Política

12 de Julho de 2022 - 13:07

Morte de Marcelo Arruda é mais um sinal do autoritarismo de Bolsonaro

Marcelo Aloizio Arruda, servidor público da GCM há 28 anos e presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Foz do Iguaçu (PR) foi assassinado por agente federal bolsonarista, durante comemoração de seu aniversário de 50 anos.

O Sindsep se solidariza com a família de Marcelo Aloizio Arruda, servidor público da Guarda Civil Metropolitana há 28 anos, presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Foz do Iguaçu (PR), dirigente do Partido dos Trabalhadores (tesoureiro), partido ao qual era filiado há 30 anos e pelo qual concorreu a vice-prefeito nas eleições de 2020, assassinado na noite do sábado, 9 de julho, durante a comemoração de seus 50 anos. Marcelo deixou esposa e 4 filhos, sendo uma criança de 40 dias e outra de 6 anos. 
 
A comemoração temática, com bandeiras do PT e fotos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reunia cerca de 40 pessoas, entre familiares e amigos, na sede da Associação Esportiva Saúde Física Itaipu, quando por volta das 23h, o agente penitenciário federal Jorge José da Rocha Guaranho invadiu a festa e não foi coibido porque todos acharam se tratar de um convidado. De acordo com boletim de ocorrência, ao invadir a festa, o atirador gritou “aqui é Bolsonaro” e disparou. Nas redes sociais, Guaranho demonstra apoio ao presidente Jair Bolsonaro (PL) e às pautas defendidasq por seu governo.
O crime praticado pelo policial bolsonarista foi motivado exclusivamente por Marcelo Arruda, formado em biologia e um ativo companheiro na criação e manutenção do Setorial de Segurança Pública do Estado do Paraná, ser petista e na celebração de seu 50º aniversário ser essa a temática escolhida. Não éq resultado de polarização política como quer vender a grande imprensa e os pré-candidatos oportunistas que há meses tentam emplacar uma “terceira via” que não vinga. O crime é resultado da onda fascista que cresce no Brasil nos últimos anos, mas, especialmente, a partir da campanha e do governo Bolsonaro. 
 
Não há dois polos, dois extremos nesse crime hediondo. O que há é o terror, o fascismo. De um lado, Marcelo celebrava a vida e foi assassinado por um seguidor de quem cultua a morte.
 
Não podemos esquecer da ameaça feita pelo então candidato à presidente, na campanha de 2018: “Vamos metralhar a petralhada aqui do Acre”, segurando um tripé como se fosse uma metralhadora. Usando o que chamam de “apito de cachorro”, Bolsonaro disse em sua live, de quinta-feira (7/07), que não teríamos um episódio do Capitólio no Brasil, mas recomendou a seus seguidores, de forma subliminar, quanto ao risco cada vez mais evidente de perder o mandato e a mamata: “Vocês sabem o que devem fazer...”
 
Para quem conhece e estuda as redes de ódio da extrema direita no mundo, sabe o que isso significa: incitar os mais fanáticos a promoverem aquilo que passa por suas cabeças. Na cabeça do agente penitenciário estava clara a mensagem. Assim como na cabeça daqueles que usaram um drone, em Uberlândia (MG), para jogar agrotóxico na manifestação pró-Lula, e a bomba na Cinelândia no Rio no encontro da esquerda, um tiro contra a janela do jornal “Folha de São Paulo” e também fezes contra o carro do juiz que mandou prender o ex-ministro da Educação, o "religioso" Milton Ribeiro, acusado de esquema de corrupção envolvendo Bolsonaro, pastores de igrejas e prefeitos de vários municípios. 
 
Bolsonaro sabe que não tem condições de ganhar as eleições de forma direta, legítima, num pleito limpo. E sabe que sem o foro privilegiado, ele e seus filhos podem ser presos diante de tantos crimes cometidos durante e antes da presidência. Pretende acelerar os ataques terroristas à esquerda e não podemos desprezar farsas armadas imputadas à esquerda, como a bomba do Rio Centro no governo militar de 1981 ou a fakeada de 2018. 
 
Acentuar o ódio das hordas bolsonaristas, o clima violento e ataques terroristas pode servir, inclusive, de pretexto para intervenção militar e suspensão de eleições. Temos de estar preparados para qualquer cenário. Além de cuidado com nossa segurança, denunciar o que pretende esse movimento fascista é uma forma importante de prevenção e temos de nos manter mobilizados para dar um fim a esse pesadelo brasileiro, pelas urnas e nas ruas. Para que não choremos mais perdas como a de Marcelo, que só queria comemorar a vida com sua família e seus amigos, e foi morto ao defendê-la.
 
Marcelo, Presente!
 
 
 
Direção Executiva do Sindsep-SP