Saúde

11 de Fevereiro de 2020 - 12:02

Frente contra Sucateamento da Saúde cria comitê organizativo para intensificar mobilizações

Na próxima quinta-feira (13), a Frente contra o Sucateamento da Saúde Pública estará na reunião do Conselho Municipal de Saúde (Rua General Jardim, 36) para debater ações de enfrentamento à retirada do auxílio alimentação e auxílio transporte para os servidores que realizam plantões extras pagos aos funcionários da Autarquia Hospitalar Municipal (AHM), entre outros assuntos referentes ao desmonte dos serviços de saúde e transferência para as organizações sociais de Saúde (OSS).
 
 
A atividade dessa semana foi uma das discutidas no sábado passado (8), durante a primeira reunião de 2020, que reuniu cerca de 30 pessoas, representantes usuários dos serviços de saúde, conselheiros gestores de unidades e  municipais, trabalhadores de equipamentos públicos, incluindo estaduais, além de lideranças dos movimentos populares, compareceram à reunião da Frente Contra o Sucateamento da Saúde Pública, no Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sindsep-SP), para atualizar o diagnóstico dos problemas decorrentes dos ataques do governo Covas/Doria (PSDB) e pactuar ações de enfrentamento neste início de ano.
 
 
A falta de contratações nas unidades básicas de saúde (UBS) e hospitais gerenciados pela Autarquia Municipal Hospital (AHM) que estão na mira das terceirizações, o desmonte acelerado de serviços como o Centro de Atenção Integral à Saúde Mental (Caism) Pinel, a extinção de autarquias estaduais como a Furp (Fundação do Remédio Popular), Fosp (Fundação Oncocentro de São Paulo), a Sucen (Superintendência do Controle de Endemias), os institutos Pasteur e  Adolfo Lutz, além do impasse na gestão do Hospital Sorocabana e a não aplicação dos recursos para reativar 100% do atendimento do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU-USP), do qual dependem mais de 450 mil pessoas, foram alguns dos problemas pontuados pelos participantes.
 
 
Assim como houve o repasse de verbas pela gestão Covas para OSS contratadas para gerenciar serviços fantasmas, como Centro de Convivência (Cecco Centro), Samu Saúde Mental, Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Jaçanã e Hospital Integrado de Santo Amaro, alguns representantes reforçaram que o calendário eleitoral levará o governo a investir de R$ 3 milhões a R$ 4 milhões mensalmente para OSS, em projetos sem sustentabilidade. 
 
As condições precárias de trabalhadores sem férias há mais de um ano no Hospital do Campo Limpo e atendendo sozinho a 40 pacientes na internação também foram denunciadas, assim como o propósito de “ajuste do orçamento da AHM (sem capacidade financeira)”, por meio do  PL 749/19 que extingue as autarquias.
 
Frente a essas e outras denúncias, os ativistas definiram que irão fortalecer as ações regionais, que vêm sendo realizadas desde o ano passado com os conselhos gestores para barrar a entrega das 70 unidades da administração direta para as OSS. 
 
De acordo com a secretária dos Trabalhadores da Saúde no Sindsep, Lourdes Estêvão, a iniciativa é articular, nos bairros, junto com conselhos gestores de unidades, a luta com organizações, movimentos, grupos, entidades locais, para impedir a transferência das unidades da direta.
 
“O que deve apontar para a realização de assembleias populares de saúde pública por região, uma grande mobilização no 18 de março, Dia Nacional de Paralisação em favor dos servidores e Serviços Públicos de todo o Brasil e outras agendas por bairro que irão acumular para a realização de um congresso no dia Mundial da Saúde, 7 de abril”.
 
Um comitê técnico da Frente contra o Sucateamento do SUS foi organizado para preparar as agendas de atividades da Frente contra o Sucateamento da Saúde Pública. No próximo sábado (15), o comitê se reunirá na sede do Sindsep (Rua da Quitanda, 162.
 
 
Frente contra o Sucateamento da Saúde Pública define ações para 2020. | Fotos: Cecilia Figueiredo