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18 de Julho de 2022 - 16:07

Trabalhadores da Saúde em ato arrancam reunião com governo

Em Ato Unificado das/os Trabalhadoras/es da Saúde, o Sindsep, ao lado de outras entidades representativas, esteve presente na porta da Secretaria Municipal de Saúde para dizer basta de desvalorização na Saúde. Trabalhadoras e trabalhadores de diversas áreas, em sua maioria agentes de endemias, enfermagem, nível superior na saúde, entre outras, marcaram presença no ato para criticar o PL 428/22, que reforma diversas carreiras, mas sem trazer ganhos aos servidores. Além disso, os presentes cobraram a implementação do Piso Nacional de Agentes de Endemias e o Piso Nacional de Enfermagem e Auxiliares de Enfermagem.

Uma comissão foi recebida pela Secretaria Municipal de Saúde e, durante a reunião, foi decidida pela criação de um Grupo de Trabalho para apresentar as questões dos Pisos Nacionais (tanto das carreiras da enfermagem, quanto de agentes de endemias). Os manifestantes, ainda, conseguiram arrancar uma reunião com a Secretaria de Gestão. Por isso, ao final do ato na SMS, saíram em caminhada em direção ao Gabinete do Prefeito.



João Gabriel repassando os encaminhamentos aos trabalhadores da Saúde. | Fotos: Cecília Figueiredo/Sindsep


João Gabriel, presidente do Sindsep, abriu o ato falando sobre a proposta do PL 428/22, falando que é uma proposta “mequetrefe, que não contempla a ninguém.” E, afirmou, João, “são mais de seis anos sem reposição. Neste ano, tivemos a maior arrecadação da história na cidade de São Paulo e o aumento de 46% do salário do Prefeito” e nada para os trabalhadores. O presidente ainda frisou que as piores propostas do Projeto de Lei são para a Saúde.

A secretária dos/as Trabalhadores/as da Saúde do Sindsep, Flávia Anunciação, relembrou todo o trabalho e empenho dos profissionais de saúde durante a pandemia de Covid-19. “A gente esteve durante toda a pandemia na linha de frente. Apesar da covil, apesar do medo, apesar dos desmontes, a gente não parou de atender e cuidar da população.” Flávia, também, chamou aos trabalhadores da própria secretaria, reforçando que “para as Organizações Sociais entrarem nesse prédio, tem tapete vermelho, enquanto que os trabalhadores são largados aqui fora.”




Os servidores lotaram a frente da SMS pela manhã, garantindo a reunião com a secretaria de gestão.

 

“A Saúde é a mãe de todos os direitos, sem saúde, não tem vida”, afirmou enfaticamente Lourdes Estevão, secretária da pasta de Políticas Sociais e trabalhadora da Saúde. Lourdes enfatizou a questão do Piso Nacional de Enfermagem, aprovado pelo Congresso. “Não é possível que, com o Congresso Nacional aprovando o Piso da Enfermagem e a Prefeitura ainda não colocou em prática.”

Na mesma linha, Lucianne Tahan, secretária de Formação do Sindsep e trabalhadora de Endemia, falou sobre a aplicação do Piso dos Agentes de Endemias e do repasse vindo do Ministério da Saúde. “A Prefeitura já recebeu 56% de verba a mais do Fundo Nacional de Saúde. A Prefeitura tá recebendo 56% a mais e quer pagar apenas 7,9%. A gente não vai aceitar!” Lucianne, ainda, lembrou dos servidores na unidade, que estão adoecidos, mental e fisicamente, e o prefeito Ricardo Nunes “apresenta um reajuste vergonhoso.”

Neste momento, uma comissão com representantes das entidades e dos trabalhadores foram recebidos pela Secretaria Municipal de Saúde, sendo decidida pela criação de um Grupo de Trabalho para apresentar as questões relacionadas aos pisos salariais nacionais.



Vlamir Lima denuncia a contradição do recorde de arrecadação e a precarização imposta à da vida dos servidores

 

Vlamir Lima, secretário de Comunicação do Sindsep, falou da contradição existente entre os recordes de arrecadação nos níveis nacional, estadual e municipal, com a miséria e os desmontes dos serviços públicos. “Os governos batem recorde de arrecadação, enquanto milhares passam fome, morando nas ruas, e não tem políticas públicas para atendê-los. Os preços subiram, por isso, o dinheiro em caixa.” Lima, ainda, lembrou da situação do Nível Básico e Médio, em que a maior parte dos trabalhadores não tiveram ganhos reais com os subsídios nos salários.

Os presentes saíram em caminhada em direção ao gabinete do Prefeito, em que as entidades seriam recebidos pela Secretaria Municipal de Gestão. Chegando no Viaduto do Chá, o ato continuou enquanto a reunião com a Gestão acontecia. João Gabriel trouxe o que foi debatido, além do chamado para os próximos passos de luta.




Agentes de Endemias, que estiveram presentes em peso, cobraram por valorização salarial

 


Segundo ele, o que foi levado para o governo na reunião foi que “nós queremos que o governo apresente um substitutivo ao projeto, com melhorias nas tabelas, que todos os pisos sejam respeitados e que não tenham nenhuma alteração em nossas carreiras.” João frisou a importância do ato e que conseguimos abrir negociação com o governo, sendo recebidos, e deixando claro que não aceitamos o projeto apresentado na Câmara, pois dividem a categoria, com ganhos para alguns e perdas para outros, mexem com as carreiras e não respeitam os pisos das categorias.

Portanto, no dia 27 de julho, teremos uma assembleia (com data e local a definir) para decidir os próximos passos de luta, visando pressionar e adequar o PL 428/22 a o que o funcionalismo realmente precisa: valorização e respeito. Neste momento, vamos construir a mobilização com responsabilidade e estratégia, lembrando das lutas e conquistas da categoria, que foram alcançadas graças às mobilizações e a presença nas ruas.