Saúde

17 de Abril de 2020 - 17:04

Assédio e terceirização na Maternidade Cachoeirinha

Em meio à crise sanitária causada pela pandemia do coronavírus, que coloca a população com pouca estrutura para ser atendida devido à falta de investimentos no SUS pelos governos, refletindo em hospitais públicos superlotados e com profissionais sobrecarregados, sem equipamentos de proteção individual adequados ao que recomenda a Organização Mundial da Saúde (OMS), o governo municipal Covas e seu secretário de Saúde, Edson Aparecido dos Santos, aproveitam para “acelerar” a entrega de hospitais municipais às mãos de empresas terceirizadas. É o caso do Hospital Municipal Maternidade-Escola de Vila Nova Cachoeirinha "Dr. Mário de Moraes Altenfelder Silva", na zona Norte de São Paulo, referência em partos de risco que foi terceirizada.
 
Na segunda-feira (13) profissionais de saúde do bloco cirúrgico foram avisados que deveriam desocupar o local, esvaziar seus armários e entregar as chaves, porque a Organização Social (OS) CEJAM iria assumir as atividades. Sem diálogo ou orientação prévia, os servidores públicos que atuam na unidade há 10, 15, 20 anos, simplesmente foram despejados de seu local de atendimento.
 
 
 
 
 
“Ninguém foi avisado sobre nada, alguns não sabiam nem para onde seriam encaminhados. Pessoas inclusive do grupo de risco pediram afastamento pois seriam colocadas para atender diretamente casos de covid-19. O que mais uma vez reforça a contradição da secretária-adjunta de Saúde, Edjane Torreão, que havia se comprometido a manter trabalhadores do grupo de risco na retaguarda”, lembra a diretora do Sindsep, Lucianne Tahan.
 
Não bastasse esse tipo de pressão, o Sindsep continua a receber denúncias de assédio moral aos funcionários. Sem máscaras de proteção individual para trabalhar, profissionais de alguns setores não podem sequer reclamar. “Quem solicita máscara de proteção é interpelado em tom de ameaça pela chefia para que colabore. Colaborar é bem diferente de ser colocado em risco, ninguém na maternidade está se recusando a trabalhar mas querem poder voltar para casa e viver pra trabalhar mais um dia”, conta a diretora.
 
Como vem fazendo em toda a cidade, o Sindsep segue orientando aos profissionais de saúde que denunciem situações de assédio moral e exijam que seja garantido o direito ao equipamento de proteção individual, para que não seja exposto ao risco de contaminação pelo covid-19. Para o Sindsep é inaceitável que as chefias se aproveitem da crise sanitária para assediar moralmente os servidores. A direção incluirá a questão juntamente com a falta de EPI na próxima mesa técnica com a Prefeitura de São Paulo.