Saúde

03 de Setembro de 2021 - 17:09

Assaltos em Unidades Básicas de Saúde deixa claro o descaso da Prefeitura com servidores

Unidades Básicas de Saúde estão sendo assaltadas na região da Supervisão Pirituba e Prefeitura não faz nada para resolver o problema

Por Leticia Kutzke, do Sindsep

 

Trabalhadores das Unidades Básicas de Saúde da Supervisão Pirituba, na região Noroeste da cidade de São Paulo, estão sofrendo com uma onda de assaltos que vem ocorrendo em suas unidades. Segundo informações enviadas ao Sindsep já foram assaltadas as UBS City Jaraguá, Vila Zatt, Jardim Ipanema, Pereira Barreto e Domingos Mantelli.

 

As principais vítimas destes assaltos são os trabalhadores, pois os assaltantes entram nas unidades e fazem arrastão levando seus celulares e em alguns casos, além dos aparelhos, dinheiro.

 

Essa situação expõem uma situação muito grave que é a vulnerabilidade dessas UBS que não possuem sistema de monitoramento por câmeras nem mesmo seguranças.

 

UBS Jardim Ipanema

 

Segundo informações de trabalhadores da Unidade Básica de Saúde Jardim Ipanema, no dia 26 de agosto, no horário do meio-dia, duas funcionárias que estavam na sala de regulação foram abordadas por um homem que foi entrando, fechando a porta, tirando um revólver e comunicando o assalto.

 

O assaltante foi bem ousado, tirando a máscara para ameaçar as trabalhadoras que tiveram seus celulares roubados, tudo ocorreu de forma muito rápida.

 

Para os trabalhadores ficou a sensação de insegurança. “Prefeitura sabe que estão assaltando e deveria deixar a GCM na porta. Tem um segurança para cuidar da UBS inteira. Prefeitura deixa a desejar”. Afirmou uma trabalhadora da unidade.

 

O trauma desses trabalhadores e trabalhadoras é tão grande que agora qualquer pessoa que chega na unidade já pensam que pode ser um assaltante. O medo e a insegurança fizeram com que as vítimas não tivessem nem mesmo coragem de identificar um possível suspeito, quando a polícia as procurou.

 

UBS Vila Zatt também é assaltada

 

De forma muito parecida com o ocorrido na UBS Jardim Ipanema, no dia 31 de agosto, um homem se passando por paciente entrou na UBS Vila Zatt, no horário do almoço, momento que a unidade geralmente fica mais vazia. Andou pelos dois andares e conseguiu identificar onde conseguiria fazer suas vítimas.

 

Armado, abordou duas trabalhadoras e as empurrou para dentro da copa da unidade onde havia pessoas almoçando, entre elas um médico. O assaltante exigiu que todos entregassem seus celulares. A ação ocorreu de forma muito rápida, segundo funcionários não durou nem 10 minutos.

 

Pacientes que perceberam o que estava acontecendo saíram correndo desesperados, o segurança da unidade fechou o portão, mas o assaltante já tinha conseguido escapar.

 

A UBS tem o mesmo problema que a do Jardim Ipanema, não possui câmeras de segurança. Possui um vigilante patrimonial que nada pode fazer numa situação como essa. Segundo trabalhadores, será conversado com o conselho gestor da unidade, para ver o que pode ser feito em relação às câmeras de segurança.

 

Além de não ter câmeras, a unidade ainda possui três entradas, uma pelo estacionamento que é a mais usada; há uma porta que fica na parte de trás do prédio, que seria para saída dos médicos, mas também é usada, e a entrada de funcionários; todas usadas para entrada e saída de pacientes.

 

No entanto, os trabalhadores conseguiram reaver seus celulares, graças ao celular do médico roubado possuir rastreador, foi assim que a polícia chegou até o assaltante.

 

Mas o trauma fica. Uma das trabalhadoras, de tão abalada, precisou de ajuda médica para conseguir sair debaixo da mesa da copa, onde havia se escondido na hora do assalto, ficou paralisada. Trabalhadores relatam que sentem insegurança no local de trabalho e que estão à mercê destes assaltos.

 

Em meio a tudo isso, servidores estão trabalhando incansavelmente desde o início da pandemia. Nas UBS com a vacinação da Covid-19 servidores estão sem folga trabalhando 12 horas aos sábados. Inclusive trabalharam de madrugada na virada da vacina promovida pela prefeitura em 14 de agosto, e estão extremamente exaustos.

 

“Os trabalhadores estão cansados e agora ainda precisam passar por essa situação de assalto. A prefeitura precisa cuidar mais dos trabalhadores. Gasta dinheiro com segurança patrimonial, se preocupam com o patrimônio, mas muito pouco com os trabalhadores”, declarou Lucianne Tahan, coordenadora do Sindsep da região Noroeste.