Saúde

16 de Julho de 2021 - 15:07

Ato pede a reabertura da passagem da EMEI Regente Feijó para o anfiteatro, fechada pelo Iabas

Trabalhadores/as, comunidade usuária da UBS Cambuci e da EMEI Regente Feijó, e Sindsep pedem que conselhos escolar e da unidade de saúde sejam respeitados e criticam medida autoritária, que põe em risco seguranças das crianças, para armazenar vassouras

Por Cecília Figueiredo e Letícia Kutzke, do Sindsep

 

Um ato, realizado na manhã desta sexta (16), pediu a desobstrução da passagem que as crianças da EMEI Regente Feijó usavam para chegar ao anfiteatro Nair Bello, dentro da escola. Há pouco mais de uma semana, o gestor da UBS fechou a passagem de uso da escola e da unidade de saúde, sem consultar os conselhos dos dois equipamentos públicos. A medida obrigará as crianças, na faixa etária entre 4 e 6 anos, a dar a volta por fora da escola, caminhando por vias movimentadas, como as avenidas Lins de Vasconcelos e Lacerda Franco.

 

Alunos e ex-alunos, acompanhados das mães, também reforçaram o protesto com cartazes, balões, apitos e até se arriscaram a falar ao microfone. Rian, de 7 anos, falou o quanto gostava de ter estudo na EMEI, pelo espaço que tinha para brincar, estudar e onde "aprendi a escrever com letra cursiva".

 

Foto: Cecilia Figueiredo

 

O ato contou com apoio de moradores e conselheiros de saúde, que também reclamaram da perseguição aos trabalhadores da UBS, falta de diálogo com a comunidade e espera pelo agendamento de consultas.

 

Para a conselheira da EMEI, Fabiana Almeida, mãe de Ayra, reclamou: “as crianças do Infantil I tem que sair à rua para chegar ao teatro... não acredito que seja um cuidado com as crianças". Ela reclamou da falta de diálogo da gestão da UBS. "Como se explica alguém fazer uma obra e não comunicar. O espaço é das crianças”.

 

Foto: Cecilia Figueiredo

 

Ao valorizar a resistência dos trabalhadores da Educação, nos 120 dias de greve pela vida este ano, que aproximou muito a área com a saúde, o secretário de Formação dos Trabalhadores da Educação do Sindsep, Maciel Nascimento, enxerga uma imposição absurda do gestor da UBS para com a política pública educacional, a equipe de trabalhadores e comunidade da EMEI. “Não se trata de uma parede, mas das nossas crianças. A EMEI faz parte da história do bairro e o Iabas impõe uma ruptura nessa história. Nessa greve aprendemos a discutir saúde e educação”.

 

A EMEI, inaugurada há 73 anos como Parque Infantil Regente Feijó, é uma referência no bairro e carrega uma outro lógica do aprender, que mistura o lazer, a brincadeira e a cultura. A intersetorialidade no aprendizado infantil.

 

Foto: Cecilia Figueiredo

 

Cláudia, da Comissão dos Moradores do Cambuci, citou as dificuldades enfrentadas pelos usuários da UBS, que desde a assunção da organização social Iabas tem deixado a desejar no atendimento. "Eu tenho comorbidade e diabetes e faz 2 anos que não consigo marcar uma consulta e quando se consegue é com um enfermeiro”.

 

Por se tratar de uma situação que envolve saúde e educação, pois a UBS funciona em parte do terreno cedido da EMEI, Lourdes Estevão, secretária dos Trabalhadores da Saúde do Sindsep reforçou a luta pela derrubada do cômodo construído na passagem das crianças. Ela reforçou a importância da unidade de usuários dos dois equipamentos para que se tenha êxito. Lourdes também pediu ao Iabas que respeite o diálogo com a comunidade. “Ele [gestor] precisa sentar com a comunidade, pra saber o que é melhor para a comunidade. A comunidade está aqui hoje para dizer que não quer o fechamento da passagem, não quer aquele quartinho, quer aquela passagem desobstruída. Um gestor que ouve e dialoga com a comunidade erra menos”, orientou a dirigente.

 

Foto: Cecilia Figueiredo

 

"Isso aqui é propriedade da população. Estou presidente do Sindsep, mas sou diretor de uma CEI, e nós defendemos no Sindsep o direito dos servidores articulado ao serviço público, que é direito, conforme estabelece a Constituição de 88. Então, não é possível fazer a defesa do servidor, sem estar vinculado ao serviço público e a quem o utiliza. O público é coletivo, diferente do privado, que é individual. O público é a solidariedade, é sentir a dor do outro, estender a mão para o outro. Por isso combatemos as organizações sociais, que se apropriam de um bem público que pertence a todos", salientou Sérgio Antiqueira, presidente do Sindsep.

 

Flávia Anunciação, coordenadora da Região Centro do Sindsep, reafirmou que o Iabas não pode se sentir dona do espaço, o espaço é da população. Ela também questionou a Secretaria Municipal de Saúde, responsável pelo “puxadinho” da UBS. Segundo a dirigente, o sindicato irá questionar, junto ao Ministério Público e Secretaria da Criança e Juventude, se o ato do gerente da UBS encontra respaldo nos direitos das crianças. “É inaceitável que a SMS concorde e aceite o que está acontecendo aqui. Esperamos uma solução e a solução aceitável é que seja derrubado esse puxadinho”.

 

Foto: Cecilia Figueiredo

 

Na sequência, mães, moradores, crianças e trabalhadores seguiram até a frente da EMEI, para um abraço simbólico.

 

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