Notícias

28 de Dezembro de 2020 - 13:12

Tide Setúbal volta a fornecer máscara caseira para profissionais atenderem casos de Covid

Profissionais médicos, da enfermagem, limpeza e segurança recebem por plantão duas máscaras de doação e sem procedência.

Por Cecília Figueiredo, do Sindsep


O Hospital Municipal Tide Setúbal, localizado em São Miguel Paulista, segue colocando em risco a vida de seus profissionais de saúde. O hospital que foi um dos com maior número de profissionais que adoeceram e morreram – 70 doentes e 7 mortos até onde se teve registro –, parece seguir sem adoção dos protocolos sanitários conforme orienta Organização Mundial da Saúde. Ainda que seja um hospital que tenha atingido a lotação máxima na UTI.
 
Em 8 de dezembro, reportagem publicada no G1 dava conta que 93% dos leitos UTI estavam ocupados, as internações por Covid-19 haviam atingido níveis iguais aos dos primeiros meses da pandemia. Nesta segunda-feira (28), de acordo com profissional que trabalha no Tide Setúbal e não quer se identificar, não há mais nenhum leito disponível.
 
O hospital, principal de São Miguel Paulista, distrito com 450 mil habitantes, e referência para atendimento de casos de Covid na zona Leste, dispensa a profissionais médicos, da enfermagem, da limpeza e segurança um mesmo kit de equipamentos de proteção individual. 
 
Kit dispensado a todos/as profissionais do hospital para atender casos de Covid
 
“O kit [de prevenção à] Covid-19 que os funcionários pegam na supervisão [do hospital] tem duas máscaras dessa azul caseira e dois aventais por plantão. Isso é para todos os funcionários que trabalham diretamente com casos de Covid. Outros setores, como maternidade, clínica obstétrica, berçário pegam somente as máscaras caseiras.  Não sei a eficácia dessa máscara, mas ela não tem filtro algum e ainda dizem que dá pra lavar três vezes e reutilizar”, relata o trabalhador na mensagem enviada ao Sindsep.
 
Duas máscaras azul sem procedência, adquiridas por doação, e dois aventais por plantão
 
Segundo ele, a máscara é produto de “uma grande doação” de origem desconhecida, que chegou em outubro. “A máscara é desconfortável, é de amarrar, não tem o tamanho adequado do rosto de quem irá usar, mas dizem que ‘TEMOS’ que usar”, frisa o técnico.
 
Já a máscara N95 está sendo fornecida a cada 15 dias. Ele também desconfia que recursos repassados para adequações do hospital para atendimento de casos de Covid não se destinam à proteção e melhoria das condições de trabalho dos profissionais.
 
Esse é o mesmo hospital que este ano ficou conhecido por fornecer capas de chuva no lugar de aventais de proteção para seus profissionais atuarem nos plantões.
 
O Sindsep realizou durante o ano pelo menos cinco protestos com profissionais do Hospital Municipal Tide Setúbal, enviou dezenas de denúncias a veículos de mídia, ao Ministério Público e ofícios ao governo Bruno Covas, um governo omisso que economiza com EPIs, trata equipamentos de proteção individual como produtos permanentes, e funcionários como descartáveis.
 
Diante disso, o Sindsep segue cobrando do governo Covas investimentos, realização de concursos públicos, garantia de condições de trabalho, testagem e equipamentos de proteção individual a todos/as profissionais.