Saúde

18 de Junho de 2021 - 15:06

COVID | Prefeitura abandona técnicos responsáveis por realizar barreira sanitária nos terminais rodoviários

Não há EPI, respeito a jornada de trabalho, iluminação depois das 17h para coletar exames e nem local para encaminhar sintomáticos respiratórios.

O Sindsep vem acompanhando o trabalho de monitoramento nos terminais rodoviários de quem desembarca de estados, como o Maranhão, onde há circulação de novas variantes do coronavírus. Assunto pautado na Mesa de Negociação da Saúde, ocorrida na última quarta (16).

 

Uma série de problemas foram constatados, a partir dos relatos de trabalhadores que embora sejam pressionados a realizar O trabalho de monitoramento, são tratados pela administração municipal como “participação voluntária”. Na prática, a precarização do trabalho.

 

No Terminal Rodoviário do Tietê, coube à Unidade de Vigilância em Saúde (UVIS) Santana, conforme determinado pela Secretaria Municipal de Saúde, a supervisão das equipes formadas pela organização social (OS) IABAS. Para que o trabalho fosse executado, a autoridade sanitária responsável criou três turnos de trabalho, iniciado às 4h30 da manhã até zero hora do dia seguinte, incluindo sábados e domingos.

De acordo com relatos dos trabalhadores e dirigentes do Sindsep, que estiveram no terminal, não foi oferecido treinamento ou orientação por parte das supervisões para a execução do monitoramento determinado pela SMS. Os trabalhadores não receberam nem o mais elementar dos equipamentos de proteção individual, a máscara N95.

 



“No local montado para o monitoramento dos desembarques, não há condições de trabalho. Existe um único trabalhador responsável pela fiscalização no local, o que impossibilita até ir ao banheiro, pois a qualquer hora pode chegar o ônibus que será fiscalizado. Nós também verificamos que não há o cumprimento de normas de biossegurança”, relata um dos profissionais ao Sindsep.

Os técnicos também reclamam de serem forçados a trabalhar fora do horário normal de serviço e não está sendo respeitado o descanso regulamentar de 11 horas entre uma jornada e outra.

Também não ficou estabelecido pela Secretaria de Saúde de que forma será feito o pagamento do serviço extra a ser prestado pelos servidores, bem como os trabalhos executados no período noturno e aos finais de semana.

Com relação ao transporte, a Prefeitura de São Paulo oferece apenas o valor do estacionamento, obrigando o servidor a utilizar seus próprios recursos para transitar na madrugada.

Além do desrespeito às questões trabalhistas e de segurança para o desenvolvimento da ação fiscalizatória nos terminais rodoviários, divulgada na mídia pelo secretário Edson Aparecido, os trabalhadores criticam a falta de fluxo de encaminhamento das questões que envolvem o plantão, seja no intuito da ação, como avaliação e quantificação dos passageiros sintomáticos.

 


O encaminhamento de casos identificados nos terminais, que deveria ser feito para os Atendimentos Médicos Ambulatoriais (AMAs), simplesmente não funciona aos sábados e domingos, quando há maior chegada e saída de passageiros. Como alternativa, o Pronto Socorro de Santana ficaria como a referência do encaminhamento, no entanto a direção do PS alega falta de condições para atender toda a demanda. “A última vez que o PS foi acionado, recebemos a informação de que levaria cerca de 3h para a coleta. É possível submeter um passageiro a uma espera de 3 horas no terminal aguardando atendimento?”, questiona outro trabalhador.

Também não são isolados os casos de agressão de passageiros contra os técnicos, que não contam com o apoio da Guarda Civil Metropolitana.

Outro problema refere-se aos sintomáticos respiratórios. Os trabalhadores relataram que caso seja detectado um passageiro com sintomas, está determinada a coleta de exame RT-PCR no local, no entanto a sala destinada para a coleta não tinha ventilação, como alternativa foi colocada uma unidade móvel. No entanto, a Socicam, administradora do Terminal Tietê negou permissão para que o trailer ficasse próximo ao desembarque e onde foi instalado não há ponto de energia elétrica.



 

Frente a essa falta de estrutura, os trabalhadores que realizam o monitoramento são obrigados a transitar com o passageiro (possivelmente contaminado), em meio ao fluxo de pessoas que circulam no Terminal Tietê, até a área onde está a unidade móvel. Depois das 17h é inviável coletar exame pela falta de iluminação na unidade móvel, desprovida de oferta de energia. Para completar, a tenda para a abordagem foi instalada em local descoberto e quando chove fica alagada.