Saúde

12 de Março de 2020 - 12:03

HSPM: Gestão Covas não faz concurso e substitui servidores por terceirizados

Servidores médicos e da enfermagem reclamam que a falta de estrutura e remoções arbitrárias de turno tem incentivado exonerações de concursados para entrada da Cejam 

 

“Conseguimos trazer para o Conselho Gestor do Hospital do Servidor Público Municipal (HSPM) a discussão sobre as terceirizações”, avalia a secretária dos Trabalhadores da Saúde do Sindsep, Lourdes Estêvão, presente à reunião do Conselho Gestor do HSPM, na última terça-feira (10), que teve como um dos principais pontos de pauta a decisão da gestão em remover todos os trabalhadores médicos efetivos do quadro da UTI 6º andar, para entregar a médicos contratados pela empresa Cejam.
 
Médicos e enfermeiros fizeram documentos, levados a reunião do Conselho Gestor do HSPM e que serão protocolados no gabinete do prefeito Bruno Covas, Secretaria Municipal de São Paulo, Conselho Municipal de Saúde, além dos sindicatos dos Servidores Públicos Municipais (Sindsep) e dos Médicos (Simesp).
 
De acordo com os documentos, “o quadro de funcionários médicos e da enfermagem dos setores de UTIs necessitam apenas serem complementados”. Enfermeiros e médicos denunciam que a Tabela de Lotação de Pessoal (TLP)  está incompleta há anos e que “reiteradas vezes foi exposta a necessidade de abertura de concurso público”.
 
Outros profissionais do HSPM, presentes na reunião, também criticaram a alegação dos gestores, denunciando o déficit da enfermagem, poucas vagas na UTI e falta de estrutura para trabalhar.
 
Flávia Anunciação, servidora do HSPM e dirigente do Sindsep, explicou ainda que as remoções foram feitas de forma arbitrária, sem nenhuma negociação. “Somos contra a terceirização, porque há problema na transparência das informações, na fiscalização do serviço, alta rotatividade de profissionais, um sistema de trabalho precarizado e a perda de controle dos processos de trabalho nesses setores".
 
Para Lourdes, o governo apresenta o processo de terceirização de serviços de saúde como a oitava maravilha do mundo. “E todos os problemas é de responsabilidade dos servidores”, acrescenta a sindicalista, ao referir-se às falas do superintendente do HSPM, Luiz Carlos Zamarco, e o diretor clínico, Alexandre Crippa Sant'Anna, que não mediram críticas ao corpo médico da administração direta do Pronto-Socorro do HSPM.
 
Além de insinuarem a presença de irregularidades que teriam levado a mudanças na escala dos servidores médicos e substituição por contratados pela Organização Social Cejam, Zamarco e Crippa desqualificaram a capacidade técnica dos trabalhadores da administração direta no atendimento. 
 
Ana Rosa, diretora do Sindsep e integrante do Conselho Municipal de Saúde, se contrapôs à postura do superintendente em generalizar a qualidade profissional dos servidores. “Estive internada por 8 dias no Choque. Os médicos discutiam todos os casos. Improvisavam materiais, equipamentos para não perder pacientes. Tiro o chapéu para toda a equipe. Havia enfermeira que tinha que dobrar por falta de outro profissional para cobri-la. Portanto, é muito triste ouvir que todo mundo é vagabundo. Vamos respeitar os profissionais que atuam para salvar vidas no Pronto Socorro”.
 
Ao ser cobrado da realização de concursos pelas diretoras do Sindsep, o superintendente foi evasivo e atribuiu a governabilidade do assunto para a Secretaria Municipal de Saúde. Quanto às denúncias que fez sobre a conduta de médicos, Zamarco, que também é médico, foi criticado e lembrado pela dirigente do Sindicato dos Médicos de São Paulo - Simesp e da CUT-SP, Juliana Salles, sobre as instâncias (Conselho Regional de Medicina) para que esses profissionais sejam individualmente responsabilizados pelas suas ações.
 
“Não é admissível que um grupo inteiro [de médicos] seja desmontado, forçado a talvez pedir exoneração, não conseguir trabalhar mais em outros locais...Isso nos parece uma atitude sistemática para colocar esses servidores para fora e contratar no lugar deles profissionais que não têm o mesmo compromisso”, disse a médica.
 
A diretora do Simesp disse que a entidade irá pressionar para que haja concurso público, mas enquanto não acontece defendeu que os médicos [que foram submetidos a rodízio] sejam ouvidos. “Para garantir a transparência das informações e o termo de opção para que possam continuar exercendo sua profissão”, frisou Juliana.
 
Os trabalhadores também lançaram um abaixo-assinado contra a terceirização do HSPM, onde reafirmam a defesa pela realização de concurso público.