Saúde

24 de Março de 2020 - 17:03

Agentes de Vigilância em Saúde trabalham sem EPI

Sindsep solicitou à gestão Covas/Doria providências imediatas para a garantia da saúde e da segurança dos servidores que trabalham nas unidades de Vigilância em Saúde (UVIS)
 
 
 
A falta de equipamentos de proteção individual (EPI), ambientes de trabalho restritos e a aglomeração de funcionários pela falta de veículos para executar o trabalho externo, são alguns dos problemas relatados por agentes de unidades de Vigilância em Saúde (UVIS) na cidade de São Paulo.
 
 
UVIS NA ZONA LESTE
 
Localizada na zona Leste, a UVIS reúne 105 agentes de endemias, maioria homens e atuando no controle de arboviroses, como o mosquito da dengue (Aedes Aegypti), não dispõe de lugar apropriado para trabalhar internamente e nem para a permanência. Segundo um funcionário da unidade, que pede para não ser identificado, não há bancos ou cadeiras na base. Há apenas dois vestiários com duas torneiras, porém no vestiário feminino uma das torneiras está quebrada. Não há veículos suficientes para executar a rotina de trabalho externa, então normalmente metade dos trabalhadores da UVIS ficam aglomerados na base, sem ter o que fazer. 
 
Num vídeo, outro profissional mostra agentes saindo para fazer ação "casa a casa", sem qualquer proteção, enquanto outros ficam aguardando a chegada de veículos.
 
 
 
UVIS NA ZONA NORTE
 
A situação de falta de EPI se repete em outra ponta da cidade, na UVIS da região Norte. Um dos agentes enviou um vídeo que confirma o armário sem máscaras de proteção, algumas garrafas de álcool líquido, além de protetores solares e roupas para proteção de abelhas. Nada de luvas, muito menos outros itens recomendados pelos órgãos sanitários.
 
 
 
Armário de EPI na UVIS zona Norte vazio
 
 
SINDSEP REIVINDICA
 
A direção do Sindsep vem denunciando há muito tempo para a gestão Covas/Doria a estrutura inadequada de trabalho nas UVIS. Lucianne Tahan, diretora do Sindsep, lembra que em 2018 foi finalizado o relatório do Inovasus que traz um mapeamento das condições em todas as unidades de Vigilância em Saúde. "Com a pandemia do coronavírus essa situação vem se agravando de forma alarmante", acrescenta.
 
Diante disso, a direção do Sindsep encaminhou na última segunda-feira (23) ofício nº 206 à Prefeitura de São Paulo exigindo a adoção de medidas de proteção aos trabalhadores das UVIS, para impedir o adoecimento e propagação do coronavírus na cidade.
 
Entre as medidas, estão:
 
- Afastamento imediato de servidores pertencentes ao grupo de risco do atendimento ao público;
 
- Orientação a todos agentes de endemias sobre o Covid-19, sobre sintomas e prevenção;
 
- Urgência no fornecimento de álcool gel, sabonete e toalhas de papel disponíveis em banheiros permanentemente higienizados;
 
- Fornecimento de máscara, óculos de proteção, luvas e demais EPI necessários, conforme orientam a OMS e demais autoridades sanitárias; 
 
- Suspensão das visitas casa a casa e da cobrança de metas das respectivas visitações;
 
- Suspensão do uso do aplicativo 99 e cobrar das empresas terceirizadas a higienização dos veículos;
 
- Suspensão de confecção de RGA e vacinação contra a raiva, uma vez que a cidade não possui número de casos da doença há bastante tempo;
 
- Impedir aglomerações, inclusive dos agentes dentro da unidade de trabalho;
 
- Criação de horário alternativo ou divisão por turnos para a execução de atividades que não são voltadas para o enfrentamento da pandemia.