Saúde

07 de Abril de 2021 - 17:04

Dia Mundial da Saúde: protestos em toda cidade de São Paulo

Com recorde de 4 mil mortes em 24h, dirigentes sindicais denunciam política de genocídio praticada por Bolsonaro, Doria e Covas, com desfinanciamento do SUS, terceirização dos serviços públicos, falta de vacinas e testagem.

Mais de uma dezena de atos simbólicos foram realizados nesta quarta-feira (7/4), de forma simultânea, às 11h, em celebração ao Dia Mundial da Saúde, em frente a serviços de saúde públicos da Capital. 
 
 
 
Vacina para todes, auxílio emergencial superior a R$ 600 para garantir isolamento social da população, testagem em massa, suspensão de todas as atividades presenciais em escolas públicas enquanto a pandemia não estiver sob controle, garantia de equipamentos de proteção individual de qualidade e em quantidade, folgas de descompressão para os trabalhadores que estão na linha de frente da Covid-19 há quase um ano sem direito a férias e folgas. Estas foram algumas das reivindicações defendidas pelo Sindsep nos protestos realizados em frente à Prefeitura de São Paulo, nos hospitais municipais do Servidor Público (HSPM), Dr. Fernando Mauro Pires da Rocha (do Campo Limpo), Dr. Ignácio Proença de Gouvêa (Mooca), Dr. José Soares Hungria (Pirituba) e a UBS Vila Zatt.
 
Em frente a sede da Prefeitura de São Paulo, num ato com vários sindicatos, organizações políticas e sociais, o presidente do Sindsep, Sérgio Antiqueira, cobrou investimentos na saúde pública. “Nesse momento que precisávamos de valorização do SUS assistimos a desconstrução e desfinanciamento do Sistema Único de Saúde. Só não temos mais mortes porque temos o SUS, que é público, o Instituto Butantã, que é público e o governo Doria tentou privatizar, porque temos a Fiocruz, que passada a pandemia vão querer privatizar. Portanto, nossa luta é contra as privatizações, que aqui em São Paulo o prefeito Bruno Covas aproveitando-se da pandemia para ‘passar a boiada’ vem entregando os serviços públicos para as organizações sociais, que não mostram quanto de dinheiro público recebem e nem para onde vai”, criticou.
 
Ao defender as propostas que, de fato, podem conter a circulação do coronavírus e suas variantes, Antiqueira denunciou a ação genocida dos governos. “Estamos há um ano tentando combater a pandemia e só vamos para o hospital ou cemitério. Essa é a situação justamente porque há um governo genocida e hoje reforçamos o chamado pelo ‘Fora Bolsonaro’ , ‘Fora Assassino da População Brasileira’. Sob as sombras se escondem também Covas’s, Doria´s, que aproveitam também para não cumprirem seus papéis. Estamos num movimento de greve pela vida, porque querem reabrir as escolas. Estamos batendo recordes de internações, mortes. Tivemos 12 mil sepultamentos até março, 6 mil a mais que até fevereiro do ano passado”.  
 
Lourdes Estêvão, secretária de Trabalhadores da Saúde do Sindsep, em ato em frente ao Hospital Municipal do Campo Limpo, junto com ativistas do movimento de saúde, se solidarizou com as famílias que perderam entes para a doença e com as trabalhadoras e trabalhadores que estão trabalhando sem pausa e sem proteção adequada para atender a população. “Estamos aqui lutando pela vida de todos e todas, porque a vida é a mãe de todos os direitos”, acrescentou.
 
 
 
 
Para Luba Melo, dirigente do Sindsep, o recorde de 4 mil mortes por Covid em 24h reafirma a necropolítica exercida pelos governos Bolsonaro, Doria, Covas. Em frente ao Hospital Municipal Dr. José Soares Hungria, em Pirituba, onde os 100% dos leitos Covid estão ocupados, Luba criticou o anúncio da Prefeitura de São Paulo querer retomar as aulas no próximo dia 12 de abril. A superlotação de leitos também foi denunciada por Alexandre Gianecchinni, coordenador da Região Leste III do Sindsep, em frente ao Hospital Municipal Dr. Ignácio Proença de Gouvêa, na Mooca, onde as famílias sofrem em busca de um leito. 
 
 
 
É uma descomemoração, na opinião da coordenadora da Região Centro do Sindsep, Flávia Anunciação. “Centenas de milhares de vidas perdidas em razão de um manejo inadequado, desgoverno e falta de vacina para a população. Por isso reivindicamos dos governos vacina para todas/os, auxílio emergencial para que as pessoas possam ficar em casa, EPIs para que os profissionais que estão na linha de frente possam atuar sem colocar suas vidas em risco, sem adoecer e morrer, além de exigir ‘Fora Bolsonaro’, o genocida responsável por esse caos que estamos atravessando”.
 
 
 
Na região Sudeste, onde está o Hospital Municipal Doutor Arthur Ribeiro de Saboya, Juneia Batista, do Sindsep e secretária nacional da Mulher Trabalhadora da CUT, ao lado de Pedro da Bina, da Central de Movimentos Populares (CMP), mostrou a entrada e saída sem pausa de ambulâncias trazendo doentes. 
 
 
Lucianne Tahan, coordenadora da Região Noroeste do Sindsep, em frente à Unidade Básica de Saúde Vila Zatt, em Pirituba, criticou o processo de terceirização que o serviço vem sendo ameaçado e os problemas que estão vivendo pela falta de investimentos na Atenção Básica, neste Dia Mundial da Saúde, com um SUS desfinanciado.