Saúde

20 de Março de 2020 - 10:03

Hospitais: Gestores e até empresa de limpeza orientam trabalhadores a não usarem máscaras

Um servidor público da saúde, que não quer ser identificado, entrou em contato com o Sindsep para pedir ajuda ao sindicato e denunciar a orientação ao não uso de máscaras em várias unidades hospitalares públicas. 
 
No Hospital Municipal Alípio Correa Neto, a gestão da unidade teria justificado, segundo o servidor, que é para "não alarmar os pacientes". Ainda na mesma unidade hospitalar da zona Leste, foi recomendado aos trabalhadores da empresa terceirizada de limpeza, Guima Conseco, a não utilização de máscaras. “A empresa proibiu as funcionárias da limpeza de usar máscara, sendo que num dos andares onde elas fazem limpeza havia um paciente testado positivo para o coronavírus, em estado grave, tanto que foi removido para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI)”.
 
Segundo ele, o mesmo problema está ocorrendo no Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe), da rede estadual. “[As chefias] recolheram as máscaras e estão dizendo que só usarão se o caso de coronavírus for confirmado. Depois que [o vírus] já foi transmitido para todos….É um absurdo trabalharmos com a prevenção e não podermos nos prevenir!”, diz indignado.
 
Apesar de saber que a escolha pela área da saúde incluía riscos, o servidor tem ciência de que o uso de Equipamento de Proteção Individual (EPI) é indispensável para mitigar problemas. “Nossas vidas e dos nossos familiares também são importantes”.
 
O servidor reclama ainda da falta de sensibilidade com profissionais que pertencem a grupo de risco. Ele cita a situação no Hospital Municipal Tide Setúbal, no Hospital Alípio Correa Neto e o Iamspe, que possuem funcionários na faixa etária de 70 a 75 anos, e alguns até imunodeprimidos.
 
“Se as chefias avaliassem caso a caso, esses funcionários poderiam trabalhar de outra forma para não serem expostos ao risco. No entanto, as chefias deram orientações a não usarem máscara, até mesmo os profissionais que têm contato com os pacientes. E não estamos vendo a chefia dar a cara à tapa, nem assumir a linha de frente [no atendimento]. Aliás, nem estamos vendo chefia há alguns dias nesses hospitais”, denuncia.