Saúde

17 de Fevereiro de 2020 - 16:02

Governo Covas submete usuários à espera de até 5 horas em serviços de urgência

O governo municipal Bruno Covas/Doria não apenas insiste em tornar "legal" o desmonte de autarquias municipais da saúde, como a responsável por 11 hospitais municipais na cidade -- Autarquia Hospitalar Municipal, em risco de ser extinta pelo Projeto de Lei 749/19 --, como vai consolidando uma narrativa que justifique a entrega de hospitais públicos para organizações sociais de saúde, com a precarização do atendimento, falta de chamamento de trabalhadores nos concursos, sobrecarga aos profissionais que estão atuando e ambientes inadequados de trabalho.
 
Na reportagem do jornal Agora São Paulo de segunda-feira (17), seis hospitais e unidades de Pronto Atendimento (UPA) administrados diretamente pela Secretaria Municipal de Saúde apresentam de tempo de espera por atendimento superior a 5 horas a estruturas abafadas, com goteiras e lixo espalhado.
 
Segundo o jornal, o Hospital Municipal Tide Setúbal, em São Miguel Paulista, na zona Leste, é um dos exemplos retratados. Os pacientes que chegam para a triagem têm de esperar a consulta em uma sala apertada e abafada. De acordo com o repórter, o teto possuía goteiras e os usuários disseram já ter esperado até quatro horas.
 
Já no Hospital Dr. Benedicto Montenegro, no Jardim Iva, a reportagem denunciou a superlotação.
 
Na zona Norte, o hospital e maternidade Dr. Mário de Moraes Altenfelder Silva, na Vila Nova Cachoeirinha, que sempre foi bem avaliado pelo trabalho qualificado na maternidade e por se tratar de referência em parto de alto risco, o único bebedouro à disposição na sala de espera principal estava quebrado, diz a reportagem.
 
Na zona oeste, o hospital Professor Mario Degni, no Rio Pequeno, estava sem clínico-geral no dia em que a reportagem esteve presente por lá. Uma mulher grávida de oito meses diz que demorou três horas para ser atendida.
 
 
Unidade de Pronto Atendimento
 
A queixa recorrente na UPA Vila Santa Catarina, zona sul, é a superlotação e o longo tempo de espera. O jornal mostra usuário que disse ter aguardado cinco horas para passar com um clínico-geral, num pronto-atendimento! No mesmo dia, outros pacientes também reclamaram da falta de ortopedista -- uma das principais urgências que chegam às UPAs. Sem contar os problemas estruturais, como goteiras e banheiro feminino quebrado.
 
Em Perus, zona Noroeste de São Paulo, a reportagem foi até o Pronto Socorro Municipal, que a prefeitura queria desativar para inaugurar uma UPA, mas os trabalhadores, usuários e sindicato conseguiram impedir. À reportagem do Agora São Paulo parece não ter tido esse esclarecimento, pois informa que o prédio continua com a identificação visual do PS, mesmo após a abertura da UPA.
 
A Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), dá respostas que não solucionam os problemas identificados pela reportagem.
 
No Hospital Dr. Benedicto Montenegro, os copos são fornecidos de acordo com a necessidade de reposição, sendo que o quantitativo mensal está sendo revista em virtude do aumento do consumo.
 
Os pacientes são atendidos de acordo com a gravidade dos casos, de acordo com a classificação de risco. Aqueles que necessitam de cirurgias de emergência são transferidos para outras unidades também via regulação, já que o centro cirúrgico realiza apenas procedimentos eletivos de pequeno porte.
 
No PS Perus, o antigo prédio do Pronto Socorro de Perus, que atende atualmente na UPA Perus, foi desativado no mês de dezembro de 2019 e irá passar por reforma para receber novos serviços de saúde.
 
O Hospital Municipal Maternidade Dr. Mário de Moraes Altenfelder Silva está contratando serviços de reforma, dentre os quais estão previstas a ampliação da sala de espera, com aquisição de novas cadeiras, pintura e troca do piso, além de melhorias da parte elétrica e hidráulica. A previsão de entrega é março de 2020.
 
As pacientes passam por triagem de risco, e a demora no atendimento varia de acordo com a gravidade do caso.
 
No Hospital Municipal e Maternidade Prof. Mario Degni, o atendimento foi prejudicado pelos alagamentos ocorridos na cidade. A unidade está passando por um período de reforma, e a recepção será liberada na próxima semana.
 
Na UPA Santa Catarina, os problemas apontados estão sendo analisados para que não voltem a ocorrer.
 
 
 
Sindsep
 
A direção do Sindicato dos Trabalhadores na Administração pública e Autarquias no Município de São Paulo (Sindsep-SP) está atenta, acompanhando o trâmite de projetos que atentam contra o serviço público, como o PL 749/19, e favoreçam a privatização, e participando de atos e protestos contra a entrega de serviços públicos de saúde da administração direta. 
 
Nesta terça-feira (18), a direção do Sindsep estará num ato em frente ao Hospital Tide Setúbal, em defesa da vida de trabalhadores e usuários dos hospitais públicos e contra a precarização da Saúde Pública.
 
 
 
Foto: Pedro Canfora