Saúde

23 de Junho de 2020 - 17:06

Condições precárias de trabalhadores(as) do SAMU serão discutidas em plenária virtual nos dias 25 e 26

Falta de botas e EPI, informações ao Ministério Público do Trabalho sobre a situação dos pontos de assistência do SAMU, após a desestruturação causada pela portaria 190/2019 e a pandemia serão alguns dos assuntos tratados na plenária com profissionais.

Por Cecília Figueiredo, do Sindsep


“A falta de reposição de botas é sistêmica. Quase nenhum socorrista mais tem botas em bom estado.  As botas disponíveis são apenas na numeração abaixo de 37 ou acima de 46. Há quatro, cinco anos não nos fornecem botas para trabalhar”, conta um enfermeiro que trabalha em base do Samu na região do Centro de São Paulo e prefere não ser identificado por medo de retaliação.
 
De acordo com o socorrista, na falta do equipamento de proteção individual, alguns servidores acabam comprando o calçado com seu próprio dinheiro. O custo varia de R$ 250 a R$ 400. “Não compro, uso tênis. Essas botas são caríssimas, não tem como comprar”, reclama o trabalhador.
 
Segundo ele, em sua base, botas novas são fornecidas apenas para quem foi contratado pela organização social (OSS) SPDM, que assumiu a gestão do serviço em 2019, após a desestruturação do SAMU. “Como a Prefeitura de São Paulo diz que não tem dinheiro [para fornecer botas], se é ela quem repassa recursos para a gestão do SAMU pela empresa terceirizada?”, questiona.
 
Para além de ser padrão do uniforme, a bota é item de proteção para os profissionais do SAMU. “A bota é um dos itens padronizados do EPI, essencial para prestar socorro, por ser impermeável”, reforça.
 
 
Trabalhadores de três bases do SAMU denunciam situação de botas de proteção para trabalhar.
 
O auxiliar de enfermagem de outra base na região Sul, denunciou há duas semanas para o Sindsep, que se chovesse ficaria com os pés molhados, devido o tamanho do buraco em um de seus calçados. “Há um mês começou a rasgar, agora abriu na lateral deixando quatro dedos pra fora", mostrou o servidor que na semana passada foi remanejado para trabalho administrativo. 
 
Com isso, menos um socorrista para atender aos chamados do SAMU. “Tem profissionais que estão há mais de um ano no trabalho administrativo, por falta do EPI”, cita o enfermeiro.
 
Um motorista do SAMU na região Leste complementa que sua base fica parada por falta de profissionais. "Não tem profissionais para atender aos chamados. Isso ocorre em várias outras bases. Não tem pessoal para trabalhar”, afirma.
 
Na avaliação do condutor, a falta de trabalhadores é outra justificativa que o atual governo municipal utilizou para desestruturar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência e entregá-lo para a gestão da SPDM. "Na base onde trabalho, teria que ter, no plantão, o motorista, mais duas pessoas da enfermagem, ontem estava sem profissional da enfermagem. Ficou parada a base", denuncia.
 
Com relação às botas, o condutor conta que a situação é diferente da relatada pelo enfermeiro do centro. "Ninguém do SAMU pode trabalhar sem botas, mas na base onde trabalho a SPDM não entregou botas para os novos profissionais contratados. Eles trabalham de tênis. Eu trabalho com as minhas de um emprego que me desliguei no ano passado”. Lá também faltam uniformes, insumos e álcool 70% para higienização. 
 
Sindsep chama plenária virtual com trabalhadores do SAMU
 
Os relatos do enfermeiro, do auxiliar de enfermagem e do condutor de um mesmo serviço em regiões diferentes da cidade mais rica do país, confirmam a ausência de coordenação dos serviços pela Prefeitura de São Paulo, planejamento e transparência no gasto dos recursos públicos com as organizações sociais, e nesse momento de pandemia, na informação sobre números de doentes e óbitos pela Covid-19.
 
Esses são alguns dos pontos que estarão em discussão na plenária virtual do Sindsep com os trabalhadores(as) do SAMU, nas próximas quinta (25) e sexta (26), às 14h.