Saúde

19 de Dezembro de 2019 - 15:12

Frente contra o Sucateamento do SUS pressiona contra a terceirização de unidades na zona Sul

Manifestantes deram um Abraço na UBS Veleiros em protesto à ameaça de entrega do equipamento para OSS; também houve mobilização na Supervisão de Campo Limpo
 
 
A Frente Única contra o Sucateamento do SUS, que reúne representantes de movimentos de saúde, conselhos, entidades sindicais, como o Sindsep-SP, dando continuidade às mobilizações em defesa do SUS e de enfrentamento ao processo de entrega das unidades de saúde na cidade de São Paulo para o controle das organizações sociais (OSS) realizou, nesta quarta-feira (18), dois atos territoriais na zona Sul.
 
 
Antonio Carlos, secretário-geral do Sindsep, participa da reunião do Conselho Gestor da UBS Veleiros 
 
 
Abraço à UBS Veleiros
 
Nem o mal tempo afastou as dezenas de moradores, militantes do movimento de saúde e conselheiros do “Abraço à Unidade Básica de Saúde (UBS) Veleiros”, na manhã de quarta-feira (18). O ato em defesa do Sistema Único de Saúde, público, gratuito e de qualidade, é um protesto à ameaça de entrega do equipamento, que é da administração direta, para a gestão da Associação Saúde da Família (ASF).
 
 
Dos 825 equipamentos de saúde na cidade 601 hoje são administrados pelas organizações sociais (73%) e 224 serviços tem administração direta (27%) da prefeitura. Com relação às unidades básicas de saúde, 396 das 466 unidades estão nas mãos das OSS (85%) e somente 70 UBS são gerenciadas de forma direta (15%). 
 
De acordo com dados de setembro de 2019, mais de 87% dos profissionais qe atuam na Atenção Básica da cidade são contratados por OSS. De servidores públicos, o município conta na saúde com menos de 5%.
 
 
A falta de funcionários públicos, por afastamento, morte ou aposentadoria, é a justificativa do governo Covas para a transferência dos serviços às OSS. Aliás, este é o problema central da UBS Veleiros, a falta de funcionários, apesar de milhares de aprovados em concursos estejam aguardando chamada há cerca de dois anos. 
 
 
 
“Não queremos que essa unidade seja transferida para terceiros. São mais de 50 trabalhadores públicos e estão faltando 18 para repor o quadro. Estamos aqui para que seja garantida que essa unidade não seja transferida para terceiros”, disse Leandro Valquer Justino L. Oliveira, do Conselho Municipal de Saúde.
 
 
 
A afirmação é a mesma dos conselheiros gestores da UBS, que não querem a tercerização da UBS Veleiros. Durante o Abraço à UBS, que contou com  manifestantes de movimentos e entidades de várias regiões da zona Sul, do vereador Celso Giannazi (Psol), do secretário-geral do Sindsep Antônio Carlos Lima, e outras lideranças, foi reafirmada a decisão à supervisora técnica de Saúde da Capela do Socorro, que esteve no local. 
 
 
Mobilização no Campo Limpo
 
Poucas horas depois, a Frente Única contra o Sucateamento do SUS realizou um ato que partiu em caminhada da estação de Metrô Capão Redondo até a Supervisão de Saúde de Campo Limpo, onde uma comissão formada por representantes do Movimento Popular de Saúde do M´Boi Mirim, MTST, Fórum de Saúde de Campo Limpo e Sindsep foi recebida. “É dessa forma, organizados, que conseguiremos vencer essa batalha. Terminamos o ano com essa luta e certamente nós temos que iniciar o ano se fortalecendo para barrar todo o desmonte que o governo quer fazer na saúde de São Paulo, seja no nível municipal e estadual, assim como no nível federal”, declarou Lourdes Estevão, diretora do Sindsep e integrante da Frente Única contra o Sucateamento do SUS.
 
 
 
 
O representante da Supervisão Técnica de Saúde Campo Limpo recebeu a comissão, acolheu as demandas do movimento e se comprometeu a encaminhar antes da semana do Natal. A comissão reafirmou, entre as demandas, ser contrária à terceirização das unidades, o sucateamento das UBS, entrada da UPA dentro do Hospital do M´Boi Mirim, melhorias dos hospitais Campo Limpo e M´Boi Mirim.