Saúde

20 de Outubro de 2022 - 13:10

Ato de resistência das/os trabalhadores/as e denuncia das condições precárias de trabalho no Hospital Saboya

Sindsep junto com os trabalhadores, trabalhadoras, Conselho Gestor e população, realizou na manhã de quinta-feira (19), um ato em frente a portaria de entrada e saída dos funcionários do Hospital Municipal Dr. Arthur Ribeiro de Saboya, na região Sudeste, contra as condições precárias de trabalho e por defesa dos trabalhadores.

 

Maria Mota, coordenadora da região pelo Sindsep, abriu o ato falando que os servidores e servidoras precisam de condições para cumprir seu trabalho, precisam de respeito. Como também a situação do hospital que está sofrendo com a precarização dos atendimentos e com a terceirização se instalando em todos os setores.

 

 

A dirigente ainda denunciou a gestão do Hospital que é extremamente autoritária e que impede os servidores e servidoras de prestarem um serviço de qualidade. Além de serem jogados cada dia em um setor diferente, nunca sabendo onde estarão no próximo plantão. Trabalhadores e trabalhadoras que fazem parte da CIPA, do Conselho Gestor, são chamados pela gestão para prestar esclarecimentos de todas as suas atitudes. Muitos estão adoecendo.

 

Trabalhadores e trabalhadoras que conseguiram participar da atividade seguravam cartazes com dizeres em defesa do Saboya e do SUS. “Quando os cartazes saem do gradil e passam as mãos das/os trabalhadoras/es, isso não tem preço. Trabalhadores têm o direito de fala, tem o direito de denunciar, de requerer, de se pronunciar. Não podem ficar acuados e subservientes. Servidores e servidoras públicas tem direitos e responsabilidades a cumprir com a população e uma delas não é adoecer sob a gestão de chefias autoritárias e com práticas cerceadoras e antidemocráticas”, declarou Maria Mota.

 

 

Flávia Anunciação, diretora dos Trabalhadores da Saúde pelo Sindsep, parabenizou os trabalhadores que desceram para participar do ato e reforçou a importância do trabalho dos profissionais da saúde. Além de reforçar que o hospital pertence aos trabalhadores e a população, uma vez que a gestão é trocada de 4 em 4 anos nas eleições.

 

A diretora ainda abordou a importância da defesa do Saboya, um hospital tão importante para a região. “Há 25 anos fiz estágio neste hospital.  O que a gente quer é melhoria, o que a gente quer é condições de trabalho, o que a gente quer é respeito. É um absurdo as denúncias que a gente vê aqui”.

 

 

As denúncias são inúmeras em relação ao assédio, sobre condições de trabalho e do tratamento por parte da chefia. A Cipa não tem liberdade para andar pelo hospital e apontar os erros.

 

A auxiliar de enfermagem há 20 anos e o mesmo tempo atuando no Hospital Saboya, denuncia que os servidores e servidoras estão se sentindo acuados e trabalham sobre pressão todos os dias, na incerteza se irão continuar no hospital ou não. Pois sempre está mudando a chefia e a equipe médica.

 

 

A servidora ainda denuncia as condições do uniforme de trabalho. São obrigados a trabalhar com suas próprias roupas, sendo disponibilizado apenas um avental descartável para ser usado. Assim, acabam levando contaminação para suas casas e transporte público.

 

Já João Mariano, do Conselho Gestor do Hospital, denunciou que a gestão fechou a portaria da frente do Hospital para o acesso dos trabalhadores e trabalhadoras e obrigam a utilizar a entrada da Rua Cruz das Almas, rua arborizada que a noite é extremamente escura, deixando os trabalhadores à mercê de assaltos. Não é ofertada nenhuma segurança por parte do hospital.

 

 

Ainda denunciou a falta de comunicação entre UPA e hospital. Há muitos pacientes na Unidade de Pronto Atendimento que não conseguem ir para o Saboya, em razão de que não querem recebê-los. “Essa noite tinha uma paciente me pedindo ajuda porque hospital não queria receber. Preferem mandar para o hospital do Campo Limpo, Tatuapé, mas não receber no hospital”.

 

Um servidor que faz parte do Conselho Gestor do Hospital denunciou a guerra que é travada desde 2019 com o governo. Onde todas as reivindicações dos trabalhadores levadas para as reuniões são tratadas como se fossem privilégios, no entanto, não são privilégios e sim direitos garantidos.  O servidor ainda denunciou que vários trabalhadores e trabalhadoras foram assaltados na saída pela Cruz das Almas. Uma das vítimas (servidor) foi agredida e ficou gravemente ferida e teve que se afastar por um bom tempo. “Pedimos que seja colocado uma base da GCM aqui nessa rua, que se coloque a polícia. Essa é nossa luta de anos”.

 

 

O presidente do Sindsep, João Gabriel Buonavita, participou da atividade e na sua fala abordou a importância da saúde pública e seu sucateamento. Bem como, do perigo que ronda os servidores e o funcionalismo público e a população, com a possibilidade de após as eleições ser votada a PEC 32, de reforma administrativa.

 

João ainda denunciou a gestão do hospital que não está permitindo a entrada do sindicato no hospital e que muitas vezes quando consegue é expulso e aproveitou para fazer um apelo aos trabalhadores e trabalhadoras. “Se eles nos impedirem de caminhar lá dentro vocês vão ser as nossas pernas. Se eles nos impedirem de entrar lá dentro para ver o que está sendo feito de errado, vocês irão ser nossos olhos. Se eles nos impedirem de entrar lá para conversar com trabalhador, vocês irão ser a voz do sindicato lá dentro. Esse é o compromisso que a gente pede de vocês”, finalizou.

 

O Sindsep se soma às trabalhadoras e trabalhadores do Saboya para denunciar os abusos da atual gestão, a falta de condições trabalho, e as pressões que estão submetidos, mesmo sob as inúmeras práticas antisindicais que tendo vivenciado, não é negociável o distanciar-se dos trabalhadores/as. Vamos seguir na luta!