Saúde

16 de Janeiro de 2020 - 15:01

Agentes de endemias a pé para fazer o trabalho de prevenção

Prefeito despreza explosão de dengue e sarampo na capital e expõe a riscos servidores que realizam ações preventivas.

 

 

Com doenças retornando com força, como o sarampo – cerca de 5 mil casos registrados no Brasil em 2019; metade deles no estado – e a dengue – aumento de 2660% entre 2018 e setembro de 2019 – os governos tucanos parecem não se importar com o trabalho da Vigilância em Saúde para prevenir as doenças. A gestão Bruno Covas (PSDB) deixou os agentes de endemias literalmente a pé, com o encerramento, em 11 de novembro último, do contrato com a empresa que fornecia os carros utilizados para o trabalho em campo.

 

A precarização nas condições de trabalho não é novidade. No primeiro ano de gestão PSDB, João Doria fechou convênio com o aplicativo 99 Táxi e cortou pela metade a frota de carros. Ao assumir, Covas eliminou a outra metade. Os agentes se mobilizaram e obtiveram, em mesa de negociação com a Secretaria Municipal de Saúde, um acordo onde os carros por aplicativo só seriam utilizados pelos agentes de endemias, no deslocamento para a Divisão de Vigilância de Zoonose (DVZ) ou eventuais cursos. Ações de rotina, como o “casa a casa”, bloqueios e nebulizações teriam de contar com veículos da unidade. Porém, não houve crescimento da frota de veículos e os servidores adotaram várias alternativas, como o rodiziamento entre as equipes que ficavam na base e o trabalho em campo com carro da UVIS.

 

Na necessidade de utilizar o carro por aplicativo, a equipe era acompanhada por um carro da UVIS para dar suporte à equipe. Com o fim do contrato dos carros alugados pela prefeitura, em novembro de 2019, os agentes de endemias foram obrigados a utilizar o 99 Táxi. A logística da solicitação não funciona. O pedido só pode ser feito pela chefia interna da UVIS, já que a gestão não disponibiliza celular para os agentes de endemias que estão em campo. Caso o pedido seja feito por uma mulher e estejam agentes homens aguardando o veículo, o motorista de aplicativo não para. Na falta de internet na base, também fica impossibilitada a solicitação de carro, já que a requisição é feita por meio de computadores da UVIS.

 

“Há seis equipes para ir a campo e no aplicativo só se consegue pedir outro carro depois do encerramento de uma corrida. A distância faz com que a saída a campo gere uma espera de até uma hora. No retorno à base também temos tido que esperar”, cita um dos agentes.

 

Um contrato de emergência para a demanda da Vigilância em Saúde assumiu em 13 de dezembro último, no entanto é insuficiente para realizar as ações de controle e prevenção na maior cidade da América Latina.

 

O Sindsep segue recolhendo denúncias sobre o transporte dos agentes. Vamos cobrar esse descaso da prefeitura com os servidores que vêm sendo submetidos a condições inadequadas e inseguras para trabalhar. Clique aqui e acesse outras matéria da edição de janeiro 2020 do Jornal Sindsep

 

Aumento de casos em São Paulo (estado e capital) entre 2018 e 2019 foi superior a 2660%. | Foto: Agência Brasil/EBC

 

Foto capa: Cecília Figueiredo