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30 de Setembro de 2008 - 00:09

10 de outubro - ato pela retirada das tropas brasileiras do Haiti

O Haiti está militarmente ocupado desde 30 de abril de 2004 por uma coalizão de forças estrangeiras chamada Minustah, que age sob a cobertura da ONU. Foi George Bush e o governo estadunidense que impuseram essa nova ocupação ao Haiti, servindo-se do guarda-chuva da ONU. Levaram o cinismo ao ponto de exigir de vários governantes de países sul-americanos que assumissem lugar predominante nessa ocupação armada.

Assim, foram colocados sob comando brasileiro os 9 mil militares provenientes de 40 países cujos governos deram seu acordo. Em particular, estão presentes no solo do Haiti 1.208 soldados do Brasil, 560 da Argentina, 503 do Chile, 218 da Bolívia, 67 do Equador etc.

O Haiti foi a primeira nação do o continente a se constituir, em 1804, nação independente e a se libertar da escravidão, tornando-se a primeira república negra do mundo. Mas desde então, mais de 200 anos depois, as grandes potências fazem o povo haitiano pagar. O Haiti tem 8 milhões de habitantes e é o país mais pobre do continente americano: 60% da população ativa está desempregada, 80% da população vive abaixo do nível da pobreza, a expectativa de vida está hoje abaixo de 50 anos.

O Haiti está sendo novamente humilhado e invadido militarmente por forças armadas compostas por vários países da América Latina, entre outros. Não escutem quando dizem que esses soldados foram enviados para a paz! Na realidade alguns tomaram parte em múltiplos ataques aos bairros populares.

O Haiti, que soube dar em seu tempo asilo e ajuda a Simon Bolívar, bem como a outros líderes da luta contra a colonização espanhola, vai comemorar em 17 de outubro próximo a festa nacional Jean Jacques Dessalines, um dos pais fundadores da nação haitiana. Ora, nessa mesma semana os governantes que possuem tropas na Minustah devem decidir se renovam o mandato e a presença desses soldados no solo do Haiti.

A vocês, irmãos e irmãs do Brasil, do Equador, do Chile, da Bolívia, do Uruguai e de outros países do continente, a todas as organizações operárias, populares e democráticas do continente americano, nós dirigimos um apelo:
Questionem seus governos. Peçam aos presidentes da República de vossos países, a Bachelet, Correa, Kirchner, Lula, Morales e Vasquez, para que não renovem o mandato das tropas de seus países, que retirem imediatamente seus soldados do solo do Haiti, e façamos assim, juntos, do 10 de outubro próximo uma jornada pelo direito dos povos do continente à autodeterminação, a viver em paz como nações soberanas.

Organizações haitianas firmantes: CATH, Central Autônoma dos Trabalhadores do Haiti, Louis Fignolé St Cyr, secretário-geral; KORTA, Fednel Moncher, coordenador geral; FESTREDH, Federação Sindical da Eletricidade, Dukens Raphaél, porta-voz; GIEL, Grupo de Iniciativa dos Professores Secundários, Léonel Pierre, secretário-geral; ADFEMTRAH, Seção de Mulheres da CATH, Julie Génélus, secretária-geral; GRAHLIB, Grande Reunião por um Haiti Livre e Democrático, Ludy Lapointe, coordenador-geral; FOS, Federação dos Operários Sindicalizados, Raymond Dalvius, relações públicas; POS, Partido Operário Socialista Haitiano; GRAMA, Grupo de Reflexão e