid-19. Trens, metros e ônibus lotados, com a precipitada reabertura, indicam a redução do distanciamento social necessário para evitar a doença. Até um plano irresponsável de volta às aulas o governador anuncia. Hospitais de campanha (eleitoral) de alto custo, além de denúncias de claro superfaturamento nos contratos de compra de equipamentos e transferências milionárias para organizações sociais da saúde (OSS), parceiras nos interesses políticos e dos partidos que governam. Hospitais públicos estaduais sendo municipalizados para sobrecarregar a prefeitura e empurrar os equipamentos para privatização e entrega às OSS, que sugam os recursos públicos e maltratam a população. Enquanto isso, prédios de hospitais seguem abandonados em toda cidade e no estado", denuncia um dos trechos do manifesto.

 


O ato também cobrou a revogação imediata da Emenda Constitucional 95, que congela investimentos no Sistema Único de Saúde (SUS), a reabertura de hospitais fechados que poderiam ajudar no atendimento de moradores das periferias, e a saída imediata de Bolsonaro. 

 

Fora Bolsonaro!


Na avaliação de Sérgio Antiqueira, o Brasil vive o obscurantismo nas três esferas de poder, em gestões que promovem o caos e atacam o Sistema Único de Saúde. "Esse governo Bolsonaro deve acabar para salvarmos os direitos, os serviços públicos e a vida da população. Fora Bolsonaro! Hoje, nos manifestamos em memória de nossos colegas que perderam a vida nessa epidemia e com o compromisso de defender o serviço público, a vida e condições decentes de trabalho".

 

"Reafirmamos nosso apoio ao SUS e contra a Emenda 95", disse Izzo. | Foto: Elineudo Meira

 

Douglas Izzo, presidente da CUT-SP, afirmou que o ato em memória dos servidores dos serviços essenciais que tombaram cuidando da vida de outras pessoas é um alerta à sociedade brasileira. "Sobre a importância dos governos darem as condições necessárias para que os servidores possam desenvolver a suas atividades com segurança, não só deles, mas das famílias das pessoas que atendem. E reafirmamos também nosso apoio ao SUS e contra a Emenda 95, que retira valores necessários para o bom funcionamento do serviço público”.

 

Outro vírus mortal


Para a presidenta do SindSaúde, Cleonice Ribeiro, é revoltante. "É um momento muito triste para nós, pois muitos dos que morreram trabalharam lado a lado conosco e ver a irresponsabilidade desse governo por não ter tido o cuidado com esses profissionais é revoltante. Estamos cobrando das autoridades a valorização dos trabalhadores dos serviços essenciais, que sofrem com retirada de direitos".

 

Para a presidenta do SindSaúde, Cleonice Ribeiro, situção dos profissionais é revoltante| Foto: Cecília Figueiredo


Fernanda Lou Magano, presidenta do Sindicato dos Psicólogos de São Paulo, acrescentou que a CUT, no seu compromisso com a vida, se manifesta em defesa da vida e para cobrar uma ação dos governos municipal e estadual, "que só possuem discurso".

 

Fernanda Lou Magano, presidenta do Sinpsi, criticou a falta de ação dos governos municipal e estadual.

 

Na avaliação da médica infectologista, Juliana Salles, dirigente da CUT-SP e do Sindicato dos Médicos do Estado de São Paulo (Simesp), o governo Bolsonaro é outro vírus tão mortal quanto o coronavírus. "Governo que além de tirar mais recursos da saúde e de contribuir com o sucateamento da saúde pública, ignora a pandemia e o nosso trabalho".

 

Juliana Salles, do Simesp, acredita que governo Bolsonaro é tão mortal quanto o coronavírus. | Foto: Elineudo Meira

 

A dirigente do Sindicato dos Enfermeiros de São Paulo, Ana Firmino, reiterou que a falta de equipamentos individuais, sobrecarga de trabalho e excesso de zelo pelos pacientes têm levado à morte muitos profissionais e "é por eles e pelos que seguem na linha de frente que a nossa luta será diária".

 

A dirigente do Sindicato dos Enfermeiros de São Paulo, Ana Firmino, afirma que luta seguirá. | Foto: Elineudo Meira/ Sindsep

 

Confira outras fotos do ato, de Elineudo Meira/ Sindsep


* Com informações da CUT-SP