Saúde

21 de Abril de 2020 - 15:04

Governo Covas acelera entrega de serviços para OSS e assédio moral sobre servidores

Trabalhadores denunciam que, em meio à crise sanitária, processo de entrega de serviços públicos para OSS segue acelerado e as chefias, para obedecer ao ritual de passagem, perseguem servidores públicos. 

 

 

Por Cecília Figueiredo

 

O governo municipal Covas e seu secretário de Saúde, Edson Aparecido dos Santos, aproveitam a crise sanitária para “acelerar” a entrega de hospitais municipais às mãos de empresas terceirizadas e as chefias, para obedecer ao ritual de passagem, perseguem servidores públicos. 

 

No último dia 13, profissionais de saúde do bloco cirúrgico do Hospital Municipal Maternidade-Escola de Vila Nova Cachoeirinha "Dr. Mário de Moraes Altenfelder Silva", na zona Norte de São Paulo, foram avisados que deveriam desocupar o local, esvaziar seus armários e entregar as chaves, porque a Organização Social de Saúde (OSS) CEJAM iria assumir as atividades.

 

Referência em partos de risco, a gestão da maternidade foi terceirizada e toda a equipe de servidores públicos que atua há 10, 15, 20 anos foi despejada de seu local de trabalho, para entrar a equipe da OSS. Sem diálogo, nem treinamento e orientação prévia, os servidores públicos foram para o atendimento de covid-19. Ah, e a quem pede EPI, é orientado a “colaborar” em tom de ameaça.

 

Adoecimento psicológico no Tide Setúbal

Funcionários que trabalham na área administrativa e de registro do Hospital Municipal Tide Setúbal, na zona Leste, unidade de referência para atendimento de casos de covid-19, também se queixam de situações de assédio moral que vêm enfrentando desde o início de abril. Pontos riscados, sumiço de escala de plantonistas dos administrativos, remoções arbitrárias de setores, retirada de senhas de acesso e ameaças estão agravando quadros de ansiedade. Num desabafo com outro colega, a servidora confessa: “não aguento mais”. 

 

A pressão psicológica se soma ao medo da infecção. Funcionários asmáticos, com hipertensão e com mais de 60 anos de idade que se recusam a atuar na área para atendimento de casos de covid-19 denunciam que estão sendo perseguidos pelo RH da unidade. “Somos do grupo de risco, não temos treinamento para entrar na clínica, não temos EPI. Falta para os profissionais de enfermagem, imagine para quem está em serviço administrativo? Também não recebemos o adicional de insalubridade [40% sobre o salário]. Não nos negamos a trabalhar, mas existem critérios e legislações”, afirmam.

 

Ao levar para a diretoria a recusa de realizar as funções administrativas dentro de área de alto nível de infecção, os trabalhadores contam que foram punidos. “Nos recusamos, mas foi tirado nosso acesso, senhas para poder fazer o trabalho em nosso setor. Estamos na linha de frente, a prefeitura não deixou a gente ficar em casa mesmo com problemas de saúde, mas não queremos ser expostos”, diz inconformado o servidor, pela intransigência do RH em entender a situação de ameaça à saúde.

 

Alguns também estiveram em consulta na Medicina do Trabalho do hospital, onde foi fornecido um relatório, a partir de exames e laudos que atestam problemas de saúde crônicos, recomendando que os funcionários não fiquem instalados em áreas com risco de contaminação por covid-19.

 

Depois da ação, alguns servidores foram direcionados a setor distinto, mas tiveram suas senhas de acesso retiradas para o sistema no qual trabalham. Visto por eles como punição. Outros foram mantidos nos mesmos locais de risco à saúde e há relatos de servidores levados ao extremo da ansiedade, tentando atentar contra a própria vida.

 

O diretor do Sindsep, Charles de Jesus, esteve na segunda-feira (20) no hospital para conversar com a direção, no entanto não foi atendido. Um pedido formal solicitando reunião com a direção foi encaminhado pelo sindicato.

 

Para o Sindsep é inaceitável que as chefias se aproveitem da crise sanitária para assediar moralmente os servidores. A direção incluirá a questão juntamente com a falta de EPI na próxima mesa técnica com a Prefeitura de São Paulo.

 

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