Saúde

19 de Janeiro de 2021 - 12:01

HSPM: reforma do setor de Nutrição e Dietética revela desperdício de dinheiro público em obra de má qualidade

Canalização com vazamentos escondida por novo forro, piso novo assentado sobre o antigo e em local alagado se armazena alimentos que depois serão servidos aos doentes e trabalhadores.

A reforma do Hospital do Servidor Público Municipal (HSPM) vem sendo objeto de acompanhamento do Sindsep, com questionamentos à Superintendência e ao Ministério Público, além de constantes mobilizações desde que foi iniciada. Da falta de transparência em contratos à precarização imposta aos trabalhadores da obra, das condições inseguras para trabalhadores e população atendida à baixíssima qualidade da reforma que poderá resultar em sérios acidentes ou maior gasto de dinheiro público para obras corretivas, o Sindsep tem denunciado, vigiado e cobrado esclarecimentos.
 
Desde 2019 essa tem sido pauta recorrente dos/as trabalhadores e Sindsep, mas o cumprimento das promessas é raro. Não por acaso, 2020 foi encerrado com um ato em frente ao HSPM em pleno 14 de dezembro. O motivo: as irregularidades na reforma do Serviço de Nutrição e Dietética (SND) e insegurança que vem colocando em risco a vida dos trabalhadores e pacientes atendidos no HSPM. 
 
Na semana do Natal, Flávia Anunciação, diretora do Sindsep esteve novamente no SND para conferir o cenário, após entrega do relatório e o protesto contra as condições de trabalho. O que foi encontrado foi uma cozinha improvisada, sem condições adequadas de preparo de alimentos, com calor excessivo, que faz com que os trabalhadores passem mal, sem coifa ou sistema de refrigeração. “Neste setor, que teve recentemente um princípio de incêndio em razão da ligação irregular do gás, os trabalhadores são submetidos a continuar suas atividades, mesmo sem brigada de incêndio. Nada foi alterado”.
 
 
SND "reformada". Imagem feita no final de dezembro de 2020
 
Numa volta rápida pelo Serviço de Nutrição e Dietética (SND) para conferir o que mudou com a reforma, foi encontrado pisos com avarias, emendas mal feitas em bancadas novas, rejuntes precários, azulejo caindo por vazamento que não foram consertados, pisos novos assentados sobre os velhos e o local para armazenamento de alimentos alagado pela água que escorre do teto. Consertos apontados desde antes da obra como fundamentais para melhorar a estrutura física do hospital foram escondidos com um novo forro. Isso pra não falar de pisos e azulejos novos largados sob ferramentas e muita sujeira danificando os materiais de acabamento.
 
 
 
 
Forro novo esconde canalização com vazamentos
 
Sobreposição de pisos, com novo já avariado.
 
 
Enquanto a "reforma" da Bellacon Construtora segue, os trabalhadores da SND se sujeitam a todos os riscos por medo de perderem seus "empregos", ainda que isso custe sua integridade física e a vida.
 
Segundo a dirigente do Sindsep e conselheira municipal de saúde, o ano pode ter mudado, mas enquanto os problemas no hospital público não forem corrigidos, a vigilância continuará e as cobranças também.
 
“Vivemos um momento muito grave pela pandemia da Covid-19 e todos sabemos da importância da Saúde como linha de frente no enfrentamento à doença, portanto não é justo que esses trabalhadores sejam expostos a mais riscos. Não é justo que a população pague com recursos públicos por uma obra mal feita e não tenha atendimento de qualidade. O HSPM, seus trabalhadores, pacientes e acompanhantes não podem ser tratados desta maneira, com descaso e desmonte dos serviços públicos. Continuaremos acompanhando, cobrando da gestão e da justiça, e denunciando a tentativa de privatizar o Sistema Único de Saúde. O ano mudou, mas nossa convicção de defesa do serviço público só está mais forte”, alertou a coordenadora da Região Centro do Sindsep.