Saúde

26 de Julho de 2022 - 11:07

HSPM | Trabalhadores da Manutenção paralisam contra o setor que se tornou 'senzala'

Representante da SMS concorda em reabrir passagens e dialogar com direção do hospital, após protesto

Por Cecília Figueiredo, do Sindsep

 

 

Foto: Laudiceia Reis/ Sindsep

 

O Sindsep esteve, na manhã de segunda (25), junto com os servidores da Manutenção do Hospital do Servidor Público Municipal (HSPM), que fizeram uma paralisação de 12 horas contra as condições de trabalho precárias que vêm enfrentando, confinamento no setor que trabalham, assédio e punições pela atual chefia (comissionada).
 
“Nós estamos voltando ao tempo da senzala, estamos confinados a uma senzala. Estamos num lugar onde não podemos sair, se pegar fogo no setor morremos queimados”, relatou José Carlos (Mãozinha), servidor que irá completar 42 anos de HSPM.
 
A secretária dos/as Trabalhadores/as da Saúde do Sindsep, Flávia Anunciação, reforçou que a paralisação dos trabalhadores dedicando suas vidas há três, quatro décadas, é pela proteção da vida, contra a falta de respeito e precarização das condições de trabalho, num setor que hoje nem rota de fuga tem mais. 
 
No setor da manutenção do HSPM, que concentra materiais inflamáveis, solda, serra e maquinário pesado para realizar reparos hidráulico, elétrico, de pintura e marcenaria no hospital, foi colocado um portão com trava elétrica, com um responsável para limitar o acesso dos trabalhadores. Antes as passagens eram livres.
 
João Gabriel Buonavita, presidente do Sindsep, lembrou que há dois meses o sindicato já havia feito um protesto para dar visibilidade à situação e tempo para a gestão corrigir o problema. 
 
“Fizemos a paralisação de uma hora meses atrás, mas não houve nenhuma correção por parte da superintendência. Pelo contrário,  aumentou a pressão, o assédio e foi respondido em documento legitimando o que foi feito no setor, além da política de terror sobre os trabalhadores da Manutenção. Portanto, não temos outra alternativa senão paralisar. Iremos para a delegacia, registrar um boletim de ocorrência e em seguida para a Secretaria de Saúde”.
 
O dirigente também salientou que o encarceramento dos trabalhadores deve ser levado ao conhecimento do Conselho Regional de Medicina, uma vez que a superintendente do HSPM é uma médica. 
 
Alexandre Giannecchini, secretário do Departamento Jurídico do Sindsep, também apontou a gravidade da situação dos servidores. “Quem responderia por uma tragédia, caso um tambor de oxigênio exploda lá dentro com os trabalhadores enclausurados?”
 
Outros servidores também criticaram a falta de investimentos em planejamento, materiais para trabalhar e a humilhação a que são expostos diante da população. “A direção que aí está só sabe cobrar, mas, e as condições de trabalho?”, indagou Osvaldo. Para Nancy, servidora há 28 anos do HSPM, somente com a luta será possível vencer a “humilhação”. Luciano da Cipa concorda que este é o caminho para enfrentar a precarização do hospital. 
 
A coordenadora da Região Centro do Sindsep, Luzia Barbosa, disse que autoritarismo da Prefeitura de São Paulo contra os servidores públicos é algo tão visível quanto a precarização dos serviços públicos para justificar a terceirização. No entanto, ela valorizou a resistência. “Os riscos que estamos correndo são vocês quem nos protegem, por isso, se mantenham firmes na luta”.
 
Em seguida, os dirigentes seguiram com os trabalhadores para o 5º DP, onde registraram um boletim de ocorrência e também estiveram na Secretaria Municipal de Saúde. Lá foram recebidos por Ivan Cáceres, representante da pasta. 
 
A direção do Sindsep apresentou ao representante da SMS um relatório com a decisão administrativa do HSPM de confinamento dos trabalhadores no setor de Manutenção, sistemático assédio e punições pela chefia imediata para justificar exonerações, falta de investimentos no setor, assim como na capacitação e formação dos trabalhadores, além de ausência de política de saúde dos trabalhadores que estão ali e que necessitam de acompanhamento do Núcleo Especializado de Atenção à Saúde do Trabalhador.
 
“Solicitamos que até que exista um projeto do setor de Manutenção, com rotas de fuga e dentro dos padrões de segurança do trabalho, sejam liberadas as passagens, que foram fechadas. Houve acordo e faremos um relatório apontando as condições saudáveis de trabalho na Manutenção, junto com a Saúde do Trabalhador do Sindsep, para ser encaminhado à Secretaria de Saúde. Com relação aos demais problemas apresentados, o representante da SMS fará a interlocução junto ao HSPM e voltará a conversar com o Sindsep”, esclareceu a secretária de Trabalhadores da Saúde.


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